28 de fev de 2011

Aos poucos




Depois que escrevi  aquela carta fiquei pensando. Paris é o lugar mais lindo que eu gostaria mudar, mas lá, eu não estaria com o grande amor da minha vida, se bem que não há nenhum homem existente e perdido nesse mundo que possa ser hoje o homem da minha vida, dos meus medos e dos meus dramas.

Já me imagino com trinta anos e por isso escrevi aquela carta passada. Talvez, no fundo quero que isso aconteça para que quando eu já te mandar aquela carta você possa ter uma grande surpresa. Mas não me importo, porque hoje não é isso que quero te falar.

Ah Cara, eu amei você, e sinto tanta pena do mundo que jamais conseguiu entender essa minha maneira de te amar. Eu amei e sei que hoje não há mais ninguém que te ama como um dia eu te amei. Fiz meus sonhos em cima de sua vida, e se desse sorte queria que sua vida fosse a minha vida também.

Antes, não poderia me imaginar em outros braços. Hoje, eu já estou em outros braços, mas cada dia em algum, quero encontrar o famoso encaixe mas tá tão difícil e eu estou ficando tão cansada dessa história de procurar. Hoje, não quero procurar, eu quero que me achem.

É difícil não é? Pois é, eu sei. Claro que não estou brava, muito menos revoltada. Ai meu querido, só é isso que precisava te dizer não te vejo mais como antes. O passado está mais próximo que o nosso futuro e me dá um certo medo.

Medo porque serei passado daqui algum tempo, medo porque você também se tornará uma lembrança não tão importante assim para minha vida e assim, nos perderemos para todo sempre. Tá bem, vou parar de exagerar as coisas. Mas é exatamente essa, meu amor unilateral, você é o mais sofrido, o mais dolorido e infelizmente o mais verdadeiro.

Aos poucos toda essa falta vai virando presença e eu vou querendo ser melhor, vou querendo me tornar uma mulher e estou deixando aquela menina para trás com alguns medos bobos. Aos poucos, você está se eternizando e eu estou passando, sem mágoas ou qualquer sentimento paralelo.

Todas as manhãs eu acordo só querendo ser feliz e mesmo com as minhas pequenas cicatrizes, acordo deixando os meus grandes sonhos de lado e vou vivendo o que a realidade me propõe, mas não abaixo a cabeça e digo apenas os sins, eu falo não, eu fico em dúvida. A realidade não é má comigo, às vezes ela consegue me confortar.

 Não me costumei em te tratar no passado, muito menos colocar a palavra amor no pretérito. Amei, Amou. Seria bom se fosse verdade. Mas há muita água para rolar debaixo dessa ponte, deixe rolar.

27 de fev de 2011

Doze anos - Carta



Vinte sete de fevereiro, de 2023.
Prezado Menino,

Olá, tudo bem? Aqui estou reescrevendo essa carta pela oitava vez, descobri seu endereço então me dei a liberdade de poder te escrever depois de muito tempo. Moro hoje na La Ville-Lumière e vejo casais apaixonados o dia todo. Tenho uma vida formada e doze anos já se foram. Como está sua vida? Se casou? Apaixonou? Me conte em detalhes. Ficamos muito tempo separados e gostaria muito de me manter informada como antes, lógico, se você quiser não é?
Então, estou com trinta anos. Nossa, quanto tempo, depois de doze anos volto a me lembrar de sua presença que na época era tão insignificante mas tão congeladora. Estou grávida pela segunda vez, sou casada, e tenho uma carreira bem sucedida aqui na França. Lembra? Você foi o primeiro, a saber, que curso eu faria na faculdade, então, dito e feito, sou formada em odontologia.
Sobre meus filhos, vou descrever aos poucos. O meu mais velho é a cara do pai, é lindo, tem os olhos claros, mas o cabelo bastante loiro, quase branco. E possui o seu nome, exatamente isso. Achei-o parecido com você, à personalidade é tão igual que resolvi por o seu nome nele. Para me lembrar constantemente de sua personalidade que tanto me fez falta nesses anos todos.
Você me fez falta, muita falta. Mal consigo me concentrar em escrever para poder te informar sobre o que acontece. Se sou feliz? Sou. Mas penso sempre que não deveríamos ter perdido a chance de sermos felizes. Claro, eu seria muito mais feliz ao seu lado. Mas hoje, com trinta anos, posso dizer isso sem qualquer medo.
Guardo nossa história com muito carinho, guardo e vou levá-la até os últimos dias de minha vida. Foi tão bom sabe? Me trouxe o que eu nunca tinha conseguido antes. Consegui sobreviver e sorrir novamente. Você me trouxe o que o tempo havia me tirado. Ah! Como era bom saber que existia alguém perdido nesse mundo que gostava de ouvir minha voz todas as noites. Como era bom saber que existia alguém que gostava de mim sim, do seu modo claro, mas agora, que sou adulta posso analisar isso sem dor alguma.
Pensei muito em você nesses anos todos, e continuo pensando como se fosse uma obrigação de te amar para sempre e te desejar o bem.
Creio que para você não foi fácil, creio que para você foi estranho não ter mais alguém que sempre te procurava e que desejava tanto o seu amor. Hoje, não desejo mais isso, preciso só de tempo.
Quando penso e repenso que tudo poderia ser diferente sempre acontece que, fico triste. Exatamente isso, fico triste porque sei que a nossa chance foi desperdiçada e que estamos perdidos e nunca mais seremos os mesmos de antes.
Só quero que você saiba que depois de muitos, muitos anos, eu penso sempre em você e sei que nosso destino não se cruzará mais, mas quero que se lembre disso. Estou sempre aqui,  me procure. Mas será que é tarde demais? Cresci com a ideologia que para o amor, nunca é tarde. Mas mal sei se você está também casado ou se está solto por aí, se morreu ou se realmente essa carta chegará ao caminho desejado.
Se lembre, se tudo der errado em sua vida. Saiba que é só desespero na hora, que logo depois tudo mudará e retornará ao caminho certo.
Quando atravesso a Pont Neuf e vejo os casais que se amam perdidamente me lembro de você, e do seu tom de voz. Aqui em Paris é lindo, cheio de vida e parece que tudo está tão mais intenso que o normal, e por isso me deu essa vontade de saber de sua vida novamente.

