21 de mar de 2014

O que você nunca soube




Quando te vi pela primeira vez, antes de me arrumar, eu chorei. Chorei porque não queria te ver e não queria largar o meu podre pessoal. Chorei porque eu tinha que chorar, e não há outra definição maior que essa. Chorei porque a vida tem dessas coisas. E lembro que caminhei tão lentamente porque eu poderia fugir a qualquer momento, e eu sentia aquele vazio enorme dentro meu estômago. E mal sabia eu que estava entrando na maior burrada da minha vida. Eu te vi tão cheio de vida e de sonhos que eu fiquei contagiada. Fiquei tão encantada com você e tudo que eu mais precisava era de tomar mais uma dose, e mais outra, e mais outra, mesmo sabendo que depois que eu saísse por aquela porta, eu estaria completamente fodida e apaixonada. Lembro que a gente se via quase todos os dias e eu pensava que finalmente estava tendo um recomeço para minha vida e que finalmente os meus pedaços podres estavam sendo destruídos, mas engano meu. Eu me enganei desde no início mesmo não querendo isso. Meu poder de me dar calotes sempre foi tão grande que dessa vez não seria diferente, mais uma vez, eu estava lá no escuro me sabotando e sendo um pouquinho feliz.
Eu estava tão cansada de ser sozinha e você estava tão disposto a me fazer companhia que eu aproveitei e quis te fazer companhia também. Tudo isso dói dentro do meu peito e me faz sufocar. As palavras não saem do jeito que eu quero, e eu não sei mais como enfrentar isso. Eu criei um monstrinho dentro de mim e eu não sei como matá-lo e eu preciso tanto de ajuda. Eu preciso tanto voltar a minha vida normal. Eu preciso tanto. Tanto. Que você não faz ideia de como é ser dolorida ser assim. Você não faz ideia de quantas vezes eu chorei baixinho. Você não tem ideia de quantas vezes eu te quis por perto mesmo sabendo que isso era tão impossível. Eu te quis para sempre mesmo que isso era tão impossível e tão vasto. Quando você deitava e virava as costas para mim, várias lágrimas escorriam e eu corria para disfarçar. Quando você dizia que nunca sentia nada por mim, meu estômago se abria e eu me afogava no meu próprio vazio existencial. E eu pensava que um dia você iria mudar, pois é, não mudou e nunca vai mudar. Tudo desandou e eu desandei com a história toda. Me diluí para que você pudesse gostar um pouquinho só de mim. Me diluí e me quebrei inúmeras vezes para que você pudesse me entender, mas nada disso foi feito. Você não me deu espaço para nada disso. Me diluí tantas vezes que chega até ser difícil me reintegrar de novo. Eu não sei mais me montar. Eu não sei mais ser o que eu queria. Me quebrei tantas vezes que é tão difícil não ter alguma cicatriz. E dói, dói tanto. Dói imensamente dentro de mim. Dói. Dói. E dói.
Lembro que muitas vezes sussurrei para que tudo acabasse tão rápido, e olhe só, não acabou. Quis tanto ser sua. Quis tanto encontrar finalmente o sossego que tanto precisei. Quis tanto ser de outros só para poder te esquecer aos poucos. Eu quis tanto e você nunca soube disso, e se soube, sempre ignorou os fatos, porque era mais fácil ser descolado, não é? É mais fácil ser assim, do que ser só meu. Você me machucou tantas vezes que chega até ser difícil enumerá-las. Você me quebrou diversas vezes e tive espalhar meus pedaços por aí. Me esmagou tantas vezes que tive que apenas aceitar o fato que nada disso era o que eu queria que fosse. Mas eu me acostumo, como sempre me acostumei e como sempre irei me acostumar.
