31 de mar de 2011

Um dia se lembrará.



Daqui vinte, trinta anos, você terá cabelos mais curtos, barba para fazer  (ou não), terá filhos, será casado ou simplesmente sozinho.  Um dia desses, você irá parar e se perguntar : Qual foi o fim que levou aquela menina que sempre me amou tanto?   - E nesse momento, olhará para os lados e perceberá que já não há ninguém o seu lado.   Em pequenas memórias tudo voltará ao seu alcance, e reparará que sente mais falta do que era, de como o seu ponto de vista era mais fácil, e que não havia tanto vazio.

Daqui vinte, trinta anos. Seus filhos irão te perguntar quem foi a menina mais especial que você já conheceu, ou quem sabe, irão te perguntar quem foi a menina que você mais amou, mas ao mesmo tempo nunca quis ficar junto com ela. Espero que seu nome seja lembrado, espero que meu nome venha em sua mente, e contará nossa história sem medo, sem desejos, somente com saudades.

Não quero que te chames de covarde, não quero que suas lágrimas sejam derramadas por quem jamais mereceu. Não quero que te culpes por nunca ter me amado, ou por nunca ter falado que me amou. Não quero tuas saudades, nem seus ressentimentos. Só quero que você aprenda que amanhã é um novo dia, e que as perguntas um dia também irão se acabar, como acabou o meu amor. Como acabou a graça, como acabou a minha fé por você.

Não quero que meu nome seja falado como se fosse saudade, porque nunca virarei saudade, pra sempre serei presença ativa em sua vida, e você sabe disso. Não quero que o amanhã seu seja igual o meu. Não quero reencontrar você pelos caminhos dessas estradas que insistem em se cruzar e que você me olhe e diga: Puxa, foi bom te ver de novo.  Não quero levar essa história adiante. Não quero te ver e pensar que foi o maior amor de minha vida, não quero acreditar em outros amores.

Quero que aprenda com a dor, e com a chuva que insiste em cair. Quero que aprenda que com amor não se brinca, e com a dor não se pode ignorar. Quero que nossa história seja ativa em sua cabeça com a esperança que tudo poderia ter sido e que jamais não foi e nessa altura do campeonato, você estará sozinho, você estará sem mim, e eu estarei com outro que me confortou quando não estava mais aquele menino ou simplesmente você me fazendo sorrir.

Existia um ponto de partida e você jamais quis seguir em frente comigo. Me deixou para trás, e foi embora. Foi embora e continua indo, e quero que se lembre disso. Quero que se lembre que um dia existiu uma menina que só vivia a reclamar, mas que te amava e você sabia disso, mas não a quis por ser medroso demais, sensato demais, chato demais.

E sua morte chegará, e talvez, em outra vida seremos o que nunca podemos ser, ou quem sabe já fomos de outras vidas coisas parecidas. Talvez fui sua mãe e você meu filho. Talvez você foi o príncipe e eu a plebéia, ou ao contrário. Talvez foi tudo, talvez não seja nada. Talvez, são apenas Talvez.   Mas se lembrará de mim, e aí será tarde demais. Uma grande perda de tempo, um grande desgaste pessoal, uma grande merda. 

Um dia se lembrará daquela menina inconstante que vivia a te rodear. Aquela mesma menina que se fosse preciso iria pra longe com você. Aquelazinha que mudou e queria te agradar. Aquela, que mesmo sabendo quem você era de verdade, estava ao seu lado. E você o que fez com ela? Humilhou, desprezou, ignorou sua presença. E agora é tarde demais, está sozinho e sentindo vazio, do jeito que ela sentiu, do jeito que ela aprendeu. Não crie pânico, você também aprendeu.
 
Eu estarei feliz mas pensarei em você de vez em quando. Eu estarei longe, e vendo tudo se perder como sempre vi, só que há algo diferente. Já não sou mais a mesma, e o meu amor por você também não. Tudo se acabou, acabando, acaba....do.  