Com todo meu amor e carinho.
Layla Péres , França - Paris, 2023.



26 de fev de 2011

O passado e o seu futuro



Passei por coisas terríveis nesse meio tempo, mas não me lembro dessas coisas terríveis que te digo. Não há nada que te faça voltar, não é? Não há nada que exista aqui que irá te segurar. Hoje, estou aliviada, e um pouco de alívio me trás a loucura. Tudo se acabou, e eu me acabei pensando que tudo seria diferente. Você só fez parte de um passado que tenho dificuldade de deixar para trás, e seguir. Você sempre foi o meu preferido.  E se fosse para poder anular, não anularia.
É verdade meu bem, não sei nem ao menos por onde você está, não sei nem ao menos se ainda fazem as meninas caírem em seus pés. True... Não sei e tenho raiva de quem sabe.
Esse é o mistério, são dezenas de dias sem você e ainda não sofri nenhuma dor forte em alto potencial. Vai ver que acabei me acostumando com algo que sempre estava presente, mas pensando bem, você sempre foi ausência.
Quando você se foi, realmente, pensei que desistira de você, de nós, da vida. Não que eu tenha a mesma força de antes ou a mesma fé, mas ainda minha vida continua igual. Mas a única diferença é que agora não tenho mais ninguém para poder compartilhar os meus dramas e os meus medos.
Não tenho mais a quem contar os meus planos ou dos meus quase-amores que existiam por aí. Não tenho mais ninguém que me ligue no meio da noite para apenas dizer um singelo oi e depois, desligaria e eu dormiria em paz. Era de você que precisei nesse tempo, essa é a verdade.
Não dependo de você para existir, muito menos, não vivo sem você. Eu vivo sem você, sobrevivo, canto, crio, dou sorrisos e até entrego minha alma para esses que logo chegam e que logo vão embora à maior velocidade. Precisaria ser você naqueles dias chatos e nostálgicos, precisaria ser você para estar ao meu lado seja lá de qual maneira. Mas tinha que ser você, tinha.
Tudo continua exatamente igual, mas parece que já não mais mesma que foi abandonada. Colocando os pingos nos is, vamos ver sinceros, não houve abandono, não houve mesmo. Foi só uma maluquice criada para tentar me acostumar com sua ausência que me torturou, é saudade apenas.
Não sei mais se é amor, não sei se é mais emoção ou comoção. Não sei mais de nada. Só sei que dói às vezes, mas logo passa, mas de novo, dói. Uma dorzinha verdadeira mas no fundo, não precisamos nos lembrar dessa dor. Meus machucados não são visíveis, eu sangro por dentro.  Sangro e não há nada que cure, nada que salve, nada que me faça parar.
Acho mesmo que sou masoquista, acho mesmo que me quero ver sangrar a última gota, acho que existe uma pessoazinha dentro de mim que torce muito para que eu me dê por vencida e que acabe logo essa história.
Eu sei que estou me acabando cada vez mais. Sei que estou acreditando no inacreditável, e que estou ressuscitando algo que está morto há tanto tempo. Minha grande mania de cortar laços com todos, gosto dessa sensação de estar sempre à procura. Minha mania de afastar quem só me quis bem e quem só me desejou o melhor. Mas agora é tarde para ficar pensando nos erros. Quero te lembrar o quão importante você foi para ser o que sou hoje. Não estou pior, estou tão normal, mas quero te lembrar o quão eu tentei fazer você gostar do meu jeito. O quão lindo eu te via. Quaisquer sentimentos que poderiam existir seria uma dádiva, uma audácia, uma vontade. Quaisquer rapazes que chegavam perto, eu me afastava e me afasto ainda por medo que qualquer um deles me faça acreditar que você era apenas o que queria ver, que sua personalidade vai muito mais do que esse endeusamento que criei para vencer os meus dias tristes.
Se lembre de mim, lembre-se das noites, das risadas e se eu cheguei a ser importante para você. Implorei tanto que você pudesse me amar que esqueci me implorar a gostar de quem sou. Esqueci de me amar por medo que meu ego te afetaria. E olhe o que virei. Uma pessoa apenas no meio de tantas pessoas diferentes e alegres.
Queria tanto me acostumar em te ver só no meu passado, acomodado, quietinho. Mas não, não consigo. Não quero te ver só lá atrás, não quero voltar no tempo.
Não sei retratar a sua existência no passado. Não me acostumei em te ver somente naqueles anos atrás. Quero te trazer para o meu presente e se fosse possível para o meu futuro. Me quero de volta, te quero de volta. 


