4 de nov de 2011

365 dias sem ele



Hoje é o dia em que o conto de fadas para sempre acaba. Está na hora de voltar a viver e reaprender o que é isso. Vai demorar um pouco para que possa estar novamente de volta aquilo que nunca quis voltar. Se eu pudesse, não terminaria hoje, nem nunca. Mas não pode ser assim. Daí eu descubro que nem toda princesa tem um príncipe de reserva e nem toda vadia tem um fim trágico. Tudo isso se torna muito injusto mas é preciso aceitar. É preciso aceitar para que depois possa partir realmente. E é tão difícil. Está tão difícil escrever o fim que nunca desejei. Mas você não estava lá mais quando precisei. Você não estava mais lá quando entreguei os pontos ou quando ressurgi querendo fazer todos felizes. Você não estava lá quando fiquei bêbada e contei a nossa história, e não estava lá quando mais bêbada ainda, deixe-me ser usada pelo desconhecido que resolveu aproveitar. Você nunca mais esteve aqui, e nunca mais vai estar, porque finalmente esse é o nosso fim.  Não estava comigo quando quis para sempre me entregar em outras coisas estranhas. Você não estava lá quando sem querer descobri coisas do meu passado. Não estava mais lá e nem pediu para ficar para sempre ao seu lado. Tudo isso se torna triste demais se for parar para pensar. Você não estava lá quando consegui finalmente cozinhar. Não estava comigo quando contavam piadinhas sem graças, e nem quando fazia greve de fome por neurose. Simplesmente você se abandonou e me abandonou.
Você foi duro, retardado e idiota comigo. Foi mais um cara escroto que se eu tiver um filho, um dia, vou ensinar a nunca ser igual. E eu só consigo pensar no quanto me dói e o quanto me vejo tão como antes: Tão fraca e tão sozinha.  Volto ao passado ( não tão antigamente assim) mas só consigo ver aquela mesma menina sentada na beirada de sua cama tentando achar alguma explicação. Mas vejam, passaram doze meses e eu não encontrei nenhuma resposta para nada. Nem para mim, nem para o fim. Corri muitas vezes em círculos a procura de você, de mim, do nosso destino que brincava e esconde-esconde, mas a única coisa que conseguia encontrar era tudo o que não gostaria de ver e nem de ouvir. Eu corria em círculos atrás de você e ele corria em linha reta. E ficava cada vez mais bonito, prepotente e estúpido. E por incrível que pareça, sinto dó dele. Dó porque eu sei que ele não passa de um menino mimado e carente. Quando elas se cansarem de vez, não vou mais estar aqui. E sei que não voltarei, porque não quero mais me massacrar assim. Não quero correr mais em círculos. E sei que quando seguir em linha reta ficarei tonta, enojada mas logo me acostumarei. Porque na vida tudo se acostuma. Com a falta ou com a presença da pessoa. Corri até te perder de vista. Não porque eu escolhi, mas sim porque cansei de tentar seguir e percorrer o mesmo caminho. De qualquer forma precisava conhecer outras estradas, precisava seguir a famosa intuição que tanto apitava dentro do meu peito, precisava parar de uma vez por todas de ser tão burra e tão apaixonada. E aí, me tornei isso o que todo mundo vê. Ser o que não era foi mais fácil. Foi um método de fuga e de apoio que encontrei para não enlouquecer de vez.
Fui descolada. Bebi demais, fiz merda demais. Perdi as contas de quantas vezes fiquei de porre e posso até perdido a noção de quantas vezes fui fácil e descolada demais para os outros. Porque os outros não eram você e eu pouco me importava. Os outros não iriam voltar, porque eu nem sabia o nome deles. Os outros são apenas os outros que pouco sei o nome ou a idade. E eu me sentia cada vez mais vazia mas ao mesmo tempo viva. Sentia que tudo aquilo que passava estava ao meu controle e que finalmente o nosso fim havia chegado sem ao menos me preparar ou dramatizar por ele. Mas engano meu. Sozinha, depois de muito tempo e depois de sossegar, só consigo pensar que fui cruel. Cruel com aqueles que se enfiavam em minha frente e cruel comigo. Esqueci dos meus valores e daquilo que sempre acreditei. Odiava ser de todos e não ser de ninguém no final das contas, odiava aquela sensação de ser usada, e meses depois, estava me permitindo ser usada e ser de todos. Me perdi de tudo aquilo que confiava e seguia.