Não há o que se preocupar. O que for não será. O que já foi não repetirá. O que passou, passou. O que marcou, machucou. O que amou, esqueceu. O que fomos, desfez. O tempo mudou. As lágrimas cansaram de cair, e eu resolvi mudar, e seguir em frente. Aproveite sua solidão.

30 de mar de 2011

O que ele queria.



Sempre me lembro dele, o sorriso, o abraço, e a falta. Ele sempre preferiu ser o pegador, o insensível, e o machista disfarçado, enquanto isso desejava apenas que fosse apaixonado por mim. Antes era eu que dava medo em todas as pessoas com essa história de amor, hoje, são as pessoas que colocam medo em mim e me deixam paranóica.Ele sempre escolheu viver longe enquanto eu o queria por perto. Éramos opostos. Água e Vinho. Mas poderia ser água e cachaça não é? Mas não, ele prefere ser insensível a se apaixonar por mim. Eu que não afeto a vida dele em nada, eu que não mudo, eu que sou carente, eu que sou a complicada, e ele é o que quer ter um relacionamento com uma menina oposta.
Ele quer uma menina que não bebe, não fuma, não fala palavrão. Ele quer uma menina morena, e de cabelos enrolados. Ele quer uma menina quieta e que não escreve para um blog. Ele quer uma menina difícil para ele e pra piorar, ele quer alguém que tenha o valor necessário. E eu sou o oposto. Eu falo palavrão, tenho cabelos lisos (progressiva serve para que?) E eu sou desiludida.Escrevo e ainda sou fácil para ele, para piorar a situação, abandonei meu orgulho por aí. E jamais daríamos certo, e mesmo assim, insisto porque ele me lembra fé.
Por não saber nunca o que ele queria de mim, eu quis entendê-lo. Eu só queria pensar igual a ele, queria ver até que ponto tudo era farsa ou verdade. Só queria que ele me fizesse entender que a mente era complexa demais e que jamais conseguir distinguir seus pensamentos. Eu só queria que ele tivesse um terço do que eu tive por ele. Mas não sou o que ele quer, e sempre fiz questão de ser como ele queria que eu fosse.
Queria que eu emagrecesse igual as amigas que ele tanto gostou, emagreci. Quis que eu ficasse morena, fiquei. Quis que eu fosse mais quieta, me calei do nada. E esnobei, porque é isso que todo mundo me diz. Não Layla, para de ser fácil pra ele, deixa ele correr atrás. Não Layla, ele é impossível. Não Layla, Não faça isso, não faça aquilo, não fala isso. Poxa,  eu fiz conforme o mundo quis, dancei conforme a música. E veja onde estou.Estou sozinha no escuro, perguntando onde ele está, em qual menina que está apaixonado. Estou sozinha, e procurando algo que jamais existiu ou se existiu, passou. Olha onde estou, criando planos e boicotando todos esses sonhos, pelo simples fato que não levo a vida sério, já que ele, o menino, nunca me levou.
Eu o procurei. Liguei, desliguei, mandei mensagem. E eu nunca soube o que ele queria. Ele me ligava, e desligava.  Apaguei o número dele da minha agenda, e salvei de novo, até que um dia apaguei de vez o número, mensagens. Resolvi deletar uma vez por todas o nome dele do meu mundo. Mudei o número e consegui novamente o telefone dele, e de novo, mandei mensagem e de novo, o desprezo. Aí pensei em ser uma mulher moderna que não acredita em amor e que só acredita em sexo. Aí eu pensei em ser uma dessas que começam a sair por aí e conhecem pessoas diferentes e as desprezam. E aí, me tornei isso, uma monstrinha.

E o que ele queria? Não sei. 
                                            http://saudadesdescritas.tumblr.com/

29 de mar de 2011

Nesse momento.



