30 de jul de 2011

Canalha



Ele é tudo que eu não quero para mim.Ele tem tudo que faz uma menina suspirar desesperadamente durante o dia todo. Digo isso, porque passei a manhã suspirando. Acordei depois de ter virado a noite conversando com você. Acordei sentindo um troço estranho dentro de mim, e assim, me fez sorrir. Exatamente, comecei a me encantei pelo cara mais canalha que conheço. Acordo, faço piadinhas sobre você no twitter, crio trocadilhos com o seu nome mas tudo que eu quero é correr até você.  Tudo que eu mais quero é dizer que você é um menino cretino, tudo que eu mais quero dizer nesse momento é : Não me deixe ir em embora. Mas eu preciso me controlar, volto a fazer piadinhas, e até mesmo digo que estou voltando para a cidade que cresci. Digo que é um canalha, mas sei que é um príncipe do avesso, mas nada disso consegue impedir que eu parasse de suspirar tanto. Nada disso impede que eu comecei a sentir muito além do que esses textos. São suspiros, risos e histórias durante a noite. São olhares ingênuos, vazios, apaixonados mas com pontinhas de malícia infiltrados.
Você não vale nada, você não é o cara que quero me casar porque será chifre na certa (e talvez, ainda assim, eu não me importaria. Hã? Como assim?). Você sabe que pode ter todas as mulheres que quiser. Você não sabe que eu me congelo quando desnecessariamente diz que não há porque temer, porque eu sou sua.  Eu não entendo, não mesmo. Obviamente, não estou apaixonada. Ele é quase impossível, cretino, comedor mas que ainda assim, consegue me deixar suspirando. Ah, você é culta, que legal loirinha. Pois é, eu sou culta enquanto você é um comedor que quero mais do que ser uma brincadeirinha entre suspiros e risadas noturnas. Eu quero ser muito mais do que uma culta, amorzinho.
É muito suspiro para uma pessoa só. É muito amor aglomerado. Você me adora, e ainda colocou a intensidade na frase : Eu te adoro, de verdade, loirinha. E eu gosto apenas de ficar te vendo enquanto me preparo para dormir. Mas eu sei que do jeito que me trata, trata todas as outras meninas. E eu sei que não sou a única a suspirar por você. E eu não sinto inveja, não sinto ciúmes, eu sei que comigo é melhor, eu sei que consigo tudo que elas não conseguem. Mas me sinto uma bonequinha na sua mão, me sinto uma marionete, talvez. Nessa história, eu me garanto. Chega até ser engraçado porque você não sabe que escrevo, para você sou apenas uma culta e para os outros, sou muito mais do que culta, sou a louca.
Aí loirinha, você é linda. Aí loirinha, eu não quero que você seja de ninguém. Aí canalha, como você é ridículo. Você é apenas um menino, um menino cretino. Você é apenas um garoto. E quando dou por mim, estou relembrando quando tocou violão. Saí daqui pensamento, vaza. Saí do meu pensamento, menino. Saí saí saí! Não quero pensar em você, não quero te amar, não quero nem escrever esse texto.
Mas amorzinho, eu preciso me afastar. Não é porque você é um canalha, mas é porque não quero me apaixonar. Mas amorzinho, você é desapegado e prefere sexo do que amar alguém. Mas amorzinho, você é tão amorzinho que já até me sinto apaixonada. Mas amorzinho, é uma pena que crie tanta esperança em cima de você. Talvez se eu não criasse tanta expectativa, até poderia continuar. Juro que estava tudo bem, mas você resolveu ser romântico.
Vou sumindo de novo do seu mundo como eu sempre faço. Apareço de vez em quando para poder dizer que é tão bom conversar com você. Mas meu bem, eu sou muito mais do que você vê. Sou complexa, intensa, e ridícula. Sou tão ridícula ao ponto de pensar em você, suspirar por você, e querer algo com você. Sou tão ridícula que escrevi nesse texto, querendo invadir sua casa, e quebrar seus muros. Sou tão ridícula que resolvi: Você é o melhor canalha de todos os canalhas que já entraram na minha vida.

Broken



Minha vida amorosa é um desastre. Meus amores eternos são passageiros, e os amores que julgo que são passageiros são os que tomam os lugares daqueles amores que não iriam embora por nada. Minha vida é um drama mexicano, daqueles com entrada de vilão, e algum cara que me beije loucamente mas por algumas horas, porque depois eu o mando embora. Não quero que fiquem, não quero mais que ninguém fique aqui comigo. O podre é meu e me deixe muito bem com ele. Já amei muito e sofri muito também. Quem ama, infelizmente, está com a cara a tapa. Quem ama, sabe que talvez pode sair machucado, detonado. Toda menina já sofreu. Talvez, a menina que menos demonstre sentimentos é aquela que mais ama em segredo. Sabe por que eu digo isso? Porque eu sou assim.
Não quero mais saber de amor por um bom tempo. Chega de abraços, e trocas de olhares sabendo que no fim não vão me levar a nada. O menino foi embora e eu depositei toda a minha confiança e todo sentimento que poderia nascer em cima dele, mas ainda assim, ele foi embora. Vejam como estou, vejam o que virei. De santa a louca. De louca a algo que não sei o que é exatamente. O que aconteceu comigo e com ele? Bom, a resposta é a única, ninguém sabe o que aconteceu comigo e com ele. Todos nós sabemos, talvez, mas ainda assim, não assumimos, porque o choque da realidade é bem maior que qualquer coisa. O que aconteceu com a gente, hein menininho de olhos profundos?
Tenho vontade de matá-lo, mas é só de vez em quando. O amor não retribuído me deixou com um vácuo dentro de mim. Ele se tornou uma parte necrosada dentro de mim, uma parte que só serve para lembrar a sua existência. Já não há mais aquele amor incondicional, mas sei que digo isso quando estou bem. Mas de noite, quando já está amanhecendo e eu ao menos nem dormi, sinto algo desesperador e totalmente constrangedor. Eu estou bem, juro que estou. Tento sorrir, tento até mesmo não demonstrar fraqueza mas quando me vi presa nessa história. Debatia freneticamente, gritava, reclamava e falava altos palavrões. Eu queria sair disso. Eu queria ver todo mundo realmente feliz, sem farsas ou máscaras. Eu queria sair daquele conto de horror que havia me infiltrado. Sozinha eu entrei, então, sozinha eu saio. Usei, desusei, abusei e quis acabar com toda bondade que havia perto de mim. Quis mostrar ao mundo o quão ridícula havia me tornado, mas nada disso seria bastante. Quem eu quero afetar com os meus textos? Eu não quero ser mais personagem, não quero mais ser uma sofredora assídua, não quero amar sozinha. Sou uma menina que insiste em crescer. Sou uma menina assustada. Apenas isso, nada além disso. Mas o drama é maior, a saudade ainda consegue ser maior que qualquer coisa do mundo.  E assumo para o mundo o que eu sou, eu era a sua menina louca, meio desligada, e totalmente desapegada. Mas aí, como você foi embora, continuei sendo assim, mas o pior, tem meninos de treze anos que adora uma louca, mas eu não quero crianças, eu não tenho saco para tentar conquistar ninguém.  Eu não tenho saco algum para sair por aí bancando a gostosona, eu só quero voltar. Eu preciso voltar, eu sinto uma saudade tão humilhante, tão ridícula, tão mesquinha. Só é saudade, não é mais do que isso, mas ainda assim é tão forte que me deixa sem força alguma.
Me sinto com uma usuária de drogas em abstinência. O coração acelera, começo a tremer e o nariz começa a coçar. Me sinto com uma usuária, só isso. Já não consigo nomear sentimentos. Acostumei com a falta de ar, insônia e o ataque cárdico noturno.  Eu não sei mais o que espero, não sei mais o motivo para alongar esse tormento. Eu não tenho mais motivo algum para continuar, e tudo simplesmente se perdeu. Não tenho mais lugar na cama, saio pela casa como  zumbi, depois volto tremendo, só que meu frio passou a ser interno.  Procuro me adaptar, procuro até mesmo seguir a vida em frente mas não dá, essa simplesmente a verdade.  Na verdade, sou eu que gostaria de ter sumido. Eu deveria ter me acostumado, apenas isso. Mas não me acostumei, e talvez, jamais me acostumarei.
A sua falta me fez doer tudo aquilo que não deixei. Chorei pelos animais que morrem por queimadas, chorei pelas crianças da África, chorei pela mal organização do Brasil, chorei porque o novo menino diz que me adora e ainda repetiu : Layla, eu te adoro de verdade viu? Simplesmente chorei. Porque sua  presença me faz falta, mas ok, tento pensar que foi melhor assim.
Tudo isso é mesquinho, ridículo e sem graça. Tudo isso é só drama, e eu só queria me ver fora dessa história. Eu só quero que as coisas comecem a dar certo, cansei de saber que sou a louca azarada e mal resolvida dessa história. Mas hoje, eu prometi, não quero mais me lembrar de você com dor, não mesmo. Hoje, não quero que fique assim, eu só quero dormir. Essa é a verdade, eu preciso dormir. Tá, tudo bem.  Me acostumei com a sua falta. Não sei mais lidar com a sua presença. Talvez, esse seja o nosso fim. E em meio de tanta loucura resolvi que vou viver, vai que a gente se encontra ou vai que a gente se perca. Não faz mal, mas pelo menos, você jamais poderá dizer que eu nunca tentei. Quero que se lembre dessas minhas palavras, quero que se lembre que eu lutei. 


Se quiser, leia ao som de Broken - The Verônicas

27 de jul de 2011

A estória de amor


Ela tinha uma beleza diferente, um sorriso diferente, uma vida diferente. Tinha suas próprias ideologias, seus próprios sonhos, seus próprios rancores. Ela era isso, meio princesa, meio mendiga, meio de lua, meio feita de meios. Mas a menina era exatamente bonita por ser aquilo que ela era. Pouco se falava dela, quase ninguém a conhecia. Cresceu no meio da bizarrice, e entrou num conto de horror. Enquanto meninas da sua idade estavam se apaixonando, e entravam para um conto de fadas. Ela simplesmente entrou para um conto de farsas, onde a dor é o privilégio. E ninguém mais entendia o motivo.

Ele tinha uma beleza comum, um sorriso comum, uma vida comum. Burguês, sem religião, meio música de Renato, Cazuza. Era fácil de se rotular, era fácil de penetrar, era bem fácil de se apegar. Mas o menino era conhecido mais pela fama de pegador. Muitos comentavam sobre ele. Enquanto meninos da sua idade assumiam um relacionamento ou tinham um casinho com alguém, ele estava lá, seguindo sua vida de modo inconseqüente e solitário, porque fora criado assim. Ele não tinha medo da solidão, e a solidão, não tinha medo dele.


