13 de dez de 2010

Palavras para as estrelas.




Quando era criança, deitava na grama do jardim de casa ou do jardim do condomínio onde morava em Santo André. Eu amava deitar na grama e sentir cócegas com aquilo. Em certa noite, quando uma pessoa muito importante para mim veio a falecer, eu deitei na grama do meu jardim e fiquei contando as estrelas. E lá, falei baixinho que às vezes a vida era muito injusta e que eu, por ser nova demais, não queria mais perder ninguém, porque era tanta dor para uma menina de onze anos, que até hoje, com dezessete não me esqueço da sensação péssima que ainda me trás. Mas não houve isso, depois de um ano, eu perdia outra pessoa importante, e eu fiz a mesma coisa de antes, deitei no jardim, olhei as estrelas, e dessa vez, não pedi mais nada. Deitei e fiquei conversando com elas, as grandes estrelas.
O tempo passou, de onze anos foi para dezesseis, e lá aprendi de um jeito diferente de amar as pessoas. Um jeito que não pedi nada em troca, apenas amei por aquilo, amei amei e posso dizer mais uma vez, amei. Talvez, um jeito que o outro não precisaria me amar. Porque eu amava por mim e por você. Talvez fosse um erro, talvez fosse um acerto. E em uma noite, quando a dor estava insuportável, depois de muito tempo, voltei a deitar na grama do meu jardim. E agora, fiquei olhando as estrelas, não falando nada, não querendo nem respirar, apenas controlava as lágrimas que teimava cair e de novo, hoje, posso afirmar, não agüento mais ninguém indo embora da minha vida, não agüento mais ninguém falando que tudo termina por aqui.
Hoje, com os quarentas dias completos, me sinto como uma pessoa que tem uma doença a ser descoberta e precisa ficar de quarentena. E que ainda vejo a confusão toda perto de mim. Desisti de me apaixonar depois que tudo aconteceu e depois que resolvi escrever. E aquele menino que nem olhava para mim direito, hoje conversou. E eu olhando para o nada, do nada, sinto alguém do meu lado de blusa branca e ele olhou, e olhou e olhou. E eu sorri. E eu vejo que no fundo, eu estou viva, mas pelas metades. Minhas metades estão espalhadas pelo mapa, por todo canto, pela sua casa, pelo seu celular, e até mesmo pelo seu mundinho. E às vezes sim, eu sei que talvez as estrelas possam me escutar. E que no futuro tudo que eu disse de bom e tudo que me desejaram, se transformem em estrelas cadentes e que no fim, que se realizem.
Que virem estrelas, que virem contos. Que seja sim, um final aceitável. Chega de histórias tristes, chega de amores como você, chega de desejos não ditos. Chega de mim. Quero me transformar, custe o que for. Seja o que for eu vou te mostrar, você estava errado, você é errado. E te provando que eu não sou frágil, você poderá ganhar o meu desprezo para sempre ou talvez, o codinome de Amor Eterno. A escolha é sua.
E escrevendo esse texto me lembro quando pedi você na minha pulseirinha do Bonfim, e ela arrebentou no momento exato que você me ligou. Senti-me feliz. E talvez, olhando para o céu, estou sentada no jardim, olhando o céu e as suas estrelas. Vejo que essa é a magia da vida, é a magia da esperança e da renovação. Que cada tombo, eu irei levantar. Cada vez que chorar, amanhã irei rir. E assim, é a vida, e suas estrelas e até mesmo, a renovação. E de novo, peço a elas que não deixe mais ninguém indo embora. Porque quando pessoas se vão, muitas vezes não voltam. E eu não quero mais perder ninguém, nem para a eternidade, e nem para os quilômetros. Não agüento mais ninguém me deixando de lado como se eu fosse uma bonequinha que cansaram de usar. Não agüento mais isso. Por favor, estrelas, traga para minha a renovação, traga fé, traga amor, traga luz.



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