25 de fev de 2011

O que não espera


Alguma coisa havia acabado mas acho que nem sequer foi começado. Alguma coisa partiu e me deixou inteira ou vice versa.  Não sei mais como é o tom de sua voz, perdemos o contato e não me sinto magoada. Perdemos algo que jamais começou, mas dá uma leve impressão que, não começou, e não terminou, mas que está no meio.
Não é medo, não é pena, não é mais nada. Um dia, foi sim. Um dia muito longe, um dia que não merece ser lembrado.  Um dia sim, existia sofrimento, existia o amor e a grande esperança.
Afinal, não o amo como antes. Não lembro de sua existência. Tudo bem, admitindo o erro, me lembro pouco dele. De vez em quando, penso, mas penso porque é cômodo, penso porque ah, eu penso oras. É tanta coisa para dizer mas ao mesmo tempo, não tenho mais nada a falar. Não tem mais socorro, não tem salvação para quem não quer.
O dia está lindo, ensolarado. Cheia de vida, esperança e se renovando sem ao menos perguntar se nós queremos isso. São sonhos e planos que não precisam necessariamente dar certo. São sonhos que se acabam, e os planos são substituídos, e tudo acaba no final, tudo. O amor acabou  e a vela que estava acesa também. Não há nada, só digo isso. Não existe mais nada, só penso nisso.
É como se fosse a vida em forma de um texto mal classificado e criticado, sem se importar se o autor estava magoado realmente ou apaixonado. Não há ninguém se importando, e para ser sincera, nem eu.  Não quero parar a vida, não quero adiar encontros inesperados e nem felicidades. Mas preciso me dar o valor, não é? É isso que dizem: valor.
A questão é seguir, criar, amar, sonhar, e todos os verbos bons.  É questão de destino e suas ironias, é questão de... não sei o que. São uma dessas coisas que nasceram sem nomes e que jamais conseguiremos distinguir. Não importo, não quero nem ao menos saber. Me dê a licença, estou saindo, com o coração na mão, e a minha bolsa do outro lado. Estou indo, levando, sorrindo. Quero voltar a ser o que fui, quero sair da onde que me infiltrei.
Me dê licença, estou indo, quem sabe um dia volto para o seu lado.  O que não se espera não vem, o que se espera chega ou não. Depois eu que complico tudo, não é vida?!

24 de fev de 2011

Velhos dias do amanhã.



Penso sem cobranças ou sem querer algo em troca. Penso porque é melhor pensar do que fazer rápido algo. Pode ser medo e muito, muito receio, mas não me importo. Inventei uma pequena dor para que não me chamassem de louca, ainda que eu seja. Inventei um amor que logo depois, eu acreditei muito, igual uma criança que acredita em Papai Noel.
Eu já olho para o meu redor e não estou procurando nada, não quero achar nada mesmo. Não há coisa alguma para procurar, não há ninguém que eu espere nessa tarde, nesse dia. Eu sei que ele está longe de mim e aí, eu não procuro. Nem ao menos insisto.
Aprendi que o silêncio é arma para qualquer briga, ou para qualquer declaração. E assim, estou nessa lei. Pouco falo, pouco penso, ando escrevendo, criando e querendo ser de verdade.  E pude acreditar que tudo tem uma segunda chance, mas só resta acreditar se essa foi ou não a melhor escolha de sua vida.
Escrevo para tentar entender, não escrevo para que todos se comovam com alguma dor minha que possa surgir. Escrevo porque sempre me deixou muito mais do que aliviada. Escrever me faz renascer, crescer e viver com outras formas, em outras pessoas, em outras vidas.
Não mudei porque o mundo quis, mudei porque precisava cortar qualquer laço bonito que existia e assim, seria mais um fim para qualquer lembrança aventureira que poderia renascer de novo, e milhares de vezes, como sempre aconteceu.
Só cansei dessa gente que ri quando falo da vida, cansei dessa gente que me olha torto ou me dá um sorriso de dó por gostar tanto dessa vida que escolhi. Sinto muito. Mas sou assim. Com dramas (milhares de dramas), faltas e abraços.
Não sou má, não é isso, as palavras saem até confusas quando falo sobre o que eu sinto, sem dramas, ou sem qualquer receio. Eu sou dessas, vou te amar quando é necessário, e vou querer o seu bem, mas se não me dá o valor e não vê que sempre estou ao seu lado, não fico, eu vou.
Gosto tanto de ficar de olhos fechados ultimamente, não sei o que acontece. Mas parece que ficar assim é tão bom, me trás uma paz, me trás algo que não sei nem ao menos o nome, é daquelas sensações que são indescritíveis, entende?
A solidão não é vísivel, muito menos o podre. Estou voltando, estou indo sem ao menos perguntar se realmente posso. Andei me preocupando com o mundo e acabei me esquecendo dentro desse mundo. Mas quer a verdade? Não me arrependo.
Tudo parece que está melhor. Mas do nada me vem aquela palavrinha mágica. E SE. E SE... Não, sei de nada, essa é a verdade. Penso que você já esqueceu e eu também, penso que estou sofrendo, mas no fundo, sei que não estou. É apenas uma fase que está passando, mas não perdi a essência.
Tenho um pouco de medo de mudanças, mas tenho medo ser a mesma para sempre, e cá entre nós, todos sabem que aquele clichê de para sempre/infinito/eternidade não existe. Quero ficar quietinha, de olhos fechados. Não quero lembrar do mal, nem ao menos do passado.
Dentro de mim existe algo que sempre me pede para não desistir, para que acredite no que sempre coloquei fé. Dentro de mim, ou não tão dentro assim, guarde tantas coisas, e o seu rosto é uma dessas coisas. Não tem importância, nem nada assim, mas brilhou e existiu, sem receios, com audácia e infelizmente (ou não tão infelizmente assim) com saudades. 
Não crie planos, deixe o amanhã existir naturalmente, sem falhas, sem enganos e sem desespero. Deixe que o dia de amanhã aconteça. Não evite, se evitar o sofrimento será horrível, e assim, sabe aquela história de crias expectativas? Então, é disso que falo.
Acredite sim que o amanhã será a nova chance, mas não faça planos em cima de pessoas que jamais vão conseguir levar o seu grande sonho para frente. Não se esqueça que existem pessoas pequenas demais para sonhar e para amar. E eu não sou assim, gosto de pessoas grandes, que enfrentam,  choram, e que amam de verdade.
Faça de seus dias velhos, novos.