Caio Fernando Abreu disse uma vez : 
- "Ele pode estar olhando tuas fotos neste exato momento. Por que não? Passou-se muito tempo, detalhes se perderam. E daí? Pode ser que ele faça as mesmas coisas que você faz escondida, sem deixar rastro nem pistas. Talvez, ele passa a mão na barba mal feita e sinta saudade do quanto você gostava disso. Ou percorra trajetos que eram teus, na tentativa de não deixar que você se disperse das lembranças. As boas. Por escolha ou fatalidade, pouco importa, ele pode pensar em você. Todos os dias. E, ainda assim, preferir o silêncio. Ele pode reler teus bilhetes, procurar o teu cheiro em outros cheiros. Ele pode ouvir as tuas músicas, procurar a tua voz em outras vozes. Quem nos faz falta, acerta o coração como um vento súbito que entra pela janela aberta. Não há escape. Talvez, ele perceba que você faz falta e diferença, de alguma forma, numa noite fria. Você não sabe. Ele pode ser o cara com quem passará aquele tão sonhado verão em Paris. Talvez, ele volte. Ou não."

Nesse momento talvez, ele esteja sentado olhando o céu lá fora. Nesse momento talvez, ele esteja pensando em mim ou naquela gostosinha que ele consegui ficar no sábado passado. Nesse momento ele deve pensar em voltar, mas sabemos que nunca tivemos futuro, e mesmo assim, eu quis tanto, eu pedi tanto, eu namorei ele tanto mesmo sabendo que ele nunca chegou. Nesse momento, tudo está se acabando mas algo me diz que esse momento está nascendo e crescendo. A dor da partida dele me trouxe o que havia de bom, e o que havia de ruim. Me deixou sensata e preparou para que eu possa enfrentar o mundo. Porque eu vou sorrir, vou abraçar . Sou Cheia de Luz. E estou querendo viver cada vez mais. E assim, fazendo que todos notem que fui e sempre serei a mesma, sabendo que houve tantos tombos e tantas despedidas. Mas eu sei, por mais que o tempo passa. Nesse momento, eu me lembrei dele, e ele se lembrará de mim.



Nota da Autora:
Desculpe leitores, estou sem tempo. Obrigada, e espero que gostem desse trecho que postei do Caio em itálico, e se emocionem com a parte que escrevi. Porque mais um dia se passou, mais um dia acabou e me mostra novamente que tudo é tempo. Tempo para amar, perder, jogar, apostar, esquecer e se entregar. Beijo grande, Layla Péres.   http://saudadesdescritas.tumblr.com/

28 de mar de 2011

Pequenas lembranças, grande saudade.




Eu escrevo. Tu lês. Ele escreve. Nós acreditamos. Vós sofrestes. Eles desistem. – Escrevi isso em um canto de meus livros só para me lembrar. Me lembrar de tudo, e só para não me deixar vazar por outros cantos. Tenho tanto medo de me perder e assim, me agarro nesse mundinho feio que tive que ficar. Eu sinto muito mais loucura do que saudade. Mas no fim, sinto mais saudade do que medo.

Eu sinto falta. Sinto falta de tantas coisas, de outras tão distantes de minha realidade, outras tão perto. Mas jamais consigo medir a falta que você fez todo esse tempo que venho lutando, querendo, precisando ser alguém cada vez melhor. Não estou diferente, só estou com dez quilos a menos, e lutando para viver. Olho para o lado e sei que o tempo passou, e eu passei junto.

Sinto falta de sua loucura que acabava sendo misturado com sua arrogância. Sinto falta de como era ser sua. Por onde andava, vinham meninos em mim, por mais que quisessem puxar assunto ou apenas saber o meu nome, pensava descontroladamente "eu sou dele, eu sou dele, eu amo ele" só para não esquecer, só para deixar bem claro ao meu cérebro que não importava onde, nem o motivo, mas eu precisava ser sua para ser muito mais que feliz.


Hoje, eu só preciso que alguém sente ao meu lado e escute, escute todos os meus dramas, os meus medos. Não quero ler ninguém, hoje preciso que alguém me leia e entenda.
Sinto falta de como meu coração era acelerado, de como você achava estranha a minha maneira de analisar os problemas, e de como você achava complicado a minha maneira de lidar com as pessoas. Sinto falta de sair por aí, ficar, ou pelo menos, conhecer meninos estranhos e depois te ligar correndo e te contar tudo, detalhe por detalhe.