Minha vida sem ele se tornou um caos mas ao mesmo tempo precisei organizar tudo aquilo que sempre negava. Era muita choradeira acumulada, muito motivo para querer desistir de tudo, e muita falta de força de vontade. Minha vida se tornou um grande drama quando tive que despedir de tudo e aos poucos fui me estabilizando. Não de maneira certa, mas fui voltando ou tentando ser aquilo que era mas que não me lembrava. Muita carência em forma de textos e muito drama em cima de doses. Mas eu sinto falta. Sinto falta daquele jeito que você era comigo e como era com o mundo. Era tudo tão lindo e idiota que de qualquer forma, voltava a acreditar em lendas. Tudo era bonito mas era uma pena que havia data para acabar, e seria dia quatro de novembro de dois mil e dez. E hoje eu estou aqui, podendo contar a vocês tudo o que me aconteceu nesse ano cheio de altos e baixos, de bebidas e ressacas, de amores sem devoluções. Ele talvez irá ler e sorrir ou pode até mesmo reparar que já se passou tanto tempo. Me deparei com a verdade diversas vezes no escuro e eu não sabia o que iria fazer da minha vida.
O mundo é cheio de voltas e não digo que talvez não posso encontrá-lo perdido por aí. Talvez, no futuro, possamos ser o que eu queria para nós. Talvez, sentaremos em um bar e daríamos risadas disso, ou quem sabe, contaríamos nossa história para nossos filhos. Mas talvez nada disso irá acontecer. Talvez esse realmente seja o ponto final que neguei a colocar em todos meus textos. O mesmo ponto final que inúmeras vezes jurei que iria colocar mas com medo e aflita, neguei. Neguei porque era mais fácil prolongar uma história que na verdade, não era mais história alguma. E você sabe tão bem quando eu. Você sabe que nunca mais vai me ligar porque não tem o meu novo número, e sabe que decididamente resolvi te tirar de vez da minha vida. 
Lembrei de todos os meninos que souberam dessa história de escrever durante um ano. O meu ex namorado foi contra, o meu ex ficante também e resolveu ir embora, e eu não fiz nenhum esforço para ir atrás. Escrever causa certo medo. Estraguei meus relacionamentos por escrever para alguém que havia ido embora sem ao menos se despedir, sem ao menos dizer pela última vez que como desejava me abraçar. Estraguei meus relacionamentos por medo de me envolver e te deixar. Mas com o tempo isso não foi o suficiente.
Te amar nunca foi o suficiente. E eu esperava que no meio de tantos meses, a sua chegada acontecesse. Mas não foi nada disso. Você não voltou e eu prometo não mais chorar por isso. Prometo que tentarei observar de um outro ângulo. Prometo que tentarei dar risada disso, um dia. Prometo também que não me humilharei mais por um menino, jamais. E nem deixarei me perder. O fim é esse. Um ano se foi. 365 dias acabaram de se completar. E só espero que no futuro, se lembre sempre do que te disse. Não quero que fique triste. Quero que seja feliz, de verdade. E lute por aquilo que sonhou. Essa é a hora. Essa é a hora de me despedir.
Chegou a hora de dizer adeus. Chegou a hora de voltar para casa e lutar por aquilo que sonho desde menina.   Chegou a hora de se recompor e tentar ser feliz com ou sem ele. Uma das coisas que aprendi é que a minha felicidade só depende somente de mim, e não dele, nem da minha mãe, nem da paz mundial. 
Esse é o fim. 365 dias sem ele completos. Inúmeras vezes tentei aproximação mas foi em vão. Não adiantou. Ele não voltou e não vai voltar. E acredite, é melhor assim. Esse é o fim. Nunca saberei se estou realmente pronta para me despedir, já que sempre é tão difícil despedir de algo que acabou fazendo parte da sua história. Eu vou e não volto, nunca mais.