23 de fev de 2011

Quando fala o coração


Em uma noite, pude ouvir o meu coração, pois é, ele dizia coisas simples, mas ao mesmo tempo tão complexo que mal poderia acreditar. Pois é, meu coração fala, e o seu?

“Sou o seu coração, te acompanho e vibro com suas vitórias, choro dores distantes e algumas insuperáveis. Sou eu que sei tudo sobre você, e leia umas pequenas verdades.

O dia está renascendo para que novas chances aconteçam, novos sonhos desabrochem e novas vidas se revigoram. O dia está amanhecendo aos poucos para que a luz exterior não se choque com a escuridão que reina dentro de cada um de nós. O dia está passando, a vida está correndo sem esperar ninguém. E quem se importa?

Não tem essa desculpa de só porque estou triste que vou irei perder a fé . Engano seu mocinha, só por você está triste aí sim terás que acreditar profundamente que o dia de amanhã será sempre melhor, e que dará o melhor de si para que tudo isso aconteça.

Drama faz parte sim, mas olhe para mim, e você sabe como ninguém outra o quanto doeu e você sabe o quanto sangrou , o quanto reclamou por essas dores que te fizeram acreditar em eternidade, mas no fundo, eu sei que você sabe, é apenas um momento.

Você sabe que um dia irá aprender a conviver com essa dor, é isso que você tem mais medo não é? Prometo me controlar e prometo dizer a sua razão que tudo deverá ser uma união de entre razões e sentimentos.

Mas você também te cooperar, pense que nem sempre será amor, e que estou cansando de bater em vão.  Estou cansando mas não desisto porque sei que quem vence no final é o sentimento, e eu sei que você acredita nele mesmo negando o tempo todo.

Você sabe tão bem quanto eu que nessa vida tudo é passageira, vem, limpe essa lágrima, coloque um sorriso no rosto, e comece a gostar do que você vê. Comece a admirar a paisagem, venha, não chore, vai passar, prometo. Venha, acompanhe a batida. TumTumTumTum.

Calma, não entregue os pontos, o jogo não começou e não está perto de terminar. Calma, sorrie, isso, respire fundo. Creia, viva, vamos, alimente a verdade e fuja um pouco da realidade que te atormenta, esqueça hoje um pouco. Esqueça das dores, viva o hoje, esqueça do amanhã.

Não é anulando a minha presença que você sentirá melhor. Assuma, você é apaixonada e dramática. Assuma seus medos e venha, acompanhe o batimento, acompanhe o meu ritmo, prometo que não serei cruel.

No fim, você não desiste porque acredita, e eu sei que eu você o ama, ama desesperadamente, mas se acalme, tudo está escrito e se for realmente o melhor para vocês, logo o nosso amigo tempo o trará de volta ou te levará para perto dele, sem nenhum pudor.”

 
Engraçado não é? Tem dias que o coração resolve simplesmente dizer pela gente.