Não adianta querer voltar atrás. Tentamos meu bem, tentamos da maneira que pudemos, e que disseram como teria que ser. Tentamos, mas nunca fomos completos. Olha bem, foi eu que tive a idéia de abandonar tudo e você me apoiou. Você achou melhor seguir sua vida sem mim, e eu não estava nem um pouco surpresa. Todo mundo no final me deixa mesmo, e por que você não me deixaria? Você jamais foi igual a todos os outros, e eu pensei que finalmente o tormento iria acabar.

Engano meu, o tormento só começou. Sua falta me deixou com sono, sono do mundo, sono das pessoas, sono dos meus sonhos. Quis tanto te ter por perto, mas precisei não te querer mais só para te ter. Estranho essa vida. Tive que desistir do meu maior amor só para deixá-lo feliz. Tive que aprender. Tive que me reerguer sem dó ou piedade de ninguém. Tive que mudar, mesmo sabendo que o tormento continua tudo muito igual. Engano meu de achar que tudo está diferente, está diferente sim, mas está tudo estranho.

Só te peço, e imploro se quiser. Jamais se esqueça do que fomos, do que senti, do que tivemos e dos sonhos que deixamos de sonhar. Só te peço para que quando se lembrar de mim dê o seu melhor sorriso e pense palavras agradáveis ao meu respeito. Porque quero que saiba, onde eu estiver, vou fazer a mesma coisa. Vou me lembrar de você não com mágoa, não com tristeza, muito menos com vontade de morrer, porque eu sempre tive a certeza que mais cedo ou mais tarde tudo passaria.

Vou me lembrar de tudo que chegamos a ser e que nunca fomos realmente. Vou me lembrar e vou repassar essa história, como se fosse uma pequena dádiva, ou um pequeno tormento que se tornou história em bocas de estrelas.