Aos poucos, teu jeito começou a me incomodar. Me deu arrepio na espinha mas de forma ruim. Não te via mas com aqueles olhos de sempre. Não queria mais sentir seu perfume perto de mim, e não queria sentir sua mão sobre o meu corpo. Meu corpo foi tendo rejeição do seu, e se negou a abrir novamente. Literalmente. Meu corpo começou a incomodar com o seu perfume, com o seu jeito, com sua mão, e seu cabelo. Eu já não sentia mais borboletas no estômago e nem mais o frio na barriga de descer aquela ruazinha tão escura e que me dava tanto medo. Meu corpo já não mais arrepiava. E só queria embora. Embora para sempre de você, e de mim.
A vida acontece e a rotina volta ao lugar. Claro que eu fico pensando no que poderia ter sido e que infelizmente ou felizmente, não foi. Claro que adoro minha vida, meus cachorros e até mesmo curso da faculdade. Claro que adoro ter a sensação de buraco dentro do meu estômago todas às vezes que você aparece mas infelizmente, tenho que ir embora e ser feliz. Você já fez isso tantas vezes, e nem ao menos tive a coragem que você teve. Eu o invejo por isso. Você foi mais forte do que eu, e fez o que deveria ter feito a muito tempo. Eu o invejo por ter sido tão superficial, tão distante, tão fora do meu mundo. Eu o invejo por ter conseguido ir embora sem ao menos olhar para os lados e me procurar. Eu o invejo muito por isso, mas não há mais nada o que dizer. A despedida é longa, e o processo é doloroso mas é a lei da vida, não é? A vida aos poucos vai deixando tudo de um jeitinho novo, e que preenche com o novo perfume, uma nova saudade, e uma nova vontadezinha tão minúscula. 
Me arrependo de ter me arrependido tão tarde, e de ter escolhido mais tarde ainda o direito de ir embora. Me arrependo mas eu estava apaixonada, e que culpa eu tenho nisso? Nenhuma. Me dou o direito de me perdoar por todas às vezes que agi com boa vontade, e de todas às vezes que segurei meu choro. Me dou o direito de me perdoar mais uma vez, e quantas vezes for o necessário. Eu estou na vida é para aprender, e para solucionar e complicar (e até mesmo para me perdoar quantas vezes for necessário).  E infelizmente, ou não tão infeliz assim, aprendi, e só.
Não odeio mais as meninas do teu mundo, e nem as bundudinhas Não odeio mais o silêncio, e nem sua frieza. Não odeio mais nada que envolva seu mundo, e assim, fiz as pazes com o meu mundo. Voltei a gostar tanto do silêncio, e do meu vazio existencial de todas as noites (e que eram preenchidos por milhares de paranoias noturnas). Não odeio mais minhas insônias, e nem a minha maneira tão leviana e tão excessiva de querer o mundo. Não odeio mais nada, e tudo isso é graças a você. Por ter me dado a vida, depois ter me tirado inúmeras vezes, e novamente, me colocou de volta no jogo. Mesmo que amanhã eu me arrependa de tudo que estou escrevendo, saiba que não volto mais para baixo de sua asa. Saiba que agora só quero saber dos corajosos. Não quero escrever para achar que forço meu vocabulário, e nem que quero ser mais do que você. Escrevo porque não há como mais te dizer.
Eu voei para longe de você, e não há mais como prender nisso. Voei, e conheci outros ares, e até mesmo outras pessoas tão diferentes, e que puderam me dar o que você nunca pode. E sabe, gostaria de ter ficado mais, só que você sabe, e me forçou a escolher exatamente o meu lugar. Escolhi e quero ficar aqui. Minha vida aos poucos está entrando aos eixos, e sou grata a você por ter me mandado tantas vezes embora do seu mundo. Sou grata por ter me deixado, excluído, e por ter ficado calado quando não era hora. Sou tão grata que isso merece ser registrado. Porque se não fosse tudo isso, hoje eu não estaria tão bem, e tão livre. Mesmo que doa meu peito de madrugada, mesmo que venha uma paranoia, uma dorzinha no fundo da minha alma, quero que saiba que estou bem, e espero que você esteja tão bem quanto eu.
Queira ser feliz, e conquiste teu mundo, menino. Você merece, mas eu, eu mereço muito mais.
Mereço mais de você, de mim, e do mundo.