22 de fev de 2011

A personagem



Ando sentindo sua falta mais do que qualquer coisa, ando querendo dormir, dormir e dormir; Ando querendo desacreditar da fé que sempre tive e ando querendo sair por aí, sem se importar com mais nada, como se a vida fosse um eterno ciclo vicioso que nunca irá parar.
Sinto falta de quem eu era. Sempre queria ser legal, completa, e culta demais para poder impressionar aquele menino. Não me preocupava com mais nada. Passei a ler mais livros do que o comum, conheci novas músicas e fiz meninos sofrerem, para poder mostrar a quão perigosa era em sentidos de relacionamentos.
Quis mostrar para Deus e o mundo o quanto era bem resolvida, na verdade, era só apenas uma farsa que inventei, para que ele pudesse ver que realmente seria a mulher (ou menina) que abalaria a vida dele para todo o sempre, se é que existe isso mesmo, essa ideologia criada para ter a ilusão que um dia tudo ficará realmente.
 Quantos casos de amor você conheceu, tinha tudo para dar certo e acabou terminando brigados, indiferentes e perdidos?  Pensou? São muitos, não são? É disso que tenho medo. Essa ilusão criada de tudo ficará bem no final não me engana muito, e tenho medo, muito medo. E conhece aquelas músicas que sempre falam que tudo será recompensado? Então, não acredito.
Não, não é falta de fé, é apenas a realidade que está ao meu redor, e tomou conta de absolutamente tudo, tudo mesmo. A realidade acabou com a minha farsa e com a minha brincadeirinha tão inocente mais uma vez. A vida me chama lá fora, e eu não quero ir, pelo simples fato que aqui dentro é mais acomodado.
Ninguém imagina, mas tenho mais vidas do que pensava. Creio que sou uma vida para cada pessoa que me lê. Ora me imaginam como bem resolvida, ora me imaginam uma dramática e até mesmo uma suicida em potencial. Tenho tantas personalidades e máscaras sim, não é por mal, também, não as uso para prejudicar ninguém. Me reinvento em cada situação, crio escapatórias, crio contos, crio personagens. 
Peço que tome cuidado com suas palavras ditas se referindo diretamente a mim. Peço isso porque naturalmente sou frágil, essa é a verdade, e qualquer palavra mal dita que fora mal pensada me magoará.
E vejo que tem dores tão piores e mais intensas do que a minha.  Não é dor que eu sinto, talvez seja um misto de sentimentos que me invadem e fico perdida. Já sou tantas em uma que não sei nem ao menos quem sou de verdade, perdi minha verdadeira personalidade quando resolvia me moldar para que ele, o garoto, o menino, o homem que tanto gostei (e gosto) pudesse me ver de forma diferente, pudesse crer que realmente nada mais seria preciso.
Tudo é questão de se acostumar, aos poucos a dor que inflamava meu peito me faz companhia.  A solidão que me torturava hoje me faz crer que tudo que é de verdade, por mais longe que esteja, é simplesmente isso, é simplesmente de verdade.   Nada mais me afeta porque não há mais nada para ser afetado.  Não crio mais expectativa, porque já criei tantas e me deparei com o vazio absoluto.
Quis ser tudo para ele, já que ele foi tudo para mim. Mas não chegou a ser como naqueles poemas ou até mesmo aqueles textos que diziam “o ar que respiro” ou coisa parecida. Ele chegou a ser o que me faltava.
Ele me fez sentir tão viva e tão completa.  Ele me trouxe a sanidade que me faltava, não que era louca, mas vocês sabem... Ele me trouxe de volta a vida, mas depois que se foi eu quis voltar para aonde não deveria ter saído nunca. Quis voltar a ser minúscula aos olhos de todo mundo, quis sumir, quis voltar, mas no fundo, queria mesmo era ficar e conquistar o espaço que tanto desejei e que perdi.
Fui tantas e acabei não sendo nenhuma para ele. Fui tantas em uma só. Fui uma só em tantas que vagaram e sonharam. Pude falar para aquelas que não tiveram voz. Falaram muitas vezes por mim quando não havia coragem. Fui o que ele sempre quis, mas talvez, ele foi o idiota bastante para não perceber e tomara que ele não perceba tarde demais.
Fui o que todos queriam que eu fosse; a quieta, a falante, a apaixonada e a desiludida, mas agora vou ser o que quero, e posso assumir minha dor que hoje sinto. Hoje estou desiludida e com dor só de pensar em viver, amanhã já não sei, amanhã se for preciso, novamente irei me reinventar sem desculpas, e sem perdão. Vou ser o que quero, e por isso, hoje te quero muito, muito bem. E é uma pena que hoje, eu não acredite em sonhos, porque seria capaz de lutar por você, somente hoje, até o fim.

21 de fev de 2011

A falta.