27 de mar de 2011

Encontros e despedidas



Eu te olhava e não sabia qual seria minha vontade. Fiquei entre duas alternativas, te abraçava ou saia correndo para longe de tudo, e sabe qual foi minha escolha? Não fui para lugar algum, fiquei quieta te olhando. Eu fiquei olhando por um bom tempo e não queria ir embora, não queria te deixar embora.
No começo foi apenas um jogo, mas depois tudo foi se complicando e fui acreditando nesse amor que inventei para vencer meus dias chatos e tortuosos. Você nunca foi o que queria para minha vida, mas algo me dizia, lá no fundo, que era tudo que eu precisava, tudo que eu necessitava naquele momento.
É fácil agora ver, mas eu andei na escuridão na direção em que achava certo. Foi atropelando minha vida, substituindo pessoas, e esquecendo sentimentos só para ficar do seu lado. Ao perceber que eu estava na merda, fui me fechando, esquecendo o inesquecível, matando o que não se mata.
Na sua ausência tudo ficou muito mais complicado, a vida era mais fácil quando havia seus sorrisos, suas brincadeiras e seu jeito prepotente. Você era aquilo que me guiava na direção que sempre sonhava, e de novo, me vi sozinha. Todo mundo sempre me deixa, mas não esperei que você me deixasse, não agora.
Não havia mais ninguém para me ligar, não há mais ninguém para me deixar tão inteira, tão indiferente como antes. Eu olho para o lado e procuro algo que já não está a muito tanto tempo, procuro você em sinais, destinos, ou qualquer pedacinhos que comprovem que destino existe. Você me fez acreditar nisso, e sou eternamente grata por isso.
Guardei seu jeito, suas lembranças e sua história que achava um máximo. Guardei a forma que você falava, e seu sotaque não tão bonito. Guardei aquelas cartas que fiz para você, mas logo depois desistir de publicar. Sempre tinha que ser o primeiro, minha vida se resumia em sua prioridade. Você foi o primeiro, a saber, que eu escrevia, mas foi o último a saber que tudo estava acabando.
De longe tudo parece mais fácil, mas quando me atrevo aproximar percebo que tudo está igual, a mesma merda de sempre, só que há certo problema, já não tenho mais quinze anos, tenho dezessete, e acabou a paciência. Tudo era mais fácil, por quê? Tudo era bem mais bonito.
Quero de vez em quando voltar a imaginar como é viver com você, ter uma vida não perfeita, mas bonitinha. Quero de vez em quando ou de vez em sempre você de volta para me fazer acreditar que às vezes tudo sairá bem. Quero seus abraços e seus sorrisos tortos. Quero seu olhar de indiferente em cima de mim, e o jeito que você me chamava. Quero tanta coisa, e o que hoje o máximo posso fazer  é imaginar.
Uma vontade horrorosa de sair por aí destruindo qualquer relação que pessoas criaram em cima de mim. Uma vontade horrorosa de te ligar e ao mesmo tempo de te matar. Uma vontade horrorosa de esquecer o que não é necessário. Uma vontade horrorosa de desistir de tudo, de você, de mim, de nós, do mundo.
Me dá aquela dorzinha no peito quando me lembro de tudo, me dá aquela dorzinha que mais me parece um mini-infarto. Me dá uma saudade, uma pequena vontade de nunca mais existir, de virar lenda. Não há mais você aqui perto de mim, e assim, tive que aprender.
Fui percebendo que estava crescendo quando vi que nada em volta me fazia sentido. Comecei a não te desejar o mal, jamais gostaria que você sofresse, só te desejo que você seja mais feliz. Não me faz sentido ver meus antigos amigos passando por mim e mal me falando um oi.  Vou me fechando sem medo, mas sei que se voltar será apenas uma má fase nossa.
Tive que aprender sozinha, tudo na marra, na base do grito e da solidão. Tive que aprender coisas que jamais pensei que saberia. Tive que suportar a dor, e valeu à pena, porque hoje eu sei, sei que sou forte o suficiente para enfrentar todos de cabeça erguida. E escrever isso me faz sentir tão pré-adolescente, e isso me faz de novo me lembrar de você. É aquela história que jamais se aquieta na memória.
Sua ausência não me ensinou a sofrer, sua ausência me fez aprender a conviver com a solidão. Me fez viver com algo entalado na garganta. Uma vontade de gritar, mas esqueci que ninguém mais quer me ouvir.  E foi em vão, de novo, não me canso. E de novo você reside nesses pequenas linhas. De novo, de novo, de novo. De novo, eu tento. De novo, eu esqueço, mas de novo sinto saudade, e de novo, ou não tão novo assim, percebo que gostei de você, percebo que não poderia me aproximar, e por isso, escolhi ficar te olhando, de longe, só para parecer que nada me afeta mesmo sabendo que isso me suga, suga muito. E eu sou isso. Você se tornou isso, mas dentro de mim ainda tudo é igual, exatamente igual.  Às vezes o que acho mesmo, é que nossas vidas vão ser sempre uma ciranda de encontros e desencontros. Encontros difíceis e despedidas fáceis.


26 de mar de 2011

Esperar e não esquecer.