O tempo passou. Ela, com sua beleza diferente encontrou Ele, com a sua beleza totalmente padronizada. Que graça, pensou ela. Que bonitinha, pensou ele. E quando mais se conheciam, melhor ficavam. Ela havia deixado de pensar tanto na dor, e ele havia se libertado um pouco da solidão. Mas ainda assim, não eram inteiros, não se completavam, e pouco se importavam. Mas numa noite, tudo aquilo teria que mudar, ela havia se apaixonado pelo cara mais comum que  conhecera.


Como? Se apaixonar? Ora! Mais que bobagem, dizia ele. E a menina sofria. Tadinha, meu Deus! Como ela sofria! Embora sentissem quase a mesma coisa, tudo havia mudado. As idéias, os sonhos, as buscas.

E ela resolveu ir embora. Nunca mais olharei no rosto do menino, nunca mais mesmo, prometeu. E o menino não entendeu mais nada. Ele foi embora também. Sozinho, aqui, eu não fico, disse ele. E mal sabiam eles que a história havia mudado. Agora, a menina de sorriso bonito já não sorria, já não vivia, pouco se importava se iria respirar. Conheceu um mundo diferente daquilo que o menino havia apresentado. Conheceu pessoas diferentes, com olhares diferentes e sorrisos fáceis. Viveu situações que jamais sonharia que passaria. Caiu inúmeras vezes e voltou para a estrada.

Mal se ouvia mais falar dele. Enquanto o mundo gritava, o menino queria calar tudo aquilo. O menino desejava silêncio. Não suportava mais saber da menina. E aquele amor foi se tornando cólera.  Aquele amor que já não era mais amor, foi se tornando ódio, desprezo, indiferença. O que aconteceu com ela? Bom, eu não sei.  Mas ainda assim, de vez em quando ele pensava nela. Com saudade, com carinho, com inocência. Ele já não mais sabia onde estaria a menina, e também, deu ombros a situações, simplesmente acabou não se importando com mais nada. Nem com a menina, nem com ele mesmo.

O que falar daqueles dois? Não há mais nada para se dizer. Eles sabiam que cada um tinha seu caminho e ainda assim resolveram brincar com o destino. Coitadinhos, se afastaram. A menina sente uma saudade tão mesquinha dentro do peito, e ela pensa que foi melhor assi
m. Coitada, quer enganar quem? O menino havia se tornado algo diferente do que ela conhecera.

- Cadê aquele menino que você havia se apaixonado, hein mocinha?
- Não sei - respondeu Ela.
É verdade, Ela não queria mais tocar no assunto.
Enquanto isso, em um lugar distante.
- Cadê aquela menina diferente que você havia se encantado, menino?
- Não sei – respondeu Ele.
Totalmente verdade, Ele prefere o silêncio quando o assunto é sobre Ela.


Mas por não saber onde estão, talvez irão continuar a procura de nada, porque sabem, que o que eles procuram já se passou. Eles procuram algo que está tão no passado, e infelizmente, foram obrigados a seguir em frente. Ela sente saudade. Ele pensa nela. E todos nós sabemos que eles continuarão nessa eternamente. Porque sabem que mesmo que alguém abandone sempre haverá o outro. 
Essa é a estória sem importância para os outros. Mas para os dois: Ela e Ele, foi a melhor coisa que aconteceu. Essa é a estória, essa é a magia. Escrevi, apaguei, refiz. Mas aqui está, e jamais se acabará. 

26 de jul de 2011

De novo


A noite chega, ando pelo meu quarto igual uma louca. Procuro não sei o que. Só pode ser o amor vindo,só pode ser isso. De novo não. Eu já tinha te esquecido, estava até pensando no cara mais comedor e cretino que conheci. De novo não! Você passou, você me esqueceu, se lembra, amor?  O cretino vai me dar valor se eu resolver deixar tudo o que me resta de lado, então, adeus cretino. Mas ainda assim, ele daria valor a quem escreve descontroladamente durante um ano inteirinho.  Ele daria valor a tudo que eu fiz. Engraçado não é? Um perfeito Cretino me dá ao valor e você, uma pobre criança carente nem se importa com que eu sinto. De novo não, de novo e de novo, e mais uma vez de novo, sinto como se estivesse ao ponto de enlouquecer. Sinto como se estivesse sentindo um amor incondicional por todos os habitantes do planeta, mas o pior de tudo não é isso, o pior de tudo é que não sei por quem sinto tudo isso. 
Minha alma foi vendida. Fui vagando até encontrar algum lugar para que eu pudesse ser o que sempre fui, mas já era tarde demais, eu havia sido deixada e coisa pior não poderia me acontecer. E de novo, não consigo cansar. O amor dentro de mim, guardado a sete chaves, e sem chance alguma de se libertar. Eu só queria esquecer, e eu estava disposta a isso. E o cretino apareceu, o cara mais comedor que já conheci, mas eu o ignorei, não serei fácil, não serei nada, porque ele é impossível e ele é da cidade onde passei a minha infância toda, praticamente. E eu só penso nele pelo fato que não agüento mais amar alguém que me deixou. Não agüento mais acordar e me sentir perdida demais, solitária demais, triste demais. Não agüento mais procurar de rosto em rosto alguém que possa me fazer feliz.
Não vai haver algum homem que possa me fazer feliz até que eu permita que isso aconteça. Se eu não permitir, nenhum homem conseguirá me fazer sentir inteira, completa, cheia de vida. Me entendem agora? Se eu não quiser, o amor jamais vai embora. Depois de muito andar pelo meu quarto, e vagar como uma zumbi pela minha casa, resolvo deitar e fiquei pensando no que o mundo poderia estar preparando para mim, haverá outras despedidas, haverá mais amor (certamente) e será que não haverá mais você?
Será que continuarei andando, caçando, procurando você totalmente em vão? Será que nosso destino jamais se encontrá novamente? Você não acredita em destino, mas o Cretino acredita. O Cretino pode até mover o mundo para me conquistar e você não. Você não sente medo de me perder? Você acredita realmente que esses textos são para você? Não tem medo que eu acorde simplesmente sem esse amor entalado dentro da minha garganta?
Sinto um amor surreal. Mas por quem?  O Cretino não sabe que eu escrevo. Na verdade, o máximo que consegue me chamar é de culta, e eu acho uma graça. Porque mal sabe ele que em cada curva do meu corpo há alguma história. Em cada parte da minha boca há uma palavra de carinho querendo sair mas eu a prendo dentro de mim. Mal sabe ele que sou uma louca, meio apaixonada, e tão virginiana. Mal sabe ele, que somos do mesmos signos e que já fiz até a combinação para ver se daríamos ou não certo. Mas não importa, não hoje. Logo eu o esqueço, eu sempre o esqueço. Ele some, faz sucesso, depois volta. E enquanto isso, você, apenas some, não faz sucesso e muito menos volta. Você sabe que jamais procurei, não darei minha cara a tapa. Prefiro o silêncio.
Dou os ombros e penso que estou feliz. De novo não. Não mesmo. Não haverá amor, não mesmo. Já cansei desse joguinho, cansei até mesmo de ficar me arrastando. Se eu fosse tão corajosa como acho que sou, certamente já teria ligado para você e mandaria pastar, ou quem saber, tomar no cu. Mas não, sou uma menina e preciso ser meiguinha, preciso me comportar, preciso ter essa história de amor próprio. Mas nada disso impede que eu sinta um ódio enorme. Depois de tanto amor aglomerado há somente o vazio. Não o perdoarei, não agora. Mas de novo não. De novo não deixarei meu orgulho acabar.
De novo não deixarei de viver só para procurá-lo. De novo, ou não tão novo assim, não estou nem aí para o mundo. Não estou nem aí para as boas ou más intenções. De novo ou não, nunca mais deixarei de ser o que sou para tentar ser o que o menino quer. Não mesmo.  Nenhuma carta há resposta, nenhuma combinação de signo há um sinalzinho pequeno de esperança. Não há mais nada, it’s over. Acabou. Acabou não, ainda está começando. Até a merda do horóscopo me manda seguir em frente. Mas pelo amor de Deus, como é seguir em frente?  Já não sei mais andar e não procurar. Já não sei contar a minha história sem ter algum parágrafo sobre você. De novo, eu te amo. De novo, eu te quero por perto. 
E não tão de novo assim, quero te esquecer. Mas também não quero o cretino. O cretino é desapegado, ele é bonito, tem um jeito fofo, mas é cretino, mas você também é assim. Pouco me importa. De novo, de novo e de novo. Passou, não sinto mais nada. Nadinha. Passou. Mas calma, vai passar, mas sei que posso sentir tudo isso novamente. Mas dou os ombros e só penso que como seria bom se o mundo passasse ou acabasse de uma vez. Mas não estou nem aí.
Mas quando olho pela janela, começou amanhecer. A intensidade foi acabando, meu pensamento foi diminuindo, parei até mesmo de sentir tanto amor. Simplesmente fui fechando meus olhos. É melhor dormir. O mundo gira, e eu vou ficando cansada. É melhor dormir, é melhor deixar para depois, é melhor o amor passar. Pode vim amor, estou aqui! 