Falta - s.f. Deficiência, privação:
 

Falta não é? Cinco letras. Três consoantes, duas vogais e um significado extenso. Um significado que vai muito além de qualquer dicinonário. O significado da falta vem de dentro, não há palavras certas para classficar. Não há palavras certas a quão essa palavra exerce na vida das pessoas.
Eu sinto falta de algo. Não é exatamente algo, mas acho que é de alguém. Olho para o lado procurando, tentando encontrar algo, mas não consigo e aí eu lembro que o que sempre procurava e encontrava está longe de mim, está muito mais do longe do que todos imaginam.  Sinto falta de viver, de quando realmente acreditava que o novo dia existiria bem melhor, de quando eu era apenas uma criança, ou até mesmo quando eu havia fé.
Sinto falta de ir parando em cada olhar com a esperança que você pudesse aparecer no meio deles. Sinto falta de querer conquistar algo. Sinto, respiro, vivo de ausência.
Saudade talvez do passado que existia sem pressa, saudade de uns amigos, de uns familiares, de uns amores largados, e outros que sempre, relembre disso, sempre voltam. Não faço nada para provocá-los, mas de vez em quando esses amores ressurgem das cinzas e me deixam com duvida. Será que se eu parasse de complicar o simples tudo seria diferente?
Ainda continuo procurando algo, e infelizmente esse algo tem nome, sobrenome, CPF e endereço. Esse algo que jamais gostou de mim, ou se gostou, sempre deixou isso tão bem escondido. Porque afinal, não foi apenas o meu jeito que iria estragar a nossa quase-relação. Me dei liberdade de chamar de quase-relação porque sei que a nossa relação jamais foi completa, jamais fora inteira. Acho que é disso que sinto falta. Eu sabia que aquilo estava presente e por isso, me acomodei.
As poucas e as únicas vezes que você disse que me adorava jamais esqueci. As poucas vezes que você me viu como uma menina como todas as outras sempre me lembrarei, não com raiva, nem nada parecido. Mas quando todas queriam ser diferente, eu queria e quero ser igual.
Agora que se foi, sinto vazio um grande nó na garganta que não me deixa respirar. Esse nó é muito além de vazio, esse nó na minha garganta é a junção de todas as dores, amores, e relações que abandonei por medo.
Estou fazendo de conta que sou isso, que sou forte, briguenta, e que jogo a favor daqueles que não acreditam no amor. Mas é blefe, eu acredito muito no amor, não sou nada frágil, e mesmo assim, ainda continuo briguenta, porque é apenas meu jeito.
Vou me moldado sem medo algum, vou tentando ser o que nunca tentei, vou sendo o que querem que eu seja. Mas, eu estou seguindo em frente porque agora é uma única chance de poder te encontrar, e todos sabem que se pudesse, controlaria o tempo. No começo sim, me fez de desligada para que você não notasse o quão de amor que eu sou. Sou quase um projeto de amor, e isso me suga. Mas, também, sinto falta disso.
 Eu sinto falta de tanta, tanta coisa que jamais iriam caber tudo aqui. Meu coração é podre, meus sonhos são inacabados, e tenho uma alma escura. Não sei ser como todas as outras meninas que possuem minha idade ou que até mesmo acreditam (vam) no amor. Não sei, e queria aprender. É tanto NÃO que digo, é tanto NÃO que penso e escrevo que acabo virando um.
É saudade sim, saudade tudo que chegou a ser e que se desfez. Saudade de não sei o que, saudade disso e daquilo. Saudade que mal cabe dentro de mim, quem dirá nesses textos tão mais poéticos do que a minha própria existência. É tanta falta, é tanta vontade de desabar, que é impossível descrever.
É exatamente isso, encontrei a palavra certa. Desabamento. Eu preciso desabar, preciso chorar até secar tudo, preciso aliviar. Preciso tirar esse nó que tanto me sufoca, que tanto me impede de respirar livremente.
Mal consigo respirar por tantas cargas que carrego, mal consigo existir pelas minhas ausências. Mal consigo pensar e escrever esse texto. Mal consigo fazer alguma coisa sem ser pensar no quanto medo do futuro eu tenho.
Saudade das minhas complicações teatrais que pouco a pouco passaram a ser tão verdadeiras. Saudades do meu sorriso involuntário quando seu nome era falado. Agora, ninguém mais se lembra dessa existência. Engraçado, comentaram comigo que já não falava seu nome há tempos, aí me veio na cabeça às seguintes frases: Você já leu o meu blog por um acaso? Você consegue ler pensamentos? Você sabe quantas noites fiquei em claro?
Não, não quero jogar em sua cara tudo que aconteceu ou deixou de acontecer. Mas às vezes me pergunto por que não posso ser apenas uma menina como todas as outras meninas.
Já não tenho tanto medo, mas tenho algo que impede. E com o tempo, essa intensidade de tudo vai se acabando, vai se acalmando, vai virando lembrança e vai virando passado. Aos poucos a falta vira presença, e nenhum de nós saberemos o motivo. 