O amor seria o que afinal? Qual é o verdadeiro significado do amor e suas complicações? O que realmente faz um amor crescer?
Passei tanto tempo ligada a ele, o sorriso dele, o jeito em que ele olhava, passei tanto tempo ligada no mundo dele, querendo entender o que ele tinha que o mundo ficava tão minúsculo e devastador quando havia algo que o envolvia. Eu queria entender o que ele tinha de tão especial que me fazia sentir uma pré-adolescente descobrindo o amor.
Gaguejava ao telefone, não falava coisa com coisa, e ainda por cima sentia meu coração pulsando em minha garganta. Quando ele desligava, eu sentava na escada, e suspirava, suspirava igual uma idiota, suspirava e no fim, estava esperando outra ligação dele, sei lá, queria que ele me ligasse só para dizer que me amava ou que gostava muito do jeito que eu via o mundo.  
E depois de tudo isso eu sei que ninguém perderia tanto tempo com ele, como eu perdi. Daqui um tempo tudo virará lembrança e essa parte machuca e me incomoda. Porque ele não vai mais me ligar, e se ligar, não sentirei o mundo acabando. Porque eu sei que não sonharei com ele, não haverá mais sentido sonhar com alguém que nunca foi meu de fato, seria ridículo continuar chorar dores desse amor para outros caras, e então, quem é você para eles? Bom, você não é ninguém para eles, mas para mim foi o mundo, o meu mundo preferido.
Futuramente, ele será apenas lembrado por meu jeito. Eu sou o espelho dele, e ele foi o meu espelho por tanto tempo. O mundo tinha que ter pedaços de sua vida para me deixar feliz. Cada frase mal falada por alguém era sinônimo para lembrar-me de suas palavras. Eu me lembro de quase todas, me lembro do meu jeito desesperado de chorar e sorrir ao mesmo tempo quando falava de você.  
Ficou tudo tão quieto de repente, ficou tudo tão chato demais, cansativo demais, que me senti e me sinto perdida, porque havia ele por perto para me orientar, e agora, ninguém suporta meu jeito que ele gostava. Ficou tão chato, e a dor me vencia tanto, e mesmo assim, ainda continuava ele, tinha que ser ele, e eu não aceitava outro.
Se eu pudesse, teria ele sim. Se eu pudesse, eu o esperaria para sempre. Mas sempre não existe. Mas eu posso esperar, porque eu o amei demais. E quando o amor é verdadeiro, ele só fica adormecido, esperando que a pessoa que um dia se quis muito volte. E é isso que vou fazer. Vou esperar esse amor adormecer para quando ele voltar não se assustar com os buracos que sobrou em mim. 
Eu te espero mesmo sabendo que nunca mais chegará. Ainda olho para o meu celular com uma pontinha de esperança que ele toque a qualquer hora. Ainda procuro seu olhar no meio de vários olhares. Continuo te encontrando onde não quero encontrar. Continuo te querendo, mas em segredo. Porque o mundo não suporta, e eu também não. Não há mais paciência para esse amor. Mas deixa acontecer, esperar dói, mas vai doer muito mais se eu não tentar.
Esperar e não esquecer é assim que levo minha vida. No fundo, posso não acreditar em mais nada, mas ainda sei que no fundo existe algo que acredita na sua volta.

25 de mar de 2011

Aquela saudade guardada dentro de mim.