1 de nov de 2011

Eu sou ridícula



Eu sou ridícula. Passo a metade do dia querendo provar para o mundo e para todas as minhas redes sociais que estou bem, e passo a outra metade querendo provar para mim mesma o quanto sou ridícula, sozinha e solitária. Usei diversas máscaras que perdi já qual é a minha preferida. Passo os dias me adequando conforme as situações. Na hora do perigo, eu viro outra. E na hora de ser feliz e louca, viro a que todos já estão cansados de ver. Na academia eu sou uma. Não olho para os lados, sou centrada e seca. Não quero que ninguém gostosão ache que estou dando em cima. Na escola, eu tento ser a descolada mas ainda assim chata, insuportável. E aqui, eu posso ser do jeito que quero. E me sinto incrivelmente ridícula. Passo a metade do meu mês criando planos, e a outra metade faço questão de destruir tudo. Falo em voz alta: Esse não vai dar certo, não sei porque fiz esse, não quero mais aquele, esse é ridículo. E quando dou por mim, estou zerada. Talvez zerada não fosse tão a palavra correta. Mas ainda assim, me sinto ridícula.
 Vejo as minhas antigas amigas e todas elas estão lindas, mal me olham, mal conversam comigo. Por escolha ou destino, nós não somos mais amigas. E eu sinto falta delas, juro que sinto. E eu queria que elas fossem minhas madrinhas de casamento – Mesmo sabendo que eu nunca vou me casar- Eu queria que elas se tornassem as madrinhas dos meus bebês, ou dos meus animais, tanto faz. Sinto falta dos meus amigos de infância, e daquele meu amigo que era meu vizinho e que acabou falecendo. Será que ele para ser o meu amor eterno? Talvez seria com ele que eu fosse me casar, ou dar uns amassos. Mas não, o destino me boicotou e levou tudo. Não tenho mais amigas de infância e nem o meu amigo que poderia ser o cara que iria me conquistar ou me odiar inteiramente. E eu me sinto mais ridícula porque não tenho plano algum. Vou para academia, faço meus exercícios e a mesma cara de ridícula. Quando me falam um oi em sussurros, respondo em sussurros. Não me importo. Só sinto dó de meninas que conseguem se tornar mais ridículas do que eu. Meus ex namorados me odeiam. Ou então, perdem os precisos tempos que os restam com as novas namoradas lendo os meus textos. E inúmeras vezes, deparei com os comentários deles perdidos por aqui. Alguns falavam que me amavam, outros me zoavam eternamente com a escolha que eu fiz. Precisava desabafar e esquecer um amor que chega até ser deprimente. Então, que venha os 365 dias sem ele.
Tento criar amores para me acalmar. Consigo isso sem criar muita expectativa. Mas logo esqueço. Eu só queria que um amorzinho qualquer sossegasse dentro de mim. E eu me sinto tão burra, tão passageira, tão estranha por ser dona de todos e mesmo assim, todos não me pertencem realmente. Me sinto muito ridícula. Eu sou tão ridícula que tento chorar mas ao mesmo tempo tenho essa necessidade de sair por aí provando que estou bem. Mas eu não quero mais provar que estou bem para que os outros vejam. Quero chorar muito quando o fim chegar. Quero sentir que não tenho mais forças para chorar. Mas na verdade, perdi toda a vontade de sofrer.
E eu fujo do amor. De verdade. Corro como se fosse uma gazela saltitante para longe de tudo que possa me deixar suspirando. Então, sempre estou pronta para ir e nunca para ficar. E eu me sinto muito mais ridícula quando vejo que estou fazendo planos em cima de uma noite qualquer ou de uma conversa fofa que me deixou balançadinha e suspirando durante dias. Continuo nessa de dramatizar já que minha vida é incrivelmente chata. E ele, o que me deixou, deve gargalhar por conta disso. E eu só queria que ele soubesse que nunca mais vou querer que ele apareça. Necessito que ele suma para que nunca mais volte. Nunca mais. Não quero a notificação dele em alguma rede social e nem me deparar com as meninas bregas dele. Elas são bregas demais, e eu precisava dizer isso. Precisava porque tenho o orgulho ferido realmente. E eu não estou nem aí mais para nada. Nem para o sofrimento, nem para mim.
Por mais que eu tenha escrito milhares de vezes que não tenho medo da solidão, chegou a hora de falar a verdade. Eu morro de medo de ser sozinha. Morro de medo de perder a minha mãe e ser sozinha para sempre. Eu morro de medo de enfrentar o mundo, sozinha. E eu sou tão sozinha. E eu não gosto. Eu morro de medo de espantar a minha felicidade, mesmo sabendo que isso já acontece. Porque faço questão de ser cruel só para aqueles que se apaixonam milagrosamente por mim, desapaixonarem. Não quero que me amem. Não é por mal, só não quero que as coisas ficam mais complexas do que já são. O drama é meu, e o podre também.
Mas sou tão ridícula, tão menina, tão ingênua que chego a me surpreender. Não era para continuar assim. Esses amores só ficam para que eu possa escrever. E eu sinto tão bem às vezes. Sinto tão indiferente com o mundo, e eu não quero assim. Queria ter um namoradinho, de vez em quando. Queria que alguém perdido por aí, finalmente aparecesse. Alguém como eu sempre escolhi e planejei. E não os outros. Eu não gosto dos outros. Eles são chatos e querem abusar da minha boa vontade quando bebo demais. Só queria que algo na minha vida desse certo e que ninguém mais fosse embora. Porque me cansa tanto. Me sinto tão ridícula por ter que acordar sem saber o que vai fazer, sem planos ou sem alguém para dizer que tudo vai passar -  mesmo sabendo que não existe mais nada para passar – Eu só queria acordar e perceber que continuo sendo ridícula mas que tudo não passou de um pesadelo horrível. Sou ridícula. Eu choro assistindo o filme "A Noiva Cadáver", e eu não queria que ela se transformasse em borboleta no final. Sou tão ridícula ao ponto de escrever e pensar em tudo que passou. Sou ridícula ao ponto de conversar sozinha no escuro. Sou tão ridícula que acabo dando gargalhada disso, porque não me resta outra coisa a fazer. Sou tão ridícula que a única coisa realmente necessito e planejo é dormir. Dormir para que nada mais possa fazer com que me sinta mais ridícula do que já estou sentindo. 

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