Sobre o que estou esperando - Tati Bernardi


Imagine um cookie de Diabo Verde. É horrível de mastigar, quase impossível de digerir, às vezes você vomita pra não morrer e o pacotinho com quatro custa uma fortuna. Isso se chama análise lacaniana.
Numa reunião de psicanalistas, psicólogos e psiquiatras, fica fácil identificar cada um deles. Os psiquiatras dizem não beber mas, o tempo todo, pedem uma pequena dose de qualquer coisa antes de, com olhos dilatados demais para alguém que não quer parecer bobo, começarem algum discurso científico (e parecem sentir certa vergonha arrogante disfarçada de diploma de medicina), os psicólogos são ternos, encostam nas pessoas e se vestem mal (se forem cognitivos, são os que sorriem o tempo todo e sobram sozinhos na mesa), os psicanalistas freudianos prestam atenção a tudo com um misto de sarcasmo com tristeza mas sabem, no fundo de suas almas, que a tristeza é uma desculpa falsa humilde que deram para poderem continuar sendo sarcásticos. Os lacanianos não foram. Ou, se foram, estão rindo porque os cognitivos sobraram justo na mesa onde eles passaram melecas de nariz.
Tô nessa de Lacan há quase um ano e o único motivo que ainda me leva a degustar desse docinho desentupidor de merda é justamente sentir, por uma das primeiras vezes na vida, a minha merda desentupindo. Ele corrói sem dó mas resolve, tal qual o líquido dos infernos que tenho na minha despensa.
Pra quem não conhece o método, é a psicanálise em seu estado mais cruel (ainda que aqui a palavra cruel esteja mais no sentido de cru do que de crueldade- e não me perguntem o que eu quero dizer com isso porque apenas sinto que é assim e já percebi que quando digo essa frase “só sei que sinto” minha analista se chacoalha inteira no sofá de couro causando um imenso barulho que aprendi a chamar de um lugar no coração da Hitler dos subterfúgios da alegria cerebral). Tem o lance do divã, tem o lance do terapeuta sentar atrás de você (nos meus acessos de precisar de amor eu quase quebro o pescoço em busca de um olhar de aprovação “olha, o que ela está falando é muito bom!"), tem o lance do “não tem panos quentes não, filha de Deus, até porque ele não existe”. E tem também os silêncios terríveis...para os outros, porque eu nunca fiquei em silêncio em toda a minha existência.
Minha meta na vida, desde que desmamei e/ou minha mãe se distraiu dois segundos em me adular sobre todas as coisas, é ser incondicionalmente amada. Para isso, adquiri língua afiada, olhares jocosos e pés prontos para chutar e/ou sair correndo. Resumindo: criei e alimentei tudo em mim para justamente nunca mais ser amada ou ser amada apenas incondicionalmente. O que eu sei que não existe mas continuo sofrendo por não existir. Isso já está identificado desde meus seis anos, quando análise não era pra mim e sim para os filhos de muito ricos que estouravam restos de biribinhas em gatos de marca. Mas eu já sabia. A respeito de mim, eu sempre soube de tudo. Desde sempre. Mas saber não é exatamente desentupir a merda, daí que toda quinta bato cartão (ou ela bate minha carteira, nunca sei) no consultório perfumado e de paredes com isolamento acústico de minha analista. Aliás, isolamento que não funciona: eu sei, por exemplo, que o cara antes de mim se sente culpado porque o filho tira notas ruins e o cara depois de mim sabe, pela cara de pavor com a qual me olha na saída, que eu já aumentei pra dez o número de homens que sonham que estão sem pau quando saem comigo.
A coisa está indo super bem (o que significa que está terrível, insuportável e péssima) até que, nessa última quinta, melhorou ainda mais (o que significa que piorou muito). Quando eu já estava praticamente do lado de fora do seu consultório, chamando o elevador, já me recuperando de meu estado de lixo orgânico, de chorume existencial, ela abriu a porta mais uma vez, olhou pra mim daquele jeito que você só perdoa que uma pessoa te olhe se ela tiver, nitidamente, 20 anos a mais de estudo que você, e me disse “você está esperando o quê?”.
Eu quis responder que era o elevador, mas dada a sua frieza e seriedade, era óbvio que ela se referia à sessão que tinha acabado de acabar. Eu quis responder qualquer coisa, mas ela mandou a bomba e correu sem nem dar tempo do meu desvio de septo voltar pro seu lugar errado. Agora, como dizem por aí, era comigo “mermo”.
Passei a quinta inteira catatônica, tentando adivinhar o que eu deveria fazer para que não esperasse mais o que eu estava esperando. Eu deveria resolver alguma coisa, de certo, mas o quê? Sim, eu deveria parar de esperar, mas para parar de esperar, antes, eu deveria saber o que cazzo eu estava esperando. Que que eu tava esperando?
Passei e repassei a sessão um milhão de vezes na minha mente. Eu tinha falado de tararã, eu tinha falado de tarará, eu tinha falado também que tarará tinha o tararã maior que o do tarararão mas que o tarararão era muito mais tatataratatá que o tararinho. Mas nada disso me deu a pista que eu precisava para saber o que eu esperava até porque, disso tudo o que eu falei, eu não esperava absolutamente nada. Como sempre.
Você está esperando o quê? A voz dela me perseguiu pela sexta também, pela madrugada, pelo sábado. Ah, tantas coisas. Tô esperando ficar rica pra comprar uma casa maior. Tô esperando o último capítulo da novela pra ligar pra Gabi. Tô esperando meu chefe voltar pra pedir um aumento. Tô esperando a grana do freela entrar pra pagar o cartão de crédito. Estou esperando esquentar o tempo pra ir na depilação. Estou esperando os quarenta pra declarar estado de calamidade pública pra minha bunda. Tô esperando a minha vizinha reclamar do Radiohead de novo pra poder reclamar que ela toca tuba as quatro da manhã. Tô esperando a próxima temporada do House. Tô esperando a próxima quinta pra socar você, querida analista.
Quando a mente naufraga pesada demais, vou pro teatrinho infantil que mora lá pelas bandas do meu coração. Encenar minhas sensações pra ver se descubro algo que está difícil de se explicar sem figurinhas. E meu teatrinho infantil me botou em cima de um cavalo branco, com uma varinha de condão. Podia ser uma espada, mas acredito que uma “vara” que transforma o mundo é ainda mais pau que o pau que simplesmente luta, fura e mata, então lá tava eu de varinha mágica, toda me achando a princesinha ainda que a princesinha espere e não aja e eu, como boa pessoa que não deveria esperar por mais nada segundo a minha analista, estivesse agindo. Tá, agora faço o quê? Vou pra onde vestida de besta desse jeito? Eu tenho medo de cavalo, vara com estrela na ponta não me serve de nada. De que me serve meu potencial de macho se ele só me enfraquece? De que me serve a vontade de ir se o lugar não existe? De que me serve, afinal, esse amor?
Amor, é de amor que você fala? É. Tudo em mim respondeu, fazendo o som do recuo já sem forças de uma onda que explodiu na minha cara. Ééééééééééééééééééééé. O uníssono da concordância, como é bonito o equilíbrio único de uma constatação puramente verdadeira. O sopro do que cala fundo inundando, trazendo a resposta para as partes mais esquecidas e longínquas do que somos. Ééééééééééééééééééééééééééé.
Tô esperando o dia que isso vai passar. Isso aqui, que falo descarada e cifradamente, mas sempre. Isso que espalho em cada linha, o tempo todo, o muito peneirado ao longo desses dias todos, soando pouco mas sem parar, nos intervalos dos reais intervalos. Tô esperando acabar, passar, morrer, sangrar até o fim. Esperando o tempo que acalma chamas com seus ventos de mil pés distantes. Esperando alguém que ocupe, distraia, desacorrente, solte, substitua, torne nada demais. Esperando não sentir mais ódio e nem tesão e nem ciúme e nem saudade. Esperando porque é o que resta mesmo, não é falta de coragem, não é de se fazer, é de se sentir e só. Nem sempre a força de um amor é pra sair às ruas, pra viver histórias. No meu caso, sozinha mesmo, preciso ninar esse enjôo de um filho sem pai, esperar que ele nasça morto e enterrá-lo já sem dor. A gravidez do coração dura mais do que deveria e só expulsa seus filhos quando esses já nem existem mais.
Tá, analista dos infernos, eu entendi. Mas você erra quando acha que alguém resolve um amor. O amor é que, se tivermos coragem pra deixar, resolve aos poucos a gente.

A outra voz - Caio Fernando Abreu



Por trás da palma da mão contra o peito, por trás do pano da camisa, entre massas de carne entremeadas de músculos, nervos, gorduras, veias, ossos, o coração batia disparado. Você vai me abandonar - repetiu sem som, a boca movendo-se muito perto do fone - e eu nada posso fazer para impedir. Você é meu único laço, cordão umbilical, ponte entre o aqui de dentro e o lá de fora. Te vejo perdendose todos os dias entre essas coisas vivas onde não estou. Tenho medo de, dia após dia, cada vez mais não estar no que você vê. E tanto tempo terá passado, depois, que tudo se tornará cotidiano e a minha ausência não terá nenhuma importância. Serei apenas memória, alívio, enquanto agora sou uma planta carnívora exigindo a cada dia uma gota de sangue para manter-se viva. Você rasga devagar seu pulso com as unhas para que eu possa beber. Mas um dia será demasiado esforço, excessiva dor, e você esquecerá como se esquece um compromisso sem muita importância. Uma fruta mordida apodrecendo em silêncio no prato. (...)
Não diria nada, embora na noite, às vezes, quando vinha, revelasse certas palavras fragmentadas, incompletas, no código baço dos que se foram, que se perdiam para sempre no mundo dos sonhos esquecidos, enquanto ele tentava inutilmente recompô-las na manhã seguinte. Mas não, não diria nada. Não se diz mais uma palavra quando, de muitas formas nunca claras o suficiente para que os outros entendam, tudo já foi dito. (...)
- Eu vou ficar bem.
- Claro que vai.
- Um dia eu volto.
- Claro que volta. Venha ver os cinamomos.
- Eu não tenho culpa.
- Claro que não.
- Eles estão ficando cada vez mais vagos. Como uma dessas neblinas na serra. Numa manhã de inverno, quando o sol começa a furar as nuvens. - Tinha começado a mentir, tão intensamente que talvez falasse a verdade. Quase conseguia vê-los, os corpos mais e mais esgarçados enquanto falava. - Estão ficando ralos, meio transparentes. As vozes cada vez mais fracas. Quase nem consigo entender o que dizem. Mal completam os movimentos, são como desenhos e tinta num papel molhado. Se apagando, mas tão lentos: não sei até quando resisto.
- Até quando for preciso. Estarei aqui.
- Talvez dependa de mim.
- Tudo tem seu tempo. Há o tempo deles, também. Eu sou a ponte para você, você é a ponte para eles.
- Tenho medo que você falhe. Porque, se você falhar, eu falho também. E eu não posso.
- Eu não vou falhar. Não porque não posso, mas porque não quero.
- É como um pacto?
- Se você quiser.
Precisava acreditar na outra voz: era só o que tinha. Mas não conseguia impedir-se de ver alguém lá de fora puxando-a apressado pelo braço - bares, cinemas, encontros, esquinas - para mergulharem juntos naquela vertigem de caras vivas, palavras dispersas, talvez meio vadias, mas sempre envolventes, sorrateiras, a afastá-lo - a ele, a ela, à outra voz - cada vez mais de si mesmo. Um dia seria para sempre: e eu só tenho esse centro talvez escuro de mim, onde me agarro. Nesse outro dia, não haveria nada ao redor, exceto as grades. Quis alertá-lo para a necessidade de resistirem juntos nessa ponte frágil. Até um dia qualquer de sol, se você me esperar lá fora. (...)
Não me abandone, pediu para dentro, para o fundo, para longe, para cima, para fora, para todas as direções. E curvou a cabeça como quem reza. Para que a mão pudesse tocá-lo, inaugurando finalmente a luz. Mesmo dentro do escuro, alguma espécie de luz. Talvez como aquela que habitava a outra voz, tão viva e cada vez mais remota. Todos os dias, por volta das cinco e quinze da tarde. Porque queria - e queria porque queria - a luz da outra voz, não a escuridão deles: escolheu.