O destino une e separa, sem medo ou sem fé. E assim, vou seguindo a vida e o que quis para ela. Longe de você, e longe de tudo que um dia tive por perto, só me fez entender o que era realmente sentir falto daquilo que jamais voltará, daquilo que foi e que só ficará guardado em nossas lembranças. Eu queria que você prometesse que jamais sairia dos meus sonhos, do meu mundo, da minha vida. Eu queria promessas, mas ninguém leva a sério, nem mesmo eu. Nunca fui completa com ninguém, mas com ele, assumi todo o podre que vivia em mim, assumi meus medos e minhas farsas. Assumi qualquer solidão que insistia dentro de mim. Com ele, apostei minhas cartas e meu próprio coração. Todos os lugares que olhava estava escrito "Ele será seu" mas não, não foi meu. Pensei que ele seria o homem que iria apagar todos os meus medos e abafar os meus planos caóticos, mas não, ele só fez que eu criasse mais planos caóticos, mas ao contrário, fui eu que comecei a passar medo em todo mundo nessa história de amar. Eu fui podre, admito, e me sinto até envergonhada por isso.
Nunca pedi mais do que o necessário, mas eu o queria e isso era fato. Eu o queria como se o mundo fosse acabar a qualquer momento. E jamais fizemos promessas, talvez, por não acreditarmos mesmo. Mas o principal era, eu o desejava mais do que qualquer coisa na época. Depois de tanto tempo, eu entendo qual foi nossa função nessa história. Não quero me apaixonar por mais ninguém, mesmo sabendo que a vida não para nunca. Não quero mais ouvir um tom de voz tão idêntico ao dele. Não quero mais procurá-lo em outros corpos, em outras bebidas, em outros telefonemas. Era divertido mas ao mesmo tempo dramático. Todos me olhavam com pena, porque em mim morava o mundo dele. Sabia de sua matéria preferida na escola, até o nome da última namorada, e ainda sei, mas isso deixo para lá.
Uma briga dentro de mim entre esquecer e me entregar. O mundo cansava cada vez mais que eu começava a soletrar o nome daquele menino. Sei que nossas pequenas promessas serão lembradas por todos, apenas nessas pequenas linhas. Ele não se lembra, e eu também não. Não sei mais como é o seu jeito de sorrir, ou de olhar, mas não esqueço a sensação que senti quando ele dizia que queria iria me ligar só para me acordar. Não me esqueço de como eu fui tão completa como jamais tinha sido antes. Não me esqueço dessa história porque ela soube me cativar, soube me mostrar que existem pessoas e amores que marcam, marcam fundo que chegam a doer. Essa história é uma ferida que faço de tudo para não cicatrizar por medo de esquecer. Essa história era apenas de eu e ele, agora, é uma pequena história de nós, uma história de drama, comédia, amores unilaterais. Não me importo.
Aos poucos a claridade apagou e só mais tarde que notei isso, já não fazia parte dos planos dele e mesmo assim insistia, e ainda insisto. Enxerguei mais do que deveria, falei o que não era necessário, e todas as noites soletrei o nome dele para não esquecer.
Só quero olhar para frente mesmo sabendo que a vontade de voltar é maior. Se eu quero esquecer? Claro que sim. Layla, ninguém quer uma menina que escreve para um menino que se foi. É sempre isso que me falam, sempre. Mas eu não me importo se ninguém jamais irá me querer, eu me importo muito mais com que eu fui, do que serei. Me importo muito mais com ele, o menino que se foi e me mandou embora de sua vida, do que um bonitinho que quer chamar minha atenção. Eu me importo com essa história mesmo sabendo que ninguém mais se importa. Eu só sinto saudades dele, sei lá, apenas saudade. Mas puxa vida! Como era bom saber que ele existia e que a qualquer momento, ele iria me ligar e perguntar se eu estava dormindo. Puxa vida! Como era bom ser inteira e realizada, como era bom. E vou confessar uma coisa, toda vez que eu sinto o vento no meu rosto, sempre tenho a impressão que ainda carrego aquele menino comigo. Eu o protejo, eu o guio, e ele me leva, me leva para onde eu sempre quis, e sei que nunca vou voltar. Restou apenas saudade, saudade dele, saudade de como era tudo mais fácil, de como era mais fácil resistir e não chorar. Saudade do que fui, mas o principal, saudade de mim e dele.
Nunca fomos um casal, mas também nunca rejeitamos essa possibilidade. E eu adorava o modo que ele via o mundo, eu era fascinada pelo modo que ele falava, pelo jeito que ele me olhava, e pelo jeito que ele comentava de músicas, e de sua mania de trocar nomes de banda. Eu adorava o modo que ele falava meu nome, e o jeito que ele fazia questão de me notificar de quantas meninas ele saiu e quantas ele deixou de sair. Era isso que nos fazia eternos e diferente. Eu era dele, e ele era meu de um modo diferente e que chegava até impressionar, e é disso que eu sinto mais saudade, saudade ser tão dele, e ele de ser tão meu. 

24 de mar de 2011

Amor demais.