"Não se expurga um câncer sem matar células inocentes"
Fernanda Young


Prévia desse texto: Parte 1 - Um dia como todos os outros

2 de mar de 2014

O fim é o começo



O fim é preciso. Cheguei a essa percepção esses dias atrás e precisava associá-lo bem. O fim é apenas o começo de uma nova etapa, de novos sonhos, de até mesmo novas dores. Já vi tantas vezes o fim na minha frente, e logo em seguida, estava lá, juntando os cacos, e refazendo minha vidinha aos poucos. Levo minha vida com calma, e quero viver um dia de cada vez.Levo tudo dentro da minha bolsa, mesmo sabendo que não há nenhuma necessidade disso. Levo minhas histórias, minhas amigas de infância que já não as vejo, meus amores tortos, e até mesmo meus contos que nunca consegui dar um fim certo.
Levo tudo, para apenas ter a noção que vivi tudo aquilo. Posso até ter feito muito drama, posso até mesmo ter jurado que não iria dar a volta por cima, pois bem, olhe só: Minhas dores passam. Sério. As dores passam. A vida passa. E tudo que precisa fazer é se deixar levar com ela. Estou me permitindo mais, me arriscando mais, e querendo ser mais. Estou saindo da minha rotina tão monótona e fazendo o que antes não queria: Viver. Tudo estava conforme ao previsto: Fim de um amor, choro, drama, mais choro, e mais drama, e no fim, mais choro ainda. E não me dei por vencida. Não quis chorar porque estava largando tudo para trás, apenas sorri e tive a plena consciência que fiz tudo que estava ao meu alcance. Não quis ficar triste porque sabia que seria desgaste emocional sem sentido, e estou numa fase em que, não quero me desgastar mais.
Quero viver mais, pensar menos, e parar de evitar a vida. Não quero controlar a vida, quero me deixar levar por ela. Sabe, talvez você fique triste ou aliviado por ler minhas palavras, mas quero que saiba que estava apaixonada. E fui embora antes que partisse meu orgulho pela milésima vez em tão pouco tempo. Fui embora, sim. Fui embora e não quis ficar. Você pode até dizer que sou confusa, tão passageira e leviana, mas tudo isso foi para que não partisse teu orgulho, e que você pudesse lidar. Me fiz de leve para que pudesse me carregar mas ainda assim, não quis. E aqui estou, escrevendo para dizer mais uma vez que o fim não é tudo. O fim é a ressuirreição. É a nossa salvação. E infelizmente, o fim é apenas o nosso fim.
Estou tentando viver um dia de cada vez mesmo sabendo que quero devorar tudo. Ossos, sangue, e alma. Quero detonar, explodir, e não quero juntar os cacos depois. Quero sugar a alma, sugar até a última gota disso. Quero morrer e continuar vivendo. Quero viver continuando morta. Quero tudo, quero mundo. Mas uma vozinha dentro da minha cabeça só pede para ter calma. Só mais um pouquinho de paciência, Layla. Só mais um pouquinho, só. Logo a vida está de volta. Calma. Tenha foco, tenha controle, boa menina! Você se sairá bem.
Foda-se o auto-controle. Foda-se o controle da minha mente tão robótica. Foda-se minhas lembranças que já não cabem dentro de mim. Não posso lamuriar para sempre. Só quero te dizer apenas que doeu. Sangrei noites e mais noites. Prometi escrever versos vagabundos. E chorei em silêncio. Mas olhe só, meu querido, o tempo passou. Não há mais tempo para lamuriar e nem para poder dizer tudo o que você poderia ter me dito. Apenas o tempo passou, e de novo, vem aquela voz na minha cabeça falando que, o fim é apenas o começo.



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