25 de jul de 2011

I can't forget you



Olhei os meus rastros perdidos por todas as partes. Olhei as minhas mensagens, os meus textos, e o meu amor guardado. Analisei cada parte do meu corpo, cada parte do meu rosto.  Analisei meu passado, e o meu presente. E eu tenho a certeza que não estou no lugar que planejei quando criança.  Eu não queria nesse estado que estou, não queria que o fim chegasse para nós, e ele chegou. Não queria acordar com vontade de voltar para cama correndo, não queria enfrentar o mundo e suas bizarrices, mas sei que preciso fazer isso.
 Sei que estou sozinha, e tenho que saber lidar com tudo isso. Tenho que enfrentar a solidão que insiste em bater a minha porta , tenho que enfrentar a minha tendência a depressão que é tão gigantesca que mal dou conta dela. Eu só sei que sinto saudade mas não sei exatamente o que. Passei tantos anos sem chorar ou sem me doer e depois veio tudo de uma vez.  Do amor só sobrou o desespero e uma saudade filha da mãe.  Da nossa história só sobrou esses textos. Eu só queria a sua volta.
Penso no futuro sem muita expectativa. Penso de como será minha vida quando estiver longe de tudo isso e sem poder voltar. Como serei nos próximos 10 anos? Será que fiz as escolhas certas? Sabe, no começo doeu muito, reclamei muito, e sofri em triplo e sei que talvez fosse preciso passar por tudo aquilo para ser o que sou hoje. Precisei passar por aquele tormento para aprender o que pode e o que não pode se importar. Precisei sofrer, tomar muito na cara para aprender que pessoas vão embora e que há algumas delas em que jamais irão voltar, jamais irão te fazer feliz como antes.
Pessoas mudam,  a vida segue, os sonhos acabam, outras pessoas chegam. Um dia terei que deixar tudo aquilo que me esforço para não deixar. Um dia abandono, outro dia serei abandonada. Assim é a lei da vida, assim é famosa lei do retorno. Não gosto muito das ironias do destino, quando menos se espera está no lugar que disse que nunca estaria. Eu não queria mais sofrer pelo nosso fim, mas quando dou por mim estou sozinha, no escuro, me lembrando que você disse e repassando as suas falas.
Não somos mais crianças, não tenho mais quinze aninhos, e nem acredito em promessas. Sei que se você quisesse, hoje estaria aqui comigo. E não adianta colocar a culpa no destino. Você que não quis, você não me quis. Você preferiu me deixar longe e simplesmente sumir, você escolheu esse caminho para nós. Cada um foi para um lado, sabe-se lá se um dia haverá uma encruzilhada para poder nos juntar novamente.  Não há mais barulho algum, não há mais correria, muito menos esperança. Há apenas um vazio aterrorizante dentro do meu peito. Não tem mais ligações, nem notificações na sua página pessoal da internet, você realmente sumiu.
Não há mais nada. Não há bizarrice, porque agora resolvi me comportar. Não há mais esperança, acabaram-se todas. Não há mais amor, ele simplesmente se transformou em algo que vai muito, além disso, tudo. Cheguei até mesmo a pensar que tudo isso havia finalmente acabado, mas nada disso. Olhei em cada parte minha que havia sido descartada, algumas boas e outras más. Só sei que é saudade, só sei que sinto falta de você, mas não posso continuar. Não que eu não queria continuar, mas sou obrigada a continuar para enfrentar a vida.
Nunca mais vou esquecer a sensação que te vi pela primeira vez, nunca mais vou esquecer a sua voz meio abafada,  meio bêbado, meio inocente dizendo que só me ligou para dizer que estava carente demais e que queria me abraçar.  Nunca mais vou me esquecer da sensação de ter o mundo em volta correndo e eu querendo parar. Nunca mais vou esquecer de como me senti falando com você.  Você despertou em mim os anjos e os demônios. Não sei de quem foi a culpa. Não sei como fui parar aqui, não sei nem ao menos como continuarei. Mas continuarei a escrever. Não por ciúmes, não por carência, mas pela saudade.
Preciso encontrar um modo de sair disso, preciso acordar desse sonho, e eu só queria te amar. E você me negou isso, negou meu amor, o meu carinho e até mesmo a minha inocência. Eu só quero que isso acabe rápido, não aguento mais. Acho que posso chorar a qualquer minuto, ou esquece, vou me deitar. Durmo doze horas por dia, ando pela minha casa parecendo um projeto de zumbi, e a o vazio aumenta. Você pode voltar. Eu sei que pode. Volta?

                             Não, eu sei que você não volta, nunca mais. 

23 de jul de 2011

Melhor assim? Talvez.





Observei  minha foto na época que te conheci. Não era loira, não era tão louca, mas ainda assim, uma verdadeira sofredora.  Era uma verdadeira monstrinha do pântano em constante mudança. Talvez sua partida não me fizesse tão mal como os outros esperam. Fui do luxo ao lixo, do lixo ao luxo. Aprendi o  que é o verdadeiro ditado de “comer o pão que o diabo amassou” mas aprendi o valor que tem uma perda, uma falta que pode até mesmo ser substituída. Depois de tanto tempo, fiquei loira, emagreci, conheci pessoas interessantíssimas e sei que levarei comigo suas histórias e suas cargas, sempre tirando o exemplo de cada uma delas, e tentando ajudá-las o máximo possível.  Eu sou assim, dolorida, sofrida, meio louca, meio desumana. Sou tantas metades que mal sei quem sou realmente, mas a única certeza que tenho é que sua falta me causou um desajuste em minha vida, sua falta me fez caminhar mesmo querendo voltar correndo para cama. Sua falta me ensinou tantas coisas, meu menino,  que hoje, parando para pensar sobre o assunto, resolvi achar que prefiro o silêncio. Foi difícil, doeu muito, sangrei muito. O abatimento era visível e renegava qualquer coisa que pudesse me deixar melhor. Neguei ajuda, preferi o silêncio, a solidão, o  vazio. Na verdade, preferia dormir. Tudo que eu queria era me desligar de tudo, tudo que precisava era realmente me desligar de tudo que havia criado. Destruí laços, criei outros. Foi melhor assim.
Desmoronei em cada frase que poderia ser dita, mas que houve o silêncio. Gritei muito em seu mundo e a única resposta que tive foi o silêncio. Gritei, reclamei, escrevi milhares de palavras e a única resposta que tive foi nada, não houve respostas. Você preferiu o vácuo, não sei o que passou pelo seu cérebro de merda, mas ainda assim, esperei que houvesse retorno. Só esperei, mas não houve nada. Você nunca mais ligou, nunca mais apareceu, simplesmente sumiu. E enquanto isso, tentei mais do que podia, mais do que tinha forças. Eu tentei como se fosse a última coisa que faria na minha vida e ainda assim, não houve o retorno. Não há retorno. Você não me lê,  não me sente, e que simplesmente foi embora. Sem despedidas, sem textos que pudessem dizer algo, sem nada. Foi apenas embora.
Nunca tive medo de nada, na verdade, a única coisa que consegue me deixar tensa é quando o assunto se torna abandono. Tenho medo de abandonar e logo depois me arrepender, por isso, não abandono, aglomero amores, situações, palavras, e torço para que não explodam dentro de mim – Quando isso acontecer, será um choque enorme para todos aqueles que estão em minha volta – Mas enquanto isso não chega, comecei a pensar que abandonar alguém não é tão ruim assim, abandonar é deixar, esquecer. Pior do que esquecer, é a indiferença. E você se tornou tão indiferente, mal sei quem é você. Mal sei o que você sente, mas é melhor assim. Tanto tempo já se passou, eu mudei, você também. Mas sabe menino, fui aprendendo que não preciso me sacrificar tanto só porque você foi embora. Eu aprendi que não preciso renegar o amor já que você não quis me amar.
Infelizmente ou felizmente os outros não são como você. Conheci meninos piores, alguns melhores, e assim, sigo minha vida.  Sigo enfrentando o que vier, não tenho tanto medo assim, só uns calafrios que surgem no meio do nada. Mas ainda assim, acredito que haverá muitas palavras. Perguntaram-me quanto tempo gosto de você, e o irônico é que respondi e a pessoa prosseguiu "E passará quatro, cinco, seis anos" e a única coisa que veio em minha cabeça foi que tudo deve mudar. Não se pode passar tanto tempo te amando. Não posso continuar te amar pelo resto da minha vida. Eu não quero te amar para sempre.
Quando foi o momento de te deixar, me segurei para não enlouquecer, se bem que cansei de ser a bobinha que não se deixa levar. Me segurei para não chorar, e até mesmo para não te procurar. Tudo andava conforme o previsto e me segurei para não gritar ou até mesmo para a dor não tomar conta de uma vez por todas. Fui de todos e não cheguei nem ao menos ser minha. Não sei ser o que quero ser, sou muito mais do que qualquer ensaio. Talvez eu fosse uma boa atriz, talvez eu seja uma atriz.  Não senti raiva, na verdade, não vou te perdoar tão cedo. Mas é normal, bom, eu espero que seja normal.  Só preciso dizer que sua falta já não me dói tanto quanto o começo.
Olhei sua página na internet, e continuei encarando por um bom tempo. Não procurei notícias, não quis saber nada. Só olhei, como se fosse uma despedida, como se fosse um momento só meu e seu. Olhei e me deu um apertinho de leve no coração, porque sei que o tempo passou, sei que virei  lembrança, sei que fui apenas uma entre tantas.  Sei de tantas coisas, conheço sensações.  Eu sinto saudade, uma falta absurda mas que é tão leve e pouco me lembro. Não sei se hoje voltaria ao passado, não sei se quero voltar ao passado. Talvez seja verdade tudo isso que falei em todos os meus textos, talvez seja melhor assim.

Amor platônico



Então é isso. Tudo diferente, absolutamente tudo. Eu tenho um amor platônico sim, quem nunca teve? Talvez, nunca verei esse menino que faz um sucesso com as meninas de treze, catorze anos, mas talvez daqui um tempo, quem sabe, nos próximos vinte anos, tudo pode mudar, a vida pode por cada um em seu canto, e ele virá pra perto de mim, simples. Não tem segundas intenções, nem terceiras, muito menos quartas.
Ele transmite paz, algo que eu jamais vou saber o nome exato, porque sentimentos assim não nasceram para ser descritos. Não faço isso com intuito de querer que ele sinta a mesma coisa por mim. Porque amores platônicos são os mais sinceros possíveis, não esperamos nada em troca, porque nada poderá ser dado em troca, jamais.
Não digo querendo que todos tenham um amor platônico, mas o meu já virou muito mais que o platonismo, já virou gargalhadas, risos e casos. Virou amizade, irmandade. E sim, ele merece o esse texto por ter me conquistado nesses dois anos.
É verdade, dessa vez não é um personagem inventado, não é inspirado em alguém, é para ele realmente. Tudo é meloso, e ele quando ler isso vai rir, ou chorar, ou me agradecer, ou talvez nunca mais fale comigo, mas não importa, ele ainda continuará sendo o melhor amor platônico que já tive, e que vou continuar com isso até que eu possa dizer o quão importante ele é para mim. Nunca te disse coisas assim, não é? Talvez, prefiro guardar essa pessoa que vive dentro de mim bem quietinha, até que tenha qualquer surto e se espalhe por aí.
Não deixe que te rotulem. Não deixe que o mundo te faça se sentir um fracasso. Acredite no sempre no amanhã, ou quem sabe no melhor. Acredite : Eu estarei aqui mesmo que tudo dê errado. O destino sim pode afastar você de mim e eu de você, porque é isso que ele faz constantemente, ele cria laços fortes para depois desfazê-los. Mas não importa, estou escrevendo para que se lembre de mim no seu futuro, que tenho certeza que será muito melhor do que espera. Porque é isso, amores platônicos são isso. Posso desejar mulheres, festas e bebidas, que ele não se importa, e eu também não, porque ele no fundo, ele poderá casar, ter filhos, criar milhares de coisas e continuará do mesmo jeito aqui, dentro de mim.
É um amor diferente. Amor de proteção, de irmandade. Se é que tem jeito de poder definir essa palavra, amor que corrói tudo. E aqui sim, aqui por mais que o destino possa nos afastar, você será eterno aqui, nessas poucas linhas que tento dizer o quão importante você é para mim. 