Eu o amei muito, amei mais do que o necessário e o possível, mas eu tinha certeza que eu amava pelo simples fato que esquecia que havia muito além de se viver, mesmo que o mundo se resumia apenas nele, somente nele. Chega de drama, não há dor alguma dentro de mim. Eu uso as pessoas de vez em quando, e quem não usa? Chega de ser mal comigo mesma.
O drama era que não havia amor dele, só havia amor de mim para ele, e ele nunca mais me amou e nunca mais fez com que eu soubesse o que era ser amada. Mas fim de história. Claro, que de vez em quando eu o lembro, sorrio ao lembrar e fico triste também. Sou humana, e tenho direito de me recordar da melhor fase, da fase em que eu acreditei nas coisas impossíveis e nos amores improváveis.
Tive medo de andar na rua e encontrar minhas migalhas jogadas. Tive medo de mergulhar e nunca mais conseguir voltar para superfície, e voltei. Tive tanto medo, tanta dor e tanto amor, que mereceu ser retratado hoje.  Tive medo de encontrar com ele e não poder falar nada, então, adiei os encontros pelo simples fato que já não havia mais nada para ser dito, ou havia?
Não havia nada para ser projetado. O meu amor não foi nada passageiro, e está cada vez mais forte, só que antes me afetava e hoje, mal sei soletrar o seu nome.
Lembrei das vezes que sorria só de saber que ele existia. Lembrei das inúmeras vezes que respirava pensando que seria mais um dia que estava acabando e mais um dia que estava se aproximando do meu encontro com ele.
O mais triste é ver que eu o amei muito e tive que colocar esse amor em buraco, enterrar e forçar para que nunca mais saia da cova. Tive que relembrar de vez em quando só para não esquecer como ele me fazia sentir. Tive que me lembrar de como me sentia pequeninha quando ele me contava de suas amigas. O mais triste de todas as tristezas é saber que esse amor era lindo, puro e sadio e que nunca, nunca pude levá-lo para frente. Tive que abandonar aqueles sonhos puros, sadios por alguns pequenos sonhos sem fundamentos, só para me salvar e o salvar, porque era amor, amor demais.

23 de mar de 2011

Como se fosse




Era uma história que não havia final programado, e se havia, ninguém se interessava. Era uma história de drama e de terror, e que todos esperavam um final agradável e divertido mas que fizesse sentido para aqueles dois que já se tornaram dois estranhos para todos, para eles mesmo e para o público que assistia ou relia os contos.

Cada passo que eu andava era como se cada etapa fosse deixada para trás, cada passo que eu dava era como se tirasse um fardo de minhas costas. Cada passo que eu dava era em direção a tudo aquilo que eu não queria ir, e que mesmo assim, eu tinha medo, medo do futuro. Cada palavra mal falada era um gosto amargo mais tarde. Cada abraço que cheguei a dar era como se me perdesse em outros braços e que pudessem sugar minhas energias.

Cheguei a pensar que essa vida não seria a que queria para mim. Olhando bem em volta, não é nada daquilo que quis para mim um dia. Não são as mesmas pessoas, e também não são as mesmas situações. Como se dia após dia eu chegasse e olhasse para o lado, procurando algo que já não é para ser encontrado e sim esquecido.

Dia após dia eu descubro que sou forte e tenho um potencial incrível de mudar as coisas, de ver outras coisas atrás de outras. Vejo pistas e dicas que podem socorrer. Vejo coisa onde não existe, mas vejo possibilidades e isso faz com que consiga me orientar nesses dias tão tediosos e ao mesmo tempo tão cansativos. Tudo tem seu lado bom, mas infelizmente nessas coisas boas existem coisas ruins.

Era como se tudo existisse quando havia alguma coisa que envolvia ele, mas tudo desaparecia quando ele desaparecia. Era tudo como se fosse um encaixe, uma salvação para aqueles meus dias que não havia nem salvação, nem nada. Aos poucos eu sei, ele está bem. Aos poucos, quero que ele saiba, eu estou bem.
Como se tudo fosse problema e havia algumas soluções. Como se ele virasse personagem e eu passaria a ser muito mais que real. Como se tudo no final acabasse bem.



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