20 de fev de 2011

Tão tarde



É tão tarde. É tão tarde para reclamar, chorar, descabelar. É tão tarde para se culpar e culpar o mundo. É tão tarde para tentar entender o fim, o começo e os intermináveis meios. É tão tarde para poder dizer isso, mas antes que tarde do que nunca, não é assim que os mais velhos dizem?
Sempre falam para dar um tempo de inventar novas coisas para poder sair da cama, mas ninguém sabe o quão difícil é para mim se levantar. Sempre dizem para crer novamente no amor, mas, que culpa eu tenho se o mundo cada dia que passa me dá a impressão que não vale à pena acreditar nesse sentimento? Ninguém consegue medir o esforço que faço para fingir que está tudo bem, ninguém consegue medir a força que coloco para sorrir verdadeiramente, ninguém sabe o quanto me esforcei para que todos pudessem acreditar nas supostas mudanças. Ninguém sabe como sua ausência dói em mim.
Nunca gostei de bancar a coitadinha, nunca gostei de deixar tudo nas mãos dos outros para que mais tarde eles pudessem resolver por mim, nunca gostei que sentissem pena de mim, nunca goste de nada comum, de nada que não fosse involuntário. Jamais irei gostar de uma frase pronta.
É tão tarde que mal consigo ver a lua e suas estrelas lá fora. É tão tarde que não consigo mais sentir a mesma coisa que antes. É tão tarde e ao mesmo tempo é tão cedo para pensar em outras coisas e outros caminhos que deverão ser atravessados.
É ilusão, mas é tão doce que quero novamente, quero ficar provando dessa magia que encontrei para te manter vivo até me enjoar.
Está tudo mudando, absolutamente tudo. Já não sou a mesma como antes, e também, não faço esforço para voltar a ser. Estou mudando o foco, estou indo, sem remorso ou sem alguma lista de pecados que já cometi para que futuramente fosse uma boa maneira de me culpar. Sou dona de achar erros que foram cometidos há tanto tempo, sou dessas que vai encher o saco e te culpará por um longo tempo apenas pelo fato que você jamais conseguiu corresponder todo amor que cheguei sentir um dia.
 Nunca mais te vi, é verdade. Nunca mais te toquei, e nunca, nunca mais escutei seu sotaque e também, nunca mais senti culpada por criar esse blog e retratar a minha dor que já não é tão inteira assim. Não há o porquê de se culpar, meu bem. Não há motivo algum para chorar de algo que está apodrecido há tanto tempo. Não há mais o que iludir, não há mais o que pensar, não há mais motivo algum para poder criar um conto de fadas, sendo que no final tudo vira farsa mesmo e não me importo.
A lentidão e o barulho lá fora só conseguem me incomodar mais. A lentidão... A lerdeza... chame do que você quiser, mas odeio tanto esperar. Odeio tanto depender apenas de sua volta para poder ser completa. Que horror! Estou virando uma garota dos anos cinqüenta que vive em torno do homem que sempre amou.
Preciso aprender a ser bem resolvida, evoluída e perdoada. Claro, preciso me perdoar, preciso recomeçar, e não é por falta de esforços. Tento toda noite me perdoar e virar alguém que nunca tentei ser, tento sorrir, tento ser simpática, mas no fim, só consigo ser arrogante e muito, muito grossa. Claro que tenho medo, e quem não tem medo dessa vida? Se tenho medo do amor? Tive um dia, hoje sou eu que passo medo. Hoje, sou eu que levo fama de descrente e até medo de louca.
Tenho é pena. Pena porque o que eu sinto é puro, é lindo, mas está acabando. Pena porque sei que ninguém jamais sentirá isso por você, pelo simples fato que você afasta todo mundo, e sempre achei que somos tão parecidos nessa característica. Mania de afastar.
Já não me sinto mal por algum plano saiu errado, já não tem o porquê de sofrer. Construir novos sonhos, por quê? Eu sei o final e não me quero iludir.
Não sou tão bem resolvida assim e você sabe. Não sou tão indiferente e infelizmente, disso você também sabe. Por mais que queira ser moderninha, independente, fria. No fundo quero é proteção, lá no fundo quero me sentir como uma criança que tem seus pais sempre por perto dizendo descontroladamente que tudo irá passar, e que espera que seus pais dêem um beijinho em seu machucado, porque aí sim, terá a certeza que toda essa dor irá passar o mais rápido possível.  Mas aí, infelizmente me lembro que tenho dezessete anos e que não sou mais criança. Aí eu me lembro da simplicidade e a ingenuidade que uma criança vê a vida, e sinto um pouco de inveja, pelo simples fato que não me lembro mais como é ser ingênua. E me lembro que já não sei mais como é ter a simplicidade como uma das grandes características, eu que sempre gostei de complicar.
Se é tarde? Depende do seu ponto de referência. É tão tarde para odiar esse amor que cresceu, é tão tarde para poder esquecer, é tão tarde para pensar em uma vingança, mas não será tarde para você voltar. Não é tão tarde assim... Não é tarde para reconquistar o seu lugar. Não é tão tarde assim para você poder me reconquistar.
Mas então por que sinto que só fica cada vez mais tarde demais? Por quê? Hein? Vai ver que o vento e o tempo estão tentando me ajudar, estão curando minhas dores e agonia. O tempo está passando mais rápido que o normal, e assim, o presente está virando passado cada vez mais rápido, sem a mínima intenção de futuramente ser lembrado.

19 de fev de 2011

Coisas da vida?