21 de jul de 2011

Depois de tanto tempo


A verdade dói mas não mata, o sofrimento um dia ameniza e as lembranças vão se apagando, até chegar um dia em que você já não se recordará mais daquela pessoa que mudou sua vida totalmente. A fase do esquecimento é a pior fase que poder haver num relacionamento. É a fase em que você já não mais se preocupa como vai a vida do outro e se preocupa muito mais em tirá-lo de vez do seu mundo. Eu poderia escrever dizendo que estou magoada ou que sinto falta dele, mas não seria verdade. Já não sonho em dar mais o troco, claro que se eu tiver oportunidade, vou desejar que  ele possa aprender que nunca se deve magoar uma menina, mas apesar de tudo, tenho muita preguiça de tentar dar a volta por cima.  No início, tive muito medo de enfrentar o mundo, e não tinha quase ninguém ao meu lado e eu precisava sobreviver a tudo isso. Aos poucos fui me fechando nesse mundinho que criei : Ninguém entra, ninguém saí. 

Foi tão difícil recomeçar sem você. Foi tão difícil enfrentar o mundo sem saber nem por onde você andava. Meu Deus, foi tão difícil que só agora, depois de tantos meses consigo pensar no meu futuro e consigo ter uma ideia do que realmente quero da minha vida. Nem sempre sou exata, às vezes deixo as reticências porque o fim sempre me deu medo.  Olho em volta, estou no meu quarto, sozinha. Olho para o meu cachorro e o vejo dormir tão tranqüilo, mal sabe quanta aflição existe atrás de sua dona, mal sabe ele o tanto que eu penso na morte e reclamo da vida. Mal sabe ele que a sua dona, essa mesmo que o faz brincar é a pessoa mais podre que pode haver por aqui.  Mas é a verdade apenas se incluiu. Agora sei que amar sozinho é pior que uma morte. Amar sozinho é uma pré-morte. Porque criei tantos planos, tantas saudades, tantos textos e ele nem ao menos perguntou se estou melhor. Ele é apenas um homenzinho burro, e eu torço infinitamente para que ele nunca se arrependa do que fez comigo, só torço para que ele jamais perceba o quão eu era perfeita para ele e ele não se importou nem ao menos em me dar o valor que tanto merecia.

Engraçado é saber que bem no fundo me importo com essa história de dar ao valor, parei de acreditar nisso quando deixei o último cara abalar meu orgulho, e eu tinha apenas treze anos.  Hoje esse homem – digamos de passagem – está bem, nós somos amigos e ele me faz entender que às vezes o mundo é tão caótico, tão estranho, que até teimo em dizer que talvez seja um pouquinho bipolar.  O mundo dá tantas voltas e eu sempre me assusto. O mundo continua nessa ciranda de sentimentos. E eu consigo sentir a mesma coisa de sempre, aliás, eu não consigo mais sentir nada. Triste né? Eu sei. Não foi culpa minha, nem do cara que me fez sofrer pela primeira vez. Na verdade, não foi culpa de ninguém. Tento sorrir e tento falar o que mais de louco existe mas no fundo, é tristeza pura, é vazio intenso, é solidão insolúvel. Por fora continuo a mesma coisa de sempre, mas mal sabem eles que essa mesma menininha loira, louca e divertida, é a mesma que pensa e repensa na morte inúmeras vezes.  Mal sabem que essa mesma garotinha que se diz bem resolvida, é apenas uma garotinha, nada mais e nada menos. 

Mas tudo bem, aos poucos a gente se acostuma com a falta. E ontem me lembrei que já não sei diferenciar sua voz entre os outros garotos. Acho que tudo isso está passando, acho que finalmente estou conseguindo respirar aliviada. Mas ainda continuarei a escrever mesmo sabendo que isso não é tudo para você. Aliás, o que você precisa para voltar? Passei tanto tempo escrevendo e você simplesmente continuou me mandando embora. Além de ser tristinho para mim, é tristinho para aqueles que acompanharam. Um vácuo de um lado, outra SMS não respondida, outra ligação perdida. Outro suspiro, outra bebida, outro corpo. Outra viva, outra mentalidade. Sempre outros e nunca nós.

Não quero ser amarga. Sou fechada, propositalmente.  Vivo na espera de não sei o que é exatamente. Talvez seja a espera dele que sempre feriu o meu orgulho, que sempre me deixou tão sozinha mesmo ficando ao meu lado. Vivo querendo algo que tenha o que sempre quis e que talvez é tudo que preciso nesse momento. Tenho vontade de fugir, essa é a verdade. De correr e nunca mais parar. Ou de gritar e só parar quando minha voz acabar de uma vez. Tenho vontade de sumir, de cavar um buraquinho e só sair de lá quando tudo passar. Tudo que eu preciso é de tempo. Tempo para me acostumar que agora não haverá mais você no meu mundo, como  já não estava sendo. Eu sinto tanto sua falta, menino. Mas preciso te libertar. Preciso te deixar viver, não quero te prender no meu mundo que é tão estranho.

Não quero mais ouvir músicas e me sentir um vazio imenso. Quero continuar no que comecei. Quero e sei que um dia vou conseguir respirar sem me sentir tensa. Foi preciso seguir em frente, foi preciso te esquecer, foi preciso ser o que eu não era para conhecer o que sou. Foi preciso passar por tanta coisa, conhecer tantas pessoas, e cair em várias armadilhas do mundo. Foi preciso aprender, gritar e reclamar. Foi preciso crescer. A menininha não é tão mais menininha, pouco existe a esperança, mas ainda assim, o fim é certo. Hoje, sou mais grata por tudo aquilo que me fez passar. Antigamente jamais pensaria assim, mas antigamente já passou, é antes. Agora é hoje, o amanhã, e o depois. Não sei o que vai ser de mim, nem de você. Não sei o que será desse amor ou se terá rancor futuramente. Mas tudo bem, aos poucos, tudo se deleta. Aos poucos, tudo se acaba. Aos poucos, a gente cresce e a gente aprende como se deve viver verdadeiramente.

Depois de tanto tempo escrevendo só consigo pensar que realmente o tempo alivia, mas não cura. A ferida ainda dói. Depois de tanto tempo tentando desacreditar em nós, finalmente estou conseguindo. Depois de tanto tempo...

19 de jul de 2011

Fugitiva


Não, aqui você não entra! Queria dizer isso para o amor, às vezes. Não, aqui você não passa! Queria poder dizer isso para a esperança que sempre tenta invadir meus dias mas simplesmente faço de difícil e viro algo que não sei o que mais é. Virei uma fugitiva do amor, da esperança e de tudo que poderia me fazer acreditar em uma nova história. Sou fugitiva do caos, das cartas. Sou fugitiva desse teu amor empedrado. Sou fugitiva da nossa história, da nossa vida, da nossa despedida.
Fugindo de tudo aos poucos: lembranças, telefonemas e pessoas. Fugindo de sentimento e de escolhas, apenas fugindo porque fugir é legal, fugir é divertido, esconder é melhor ainda. Escondendo de tudo que possa haver entre eu e mais uma pessoa, escondendo essas cartas do mundo, escondendo você do destino. Pouco me importa se vão me julgar ou não, pouco me importa se alguém mais vai embora, porque hoje quero esquecer de todo mal que me  causaram. Hoje quero pensar em nada, só deixar a brisa bater – coisa de maconheiro isso né? – mas ainda assim, não me importo.  Nem todo dia sou dramática, nem todo dia sou sentimental, nem todo dia eu sou sua. Nem todos os dias vou querer sair a procura de você, tem dia que a única coisa que quero é esquecer o que fui e criar uma nova vida, uma nova história. Tenho vontade de escrever uma nova história para mim mas algo muito mais forte não me deixa, sempre dou algumas voltas no assunto e quando percebo estou escrevendo sobre a sua falta. Não devo mais pensar em você, nem ao menos escrever, afinal, já se se passou tanto tempo que aos poucos vou te apagando da minha mente. Aos poucos, o grande sofrimento se torna arte, um pequeno texto, uma frase bem ensaiada.
Claro que me dá um nó na garganta enorme quando vejo que está seguindo a vida conforme mandei. Você está sendo feliz e está fazendo uma pessoa também bem feliz, isso é o que importa, mesmo sabendo que isso me dói, continue assim. Não quero que nenhuma menina passe por aquilo que passei com você, não quero saber que existem outras desiludidas por sua causa. Mesmo sabendo que quando te conheci já havia meninas querendo te matar pelo fato de que não soube amar nenhuma delas. Mas sabe, estar longe de você me fez pensar no que havia me dado e no que havia tirado. A única coisa que consigo pensar hoje é que foi melhor assim, mesmo sabendo que ainda te procuro nos escuros, nas bebidas e na tristeza. Eu sei que tento me enganar todas as noites e todas as vezes que tento escrever um texto que tem nada a vê com você. Sei que tento disfarçar com aquela história de “Ah-você-está-bem-e-eu-estou-muito-bem-obrigada”  Mas preciso encontrar maneiras de seguir a minha vida, por pior que seja.
Sinto saudade que quase me esmaga todos os dias, sinto saudades te tentar ser bonita e de querer ficar cada vez melhor. É engraçado que quando me deixou, eu simplesmente esqueci que havia outras para me preocupar. Tudo isso é tão patético que chega a me dar dó de nossa história e daquilo que nos tornamos.  Não me arrependo de perder tanto tempo escrevendo para você, não me arrependo de querer  te reconquistar do meu jeito, mas me arrependo pelo tempo que perdi pensando que voltaria. Hoje eu sei, hoje a realidade invadiu tudo e tenho a consciência de tudo que está acontecendo. Você não vai voltar, conheceu alguém melhor. Você não vai voltar porque nosso tempo acabou. Eu já não faço mais parte do seu mundo, não somos mais nada, nem conhecidos. Você faz parte do meu mundo pelo fato das cartas mas além disso, pouco me recordo. Claro, tem dias que é impossível controlar a saudade aflita dentro de mim, mas às vezes é tudo tão mais fácil. É tão mais fácil não te amar, é tão mais fácil não amar ninguém.
Não quero que me destruam outra vez. Custei tanto para me reconstituir parte por parte que não deixo que me quebrem. Por isso fujo de tudo que possa me prender. Sei que posso lidar com algumas coisas que simplesmente não vão me prender, porque sei que sou passageira para eles. Sou passageira, não tenho um lugar fixo. Estou sempre indo e voltando, e obviamente me cansando dessas idas e vindas. - Não te amo, não te quero mais, não preciso de você -  Será tão lindo o dia que conseguirei falar essas frases sem olhar para trás e muito menos se arrepender.
Eu fujo porque tenho medo da dor, fujo porque posso destruir corações, fujo porque sou uma menina que não quer crescer. Fujo porque quero ser esquecida, quero que esqueçam o que fiz de mal. Fujo, apenas. E continuarei fugindo até a sua volta. 

18 de jul de 2011

Quem mesmo? It's me!





Não quero me apaixonar, e nem fazer planos em cima de ninguém. Sou virginiana, mas no fundo, tenho um pouco dos leoninos. Sou sonhadora, e assim, não se pode ser totalmente virginiana. Virginiana é segura, bem resolvida, organizada. Eu sou a bagunça em pessoa, a única coisa que tem mais ou menos a ver com tudo isso, é que sou perfeccionista em algumas coisas. Não gosto que me aprisionem, não gosto que me proíbem. Quanto mais difícil possa parecer quando dou por mim, estou lá tentando fazer o difícil se tornar fácil. Odeio não saber das coisas. Se perguntam se estou bem, preciso realmente ter a certeza se sim ou não. Sou individualista e egocêntrica, pouco ando me dando o valor. Não gosto que ficam ferindo o meu orgulho, isso me deixa mal. 
Sinto atração por aqueles que são meu inferno astral. Gêmeos, Peixe e Touro, que são minhas supostas atrações, não estão na minha lista. Na verdade, gêmeos sim, conheci um menininho lindo, cheio de vida, de luz, mas ele se foi, então, desencantei. Difícil por difícil, prefiro o meu bom e velho amor guardado por aquele que foi embora mas que nunca foi embora totalmente. Vou contar uma coisa, sou uma eterna apaixonada por não sei quem. Quando dou por mim, estou fazendo planos paralelos com alguém que vi uma, duas vezes. Tenho forte tendência a loucura – fora a depressão que sempre reside em mim - 
Não tenho vícios perigosos, apenas o de amar demais. Acho que esse é o meu maior problema. Não sei ser simples, nem sei amar pouco. Tudo isso me leva demais, me cansa demais, me deixa pesada demais e inacreditável demais. Tudo demais, e eu querendo ser pelo menos uma vez na minha vida menos. Cansei de ser a louca, a covarde e a devastadora de corações alheio. Todos os meus amores infernais seguiram em frente. Do feio ao que destruiu os meus sonhos. Absolutamente todos estão sendo felizes. E eu fiquei para trás, sem medo e sem paranóia alguma.
Sou dessas que te entrega os sonhos, as dores, as pessoas, a vida, literalmente em suas mãos. Sou dessas que poderá te acusar por um erro, mas poderá te elogiar por algo incrível que você fez. Sou a louca que poderá ser compreensiva, mas que ainda assim será a louca. Sou a triste, depressiva, que poderá te fazer sorrir por horas e horas mas que quando chega em casa realmente se transforma no que é. Eu sei sorrir quando estou triste, sei me fingir de triste quando estou feliz. Por isso, sei ser várias em uma só. Pouco sei quem eu sou e pouco faço questão de saber o que realmente quero. Vou contar e recontar milhares de vezes a história que me marcou e assim, quero que me contem outras histórias.  Cansei de criar planos e de querer algo impossível. Quero algo calmo que possa me trazer algo diferente. Nada dolorido, e nada tão ele – o menino que me deixou para trás -  Não sou bem resolvida, não sou a mais bonita e meu cabelo às vezes é horrível, mas sou essa que irá te ouvir, e irá te dar os melhores e piores conselhos. Te ajudarei a enfrentar o medo, e te ajudarei a suportar a dor. 
Na verdade, sou o que quero ser. Posso ser a louca, a carente, a dominadora. Posso manipular, posso me arriscar, posso até enfrentar o meu passado. Mas jamais deixarei de ser o que sempre foi. Jamais vou esquecer de como lutei para esquecer pessoas e de como consegui sobreviver a cada perda. Sou Layla, tenho dezessete anos, virginiana, sonhadora e muito complexa. E você? Quem é você? Qual é o seu papel na sua história? Se a dor vier, deixe que ela venha. Somente com o sofrimento aprendemos o que é o melhor. Quando a dor chegar, você saberá exatamente o que fazer. Sou sofrível, às vezes. Mas também sei ser cafajeste, e desapegada. Vou confessar algo. Eu deixo que me usem. Errado não é? Eu não me dou o valor, exatamente. Mas não me importo, minha essência é essa. Sou o grito, sou  o choro, o desespero, o problema em pessoa. Mas sou o carinho, a paz, e um pouquinho de sanidade. Afinal, quem consegue ser normal por completo? Quem consegue andar por aí conseguindo dizer nome de todas as pessoas sem deixar a tristeza chegar? Sinceramente eu não consigo.
Eu sou isso, sou o que você vê e o que sente ao me ler. Sou o teu texto, sou o último parágrafo. Posso ser o título mas posso ser apenas uma vírgula. Posso ser tudo, posso ser nada. Posso ser simplesmente o que acostumei sendo.  

O novo



Ele é um pegador. Eu sou uma quase louca. Mas fingimos. Ele é apenas um garoto mais velho, e eu sou uma menina. Então, nenhum mistério mas é tão patético que me faz suspirar e você não me ama, e eu não te amo. Isso é bem prático de perceber. Ninguém sabe de nós dois, na verdade, poucas pessoas sabem e existem aquelas que fingem que não sabem. Você assumiu para mim o que ninguém sabia , e eu fui sua, nua e crua.  Ninguém conhece a nossa história, nem ao menos sabe se somos ou não reais. E também, ninguém se importa em saber, nem nós dois. 
Eu não te quero por perto mas ouço seu nome, e me dá calafrios. Não falo de você com ninguém, consigo me comunicar em códigos mas não vou muito além de explicação. Você mexe com o que vai muito além de paixão ou razão, você consegue alterar o estado, o toque, a falta de presença que acaba se tornando fato marcante e promissor. 
Não tenho que criar planos porque você não passa de algo que se esquece uma noite, ou depois de algumas doses de conhaque ou até mesmo de José Cuervo. Você é esquecível e passageiro, mas tem um pequeno porém, comecei a entrar num estado de negação, num estado que não há definição alguma. Eu? Apaixonada por você? Nunca.
Ele tem todas as personalidades que me afeta, somos do mesmo signo (é karma isso?) e a acreditamos nessa merda de destino, que sem querer (conhece alguma mulher que pergunta algo sem querer? pois é, eu não conheço, e eu não pergunto nada sem querer) perguntei a ele se acreditava em destino, e ele simplesmente disse sim, um belo sim, um triste sim, um animado sim.
Você acredita em destino, amorzinho? Sim. Sim! Gente! Ele disse sim! Tem noção do que é um cara lindo, bem resolvido, desapegado, dizendo sim para uma pergunta tão boba quanto a sua? E pouco me importo, ele sabe que sou louca, mas finge que nada disso acontece.

Eu não sei o que vai dar essa história, até porque jamais daríamos certo ou se isso chegar acontecer não me sentiria culpada por ter um homem tão diferente e tão misterioso. Eu não sei nem o que eu sinto ou o que senti, só sei que coloquei fé, só sei que estou querendo acreditar nisso, mesmo que a minha cabeça diga mil vezes que é para evitar. 
Essa história nem precisa ser recordada, mas como é bom ter um quase amor novinho em folha com gosto de algo saudável. Como se o mundo não tivesse nada certo, como se realmente acreditasse em destino. Tudo bem sou muito mal resolvida que já estou planejando como irei me sentir quando você for embora. 

Sou tão diferente conversando com você, não sei, você quer se manter atualizado em meus assuntos sendo que sabemos qual esse assunto se tornará tema. Não quero ser usada, mas às vezes, quero esquecer esses clichês de usar e ser usada. Às vezes me dá vontade de esquecer essas teorias criadas e meter a cara sem dó no pecado.
Você me considera, e eu lembro pouco de você. Pouco para não dizer muito. E eu me dei à liberdade de poder criar esse texto, porque você não é conhecido, não é ainda, é apenas um estranho que conseguiu ser muito mais que um estranho. Você não é nada sutil, você é tudo que eu não quero, mas no fim, insisto. Porque de tanto não querer, eu passei a gostar.
Ele não sabe da minha história mas conhece muito bem cada parte do meu corpo. Cada curva e cada pintinha. E ele adora minhas três pintinhas nas costas. Ele adora o jeito que jogo o meu cabelo de lado, e o jeito que resolvo as coisas. E eu adoro quando ele toca violão, e eu adoro o jeito que ele ri. Sua voz tão melódica, tão calma - como se tivesse fumado todos os baseados - Mas ainda assim, eu o adoro.
Eu sei que se você quiser, você consegue. Mas é uma pena que eu não caia na tua lábia. É uma pena que eu sei quando serei diferente ou não. Eu fui apenas mais uma e queridinho, você também foi apenas mais um que virou personagem.
É uma pena que você seja tão desapegado quanto eu. É uma pena que você não vale o prato que come. É uma pena que tem dias em que acordo simplesmente querendo ser tua, nada além disso.
Você está tão bem e é tão lindo. Eu estou bem mas sou uma zumbi. Mas não me importo. Não hoje. Me deixe. Quero sonhar com você. Quero sonhar com o teu sorriso meio de pervertido e ao mesmo tempo tão  inocente. Me deixe sonhar com você e por favor, não me acorde, não hoje.



Ps: Fiz esse texto em Março e só agora criei coragem para publicá-lo. Pois é, esse novo se tornou passado já.