 Queria que a vida resolvesse suas tramas complicas e os meus caos internos. Porque por fora, estou ótima, inteira, nem um fio de cabelo fora do lugar, e ainda bem que ninguém consegue me ver por dentro. Por dentro estou em migalhas, por dentro é tanto drama e melancolia que nem mesmo eu consigo controlar. Por dentro, não sei definir o que sinto, mas por fora, sei exatamente como estou.
 Por fora, sou uma farsa, sei sorrir sem vontade, sei falar o que querem ouvir, mas jamais aprendi a escutar, e isso sempre foi tão corrosivo para mim. Sempre quiser ser a última a falar e sempre quis ter razão. E isso sempre acabou comigo.
Sempre pensei que assim conseguiria ter certeza que o mundo seria conforme a minha vontade, só que mais uma vez, descubro que nada nessa vida é como a gente quer. Tudo é conforme está escrito em algum lugar que Deus sabe onde. Sempre pensei que se eu usasse as pessoas faria com que elas entendessem realmente como sofri um dia. Mas engano meu, isso só fez com que com uma fama nada agradável, e ainda mais, fez com que pudesse me culpar dia após dia.
Não vale a pena lutar por algo que está acabado, não vale a pena lutar por algo que não quer ser conquistado por mim, não vale a pena sofrer por quem construiu uma vida inteira depois que abandonei. Mas quem disse que quero aceitar isso? Não aceito e não me contento. Eu quero muito, eu quero como nunca quis antes, estou lutando como nunca lutei antes e que jamais lutaria por outra pessoa. É exatamente isso, depositei em você toda a minha fé e todo o restinho de esperança que havia em mim.
São coisas da vida que não fazem sentido algum. Não há sentido, é masoquismo, é como se assinasse o seu próprio contrato de morte.  E escuto a Rita Lee cantando que “Ah, São coisas da vida”  Mas quem disse que aceito? Quem falou por aí que quero me contentar com essa mediocridade que a vida tem me dado?
Queria ser inteira, mas não consigo. Não julgo dor, não julgo muito menos amor. Cada um sabe o que realmente sente e por isso não me permito que julguem tudo que senti um dia. Foi loucura? Talvez. Foi amor? Certamente. Mas não permito que me julguem e que julguem os outros.  Cada um sabe o seu fardo. Cada um sabe seus erros e seus acertos.
Só quero que você entenda que tudo era grandioso demais para se jogar fora, e por isso, não abandonei como deveria. Só queria que você soubesse que aos poucos vou desconectando os nossos fios que sempre nos ligaram tanto. Só queria que você soubesse que estou renascendo em outro lugar, em outro espaço, e em outros corações.
Não queria ser conhecida como intocável, do contra ou algo parecido. Só quero que me vejam, além disso, só desejei e muito que você pudesse me ver como jamais ninguém havia me visto antes. Só queria que tudo fosse diferente, só queria que você acreditasse e pudesse entender que jamais quis te afetar e te magoar. Não é que eu virei fria ou distante, o problema que o mundo não me agrada mais. E aí, eu choro. Choro porque tudo acaba, choro porque estou ficando dramática e enjoativa demais. Choro porque ainda acho essa vida cruel e injusta demais, choro porque não quero ser forte. Choro porque não quero dar a volta por cima.  Choro porque tenho que chorar. Choro porque eu quero chorar para poder aliviar todos os meus medos e dramas.
Abandonar sempre foi tão difícil. Deixar algo que se quis tanto e que hoje não tem tanto valor assim é tão complicado. Me dá uma vontade de te dizer que você é apenas um menino que aos poucos está me perdendo sem nenhum medo, sem nenhum receio das conseqüências. Você largou tudo para acompanhar outros sonhos e outras pessoas, e eu simplesmente fiquei. Fiquei sim, fiquei com medo, com agonia, com um nó na garganta insuportável.
Não é medo, não é tristeza. Mas acho injusto. Acho essa vida bastante injusta. Pessoas vão, pessoas ficam, pessoas voltam, pessoas morrem, e acabou. É injusto batalhar por algo que não tem retorno, é injusto abandonar algo que sempre quis tanto.
Não é receio de acreditar de novo no amor, não é receio de ficar. O grande medo é de partir, e partir para sempre. Que mania chata a minha de dramatizar tudo.  O amor por si só já é um drama.
Se são coisas da vida, não sei. Se são coisas do amor, piorou. De amor não entendo, só consigo entender de mágoa e de solidão que fazem parte do meu cotidiano, e disso não tenho mais receio.   E com o mesmo refrão cantando.  que “Ah, São coisas da vida/ Ah, E a gente se olha e não sabe se vai ou se fica”  E só não queria ficar, mas também não queria ir.
Sempre quis tanto, sempre desejei tanto, entendi tanto, interpretei tanto. E são apenas coisas da vida que por pior que ela seja, no fundo, temos que concordar. Não se manda na vida, não se muda algo que está escrito.  Infelizmente? Talvez. Felizmente? Pode ser.
Mas sabe, vou te contar um segredo. Talvez, lá na frente, tudo muda, e de novo você estará do meu lado novamente. E se não estiver, só quero que se lembre de mim, seja como for. São coisas da vida, meu amor (ou melhor). São coisas da vida, meu amor que mudou e virou um quase não amor. Melhorou? Eu sei que sou louca, e disso não fujo. Eu sei que sou fraca por esse escrever esse texto, mas isso é tão puro que prefiro repassar isso quantas vezes for necessário.

Layout: Bia Rodrigues | Tecnologia do Blogger | All Rights Reserved ©