Escolhido



Todas as meninas sonham encontrar um cara que faça mudar o destino de cada uma. E obviamente, nem todas conseguem o esperado.  Mas ainda assim, continua naquela busca de encontrar um cara que você possa contar o seu maior sonho, porque sabe que ele vai fazer parte disso. Aquele que simplesmente passará a se tornar algo tão seu, como se fosse ele o escolhido para viver com você durante muitos e muitos anos. E por pura sorte ou loucura, eu havia encontrado um assim, ele passaria, a saber, de todos os meus sonhos e medos, eu contaria os meus pesadelos.  Sim! A menina que havia se tornado uma lenda bizarra na pré-adolescência havia encontrado um cara bonito que tinha sonhos bonitos e um mundo mais bonito ainda.  Parecia que depois de muito a perder, comecei a ganhar. Ganhar exatamente o quê eu não sei, mas tudo era muito divertido e eu tinha um homem que se dizia apaixonado por mim.  O cara obviamente lindo se tornava cada vez mais lindo, era uma progressão totalmente frenética e algo estava escrito entre minha vida e a dele.
Ele tinha olhos profundos, imensos e congelante . Seu toque me fazia arrepiar em fração de segundos e eu havia me apaixonado. Entrei naquela luta entre não-posso-me-apaixonar-por-você que acabei me apaixonando descontroladamente. Não me importei muito com os outros, eu o queria mais do que qualquer coisa. Não me importei se iria ou não me ver humilhada, mas não descansei, fui atrás, suguei a última gota daquela farsa. É, um homem fazia aquela menina bizarra idiota simplesmente deixar de ser idiota, ela se transformara apenas em bizarra.  Mas o pior de tudo isso é que enquanto todas as meninas estavam procurando o seu escolhido, eu já havia encontrado o meu e nesse exato momento, ele passou a não mais me querer. Ele foi embora como se fosse melhor fugir de algo que poderia ser a minha felicidade. Ele preferiu fugir de mim. Quer algo mais cruel do que isso?
E eu mal sabia continuar. Havia feito uma vida praticamente em cima do Escolhido. O Escolhido que eu poderia amar e seria recíproco, porque assim que funcionam as coisas. Não dá para bancar com um coração quase transbordando de amor, uma vida toda. Não dá para bancar a apaixonada o resto dos seus dias, pelo simples fato que a aflição tomou conta de tudo e o amargo da vida começou a pesar sobre os dias. Aos poucos, fui desistindo do que eu havia sonhado. Cortei a faculdade, cortei as minhas idas a livraria, e cortei meu textos. Fui me censurando dia após dia e quando dei por mim, estava sem nada e ninguém. E mal sabia o que queria da vida, na verdade, a única solução encontrada foi fingir que nada disso me importava. E percebi que sou uma ótima atriz. Passei a ser louca . Passei a ser louca e corajosa. Enfrento tudo, não deixo para amanhã.  Não sou de recadinhos, nem avisos. Se você quer, fala. Se não quer, esquece.
Eu fui embora também, não fiquei mais sozinha nos lugares que havia sua presença. Não queria aturar ninguém com aquela velha frase clichê de ter me avisado. Que ótimo para aqueles que me avisaram... isso tudo adiantou alguma coisa? Não, continuei sendo a mesma merda de sempre, mas claro, na versão piorada, a versão em que beber, olhar, e fuder com as vidas das pessoas que ousam se aproximar de mim.  Ele me transformou nisso. O meu escolhido que entregaria todos os meus sonhos, simplesmente me dava o maior pé na bunda de toda minha história. Por que? Por que eu nunca fui boa o suficiente para você? Por que você foi como os outros que me deixaram?
Tudo que vai, um dia vai voltar. Não me importo se será você que retornará ou se será eu. Mas o Escolhido se tornou apenas um cara idiota nos meus textos. Eu já não o vejo, não sei nem ao menos aonde está, mas de vez em quando eu me o encontro em meus sonhos, e acordo totalmente louca a procurando notícias em tudo que é lugar. Mas não encontro nenhuma pista e na verdade, é melhor assim. Todas as meninas sonham encontrar um cara que a faça mudar de vida totalmente, algumas deixam de beber, outras param de fumar, outras simplesmente esquecem o valor que a vida tem. Todas as meninas sonham encontrar um cara que faça os sonhos se tornarem reais, e os medos ficariam para trás. É uma pena que existem caras covardes, é uma pena que alguns não se importam com o que a outra pessoa sente.
Mas quer algo melhor do que isso tudo? Quando menos espera a sorte chega. Mais cedo ou mais tarde, o Escolhido some ou aparece de vez. Mais cedo ou mais tarde o mundo muda, seus projetos também, e tudo se tornará apenas uma memória de algum dia ruim. E aí percebi, não foi ele que foi o escolhido. A escolhida fui eu. O meu destino foi traçado de um modo bizarro e patético – por que não dizer igual ao uma novela mexicana?! – Mas no final das contas, vejo que nesse tempo todos me escolheram. Ele me escolheu e eu o escolhi. Mas é uma pena que não tenha dado certo, mas talvez tenha sido melhor assim, talvez. 

16 de jul de 2011

Migalhas


Migalhas/Esmigalhar : espedaçar, despedaçar, fragmentar. 

Olhe aqui! Veja o que me tornei. Lembra daquele meu sorriso contínuo? Lembrou? Então, ele sumiu. Virou apenas fase. Aparece quando quer, desaparece quando bem entender. Lembra do meu olhar profundo de quem só queria ser feliz? Se tornou isso. Se tornou um olhar pesado, um olhar triste. Lembra daquela menina que dizia que tudo havia passar e que iria ficar com você no final? Ela já não existe. Ela caiu, despedaçou-se. Ela sou eu. Estou em pedaços. Pedaços espalhados pelo mundo, pedaços espalhados sobre outros meninos. Apenas pedaços. Pedaços de ódio, de rancor, de profunda solidão. São apenas pedaços que poderá voltar a ser o que foi ou não. Não posso voltar ao passado, não posso rasgar todas as cartas e nem apagar de vez seu número da minha agenda. Não posso ignorar o passado, porque eu sei o que sou hoje – o que me tornei – é graças às atitudes de anos, meses atrás. Eu sonhei com você, e acordei mal, passei o dia inteiro de mau humor e só melhorei quando saí e pude realmente falar o quanto queria sobre você, tentei te ligar mas não me permitiram, mandaram eu me dar ao valor.  Tudo que vem acontecendo é patético, sem graça e muito triste. Olho para o espelho e não mais me reconheço, não sei mais quem sou de verdade ou o que sinto verdadeiramente. Sinto como se me partissem em um monte de migalhas. Tento criar um novo passado, com novas pessoas nele e com outras frases mas de qualquer forma, nenhum passado idealizado irá me curar. Não dá para esquecer o fato que fui desprezada ou deixada para trás por você, aquele que eu só quis bem. Não posso querer descontar minha raiva no mundo pelo simples fato que foi embora, não posso destruir corações só porque não sinto mais nada. Fui exposta ao ridículo e não me importei. Queria mais que os outros de percebessem o quão grande era o podre que carregava dentro de mim.  Eu te amei com uma intensidade inigualável, te amei sem freios ou sem motivo algum. Te amei por saber que eu iria acordar e você ainda continuaria lá. Te amei do meu modo: absurdo e intenso. E agora só sobrou as migalhas desse amor.
O mundo se tornou caótico demais, mal consigo me adaptar em algum lugar.
Olho para o lado e só consigo ver o vazio, e pior do que isso, meu podre é visível. Não choro, não reclamo, não falo mais nada. Aceito o que querem, e me calo quando é necessário. Não quero mais lutar contra o mundo, não quero lutar contra com o destino. E me vejo em migalhas, porque dói ser deixada e dói abandonar o que eu sempre quis tanto. Foi necessário deixar essa história para que você pudesse se tornar algo melhor. Foi necessário abandonar os meus sonhos para que me transformassem em algo que não sei exatamente o que é, mas sei que dói, dói muito. Um vazio enorme nessas linhas, uma aflição desesperadora dentro de mim, como se a qualquer momento pudesse mandar todos em minha volta calarem a boca, porque eu amo você e eu tive que te abandonar. E chorei, chorei mesmo, e vou continuar chorando até me ver longe disso tudo. O tempo passa rápido, menino. O tempo não me espera e eu preciso seguir em frente mesmo me agarrando nas lembranças , mesmo implorando para que tudo volte a ser como era. Mas não vai voltar. Não voltaremos a ser o que fomos. Você está longe demais para tentarmos algo. Eu pensei que você não iria me abandonar, pois é, pensei errado.
Foram risos, conversas e silêncios. Foi a carência batendo na porta e a loucura chegando com força, mas ainda assim havia barulho, havia festas, copos, pessoas. Agora não há mais nada, eu não quero mais nada. A loucura chegou, a solidão veio junto e pouco me importo. Não eram promessas, não eram frases-feitas, era apenas eu e você contra o mundo girando rápido demais. Não sou forte o suficiente para dizer adeus a quem eu só quis ter por perto, a quem as memórias ainda me rondam, a quem eu sonho todas as noites como se fosse um refúgio. Não é tão fácil quanto se pensa. Você me deixou, simplesmente isso e eu preciso escrever sobre isso para não enlouquecer de uma vez.
A dor é enorme, o vazio também. Mas minha vida amorosa é feito disso, dramas, choros e abandonos. Pela primeira vez pensei que seria diferente e não foi nada diferente, só foi um pouco mais intenso.  Para ser sincera só que juntar novamente os meus pedaços, só quero respirar aliviada sem esperar mais nada desse amor. Na verdade, não é amor, é algo muito mais intenso e medonho que isso. Eu só esperava que você voltasse, só esperava que pudesse te ver do jeito que eu o deixei. Eu só espero que o tempo passe rápido demais para que tudo se transforme em algo totalmente melhor. Porque não consigo mais enfrentar o mundo.  É como se houvesse algo em minha garganta que não me deixasse respirar em paz. Algo prende a minha respiração e tudo que eu mais quero é ir embora. A loucura bateu em minha porta e eu abri. A solidão deu passagem e foi embora mas prometeu que voltará. Mas o amor, o amor que era melhor ter ido embora, ajoelhou-se implorou para ficar e como sou uma menina boa, deixei. Deixei o amor ficar.
O silêncio predominou desde que você foi embora. Olho para o lado procurando algo que não sei mais o que é. Olho procurando, caçando alguém que possa um dia substituir tudo isso, mas não há ninguém, não existe alguém para que possa mudar essa história toda. Só nós dois poderíamos dar um novo final, mas não há mais você aqui, você foi embora, e eu fiquei. Não há mais seu rastro, não há mais seu sorriso, não há mais nada. Tudo se acabou. E eu me acabei junto com a nossa história. Os meus pedaços se espalharam por aí, feito migalhas. São apenas migalhas, são apenas pedaços nossos.

13 de jul de 2011

Saudade insana




Saudade: latim: solitas - atis - solidão 
Insana : fem. insano. - louco, contínuo, excessivo, demente.

Acordo e sinto algo intenso dentro de mim. Me olho no espelho, vejo olheiras, vejo um olhar cansado e cabelo todo jogado. Saio meio cambaleando do quarto, vou até as escadas e me sento no primeiro degrau, e começo a sentir algo mais intenso do imaginava. Uma loucura com forma de outra coisa que não sei o nome, uma loucura, uma solidão de uma profundidade sem tamanho. Mas aí tenho vontade de te procurar, é saudade, calma, só saudade. Mas celular foi roubado e você deve estar dormindo. Você deve estar com alguma menina ou com alguma garrafa de vodka vazia no seu quarto. Preciso voltar para cama, eu penso. Volto para cama, me deito e encolho, na verdade, me encolho e sumo de baixo de tanto edredom. Tudo que consigo pensar é no quão amei, o quão idolatrei, e o quão fui burra nessa história. O prêmio Nobel da burrice e do amor exagerado deveriam me entregar. Vamos Layla, levante e não fique louca.  Sei que levarei em mim cada ponto seu. Cada frase mal dita, cada silêncio declarado. Vem, sente ao meu lado, me conte, por que me abandonou?
Exagerava o amor e estava beirando a loucura. Ria se você estava feliz, chorava se você chorava, e sonhava todas as vezes que poderia te ter por perto. E só isso me faz ficar aflita e desesperada, porque de vez em quando a saudade bate a minha porta e a loucura só fica mais aguçada. Eu? Me recordar? Não, estou seguindo em frente, estou sendo feliz e até mesmo amando outro menino?  Avá! Quem você quer enganar hein? Você sente saudades, uma saudade desesperadora, uma saudade constrangedora que chega até mesmo ser silenciosa, pelo fato que ninguém ao seu redor se importa mais com seus dramas sobre gostar tanto de alguém que nem se lembra mais. Tadinho! Pobre menino que me deixou. Virou o vilão, o destruidor de vidas e sonhos, o aniquilador de esperanças. Quanto drama, quanto vazio, quanta solidão. Meu amigo diz que depois que você foi embora, deixou em mim um vazio do tamanho da lua e exagero a parte, tudo isso é real demais, dolorido demais, escrito demais. Você foi embora e deixou uma cratera inflamada dentro do meu peito. Levou embora tudo que eu poderia sonhar, levou embora a esperança, e deixou uma saudade, uma saudade sem forma mas com nome, nome, endereço e namorada. Esqueci que sou arrogante e comecei a ser humilde. Comecei a aceitar a vida, comecei a ser cínica e conclui o inacabado. Eu poderia muito bem continuar usando as pessoas só para esquecer essa saudade entalada dentro de mim, mas não, prefiro dormir, porque aí a vontade acaba e a saudade some.
Tudo na vida tem um preço, alguns caros demais, outros parecem até mesmo esmolas. O preço foi alto : Viva e desista dele ou Pare ou insista nesse podre que você chama tanto de ELE. Mas não me importei, o que eu queria mesmo era que essa saudade parasse de arder tanto. Pergunto para Deus e o mundo se você chegou a me amar. Ah Layla, amar não sei, mas gostou bastante. Ah Layla, ele deve ter gostado sim.  Ah Layla, sua louca, desista dele, ele só te fez sofrer. E eu adoro quando meus amigos são realistas comigo pelo fato de mandar seguir a vida e esquecer tanto o que você me ensinou. E é só mais um dia que a saudade aumentou. Pobre saudade, saudade e mais saudade. São esses dias que você desenterra o assunto, desenterra as lembranças e repara que já não se lembra de quase nada porque se passou muito tempo.
A memória vai ficando vaga e mal consigo me lembrar do tom da sua voz ou da profundidade de seus olhos. Me mandam ficar calma.  Calma nada , é só saudade, e saudade não passa, ela aumenta. Então, não há motivo algum para se acalmar sendo que saudade só aumenta. Tudo isso se torna patético demais, mas é dia de desenterrar esse amor. É dia de procurar mensagens, rastros e sinais perdidos, ou alguma prova que realmente tudo isso existiu. Mas ainda assim é uma saudade patética de um dia patético. Recordei-me de tudo. Recordei de todas as noites que liguei só para dizer “Ah, não é nada não, tchau”. Recordei de quando você me ligava e eu me sentia pronfudamente bem. Recordei de tudo, um filme passou dentro de minha cabeça enquanto fechava meus olhos para dormir e aquela vontade insana de chorar veio com força. Segura o choro, vamos lá. Respira, inspira, vai, não fica louca, você tem uma vida pela frente, vamos vamos! Meu mantra foi feito e eu não posso ficar louca de vez. Preciso viver, preciso ficar bem, preciso até mesmo ser feliz mas tudo isso me deixa com preguiça.
Não ficarei louca, nem bêbada. Se bem que a única que consegue me aturar nessas fases é a bebida. São copos e mais copos de vazio e crueldade. Corpo mais leve, cabelo jogado de lado, olhar intenso. Foda-se o mundo. Foda-se as ideologias baratas de amores eternos, é apenas uma saudade insana que precisa passar. Eu sinto saudade de ser sua, de caminhar pelo mundo e ter a consciência que ainda era sua. Sinto saudade quase desesperadora quando te vejo feliz e percebo que não faço mais parte dessa sua felicidade. Sinto saudade de ouvir sua risada ofegante ou de dizer inúmeras vezes que tudo estava bem e que você estava bêbado demais para falar comigo ao telefone. Eu só sinto saudade, uma saudade insana, imensa e devastadora. Uma saudade que pode tocar fundo tudo que passamos e tudo que deixamos de ser. É apenas saudade insana que poderá passar hoje mas poderá não passar nunca mais. 

11 de jul de 2011

A carta



Alfenas, 11 de julho de 2011
                               Para o menino lembrado,

Escrevo essa carta não com a intenção de fazer com que se sinta mal, escrevo porque quero que leia quando esquecer de vez do que fui para você. Talvez te entregue, talvez mais tarde rasgue, talvez simplesmente posso ignorar e continuarei vivendo do jeito que sei. As cartas são para lembrar que alguém perdida nesse mundo te amou muito. As cartas não são motivos para que você chore, as cartas são grandes motivos para que fique alegre por saber que existe uma menina, complicada, difícil, com pensamentos terríveis, mas mesmo assim, ainda quer o seu bem. Apesar de tudo, quero que tenha fé e que esteja em paz.
Sempre me apaixonei fácil, sempre criei planos e alguns deixei para lá. Entre todas as confusões que criei lá estava você. Mesmo que nevasse, chovesse, o rio transbordasse ou o oceano secasse, lá estava você. Depois de tanto tempo posso dizer a nossa história sem querer chorar, mas às vezes chega o desespero, e olhe só, não somos mais o mesmo. Escrevo essa carta só para poder lembrar que eu quis mais do que poderia. O único erro foi te amar mais do que merecia, mais do que eu suportaria, mais do que o destino queria. Fui contra a maré, fui contra o destino e aquelas teorias idiotas de menina que é bem resolvida. Fui contra tudo e todos, e a única coisa que desejava era te encontrar no final dessa história.  Ignorei a minha urgência de amar o mundo e resolvi me aquietar, resolvi ficar só nesse amor porque era menos destrutivo, e engano meu, esse amor só me sugou e me deixou assim – algo que não há muita explicação -  Não importei se iria ficar no patamar de louca ou de santa, não me importei se o mundo iria ver que eu estava esgotada desse amor. E agora sei que muita coisa poderia ter sido evitada, muita expectativa poderia ser anulada e o sentimento poderia ser esquecido.
Não sei mais o que o mundo quer, ou se continuarei com a minha máscara de não sentir mais nada.  Na verdade, criaram isso. De tanto me baterem, eu aprendi a surrar. De tanto gritarem ao meu ouvido, hoje sou eu que grito e não deixo mais ninguém fazer isso comigo. De tanto desprezarem o meu amor, hoje sou eu que faço questão de desprezar.  Mesmo que eu fosse uma insensível você continuaria lá, me esperando ou falando como se deve viver. Você me ensinou tantas coisas, e me tirou o que eu mais precisaria ter nessas horas, você me tirou a paz. Você jamais falará novamente comigo, e isso pode ser tão triste aos meus olhos, mas para os outros, isso é tão normal. Você jamais voltará, você jamais será para alguém o que chegou a ser para aqueles que me acompanham.
Poderia muito bem dizer o seu nome, poderia até mesmo gritar para o mundo o quão essa dor invade o meu peito, mas prefiro o silêncio.  Prefiro fingir que estou ignorando, prefiro fingir que está-tudo-bem-sem-você-aqui. Você disse que sou uma menina forte mas sei que se eu fosse forte o suficiente já teria seguido minha vida conforme o mundo quer. Claro que desejo seguir em frente, claro que quero passar por outras situações, mas o amor que carrego dentro do peito é tão pesado que me fez ficar parada. Me vejo parada, e o mundo ao meu redor se movimenta rápido demais, e o que mais desejo é sentar no chão e apoiar meu rosto em meus joelhos, porque não aturo mais nada disso em cima dos meus sonhos.  
Me perguntei todos os dias o que eu era realmente e aos poucos fui descobrindo que sou uma junção de tudo que passei. Sou o amor que sinto, sou as lágrimas daquela noite em que você me mandou embora, sou a esperança despedaçada e sou o impossível, sou um pouco do seu desprezo, sou feita dos silêncios e dos berros, das dúvidas e das respostas. Sou o que você queria e o que eu deixei de ser pelo fato de não querer mais ser o que você escolheu. Sou a dor, a alegria e o amor. Sou o que não sei, o que não entendo, mas sei que sou o que escrevo.
Mas menino, já se passou tanto tempo e só consigo pensar que já não posso mais escrever sobre você ou sobre o meu amor. Já sei que você tem outra, e eu só quero saber de beber.  Enquanto você se diverte com meninas, eu me divirto com copos de tequila ou vodka, e assim, o tempo está passando cada vez mais rápido, talvez seja o nosso fim. São oito meses, e eu ainda gosto tanto de você.  Não me importo se vão falar ou reclamar sobre o que me tornei. Não estou me importando com a conseqüência, só sei que entrei no estado em que vale tudo para te deixar para trás. Sem você por perto é estranho, sombrio e difícil. Foi difícil entender que foi só um engano e o nosso amor jamais voltará a ser o que foi, na verdade, o meu amor não voltará a ser o que foi – não sei se você me amou verdadeiramente – Tive medo, tive coragem e tive fé, hoje, não tenho mais nada. Estou neutra, não me importo se meus sonhos vão ou não se realizar, não me importo se dez minutos depois de escrever, eu esteja chorando ou rindo descontroladamente, não me importo, não mesmo.Sei que posso te procurar e você não irá me responder porque nos afastamos. Não tenho mais o direito de me infiltrar na sua vida, e quero te mandar embora de vez da minha. Quero logo o dia que conseguirei respirar aliviada, quero logo o dia que poderia falar seu nome sem a dor pesar. Quero logo o dia que poderia andar por qualquer lugar sem a esperança de te encontrar. Quero parar de vez de te ver em cima de outras pessoas. O mundo é cruel, é uma verdadeira merda, mas é preciso enfrentá-lo. É preciso enfrentar o medo, a dor e o amor, e depois de tanto tempo consigo aprender isso.
Vou fazer o que você me ensinou. Você me ensinou a ser cruel, é um ótimo professor. Você me ensinou o quão dolorido é o silêncio, e o quão esperado é um retorno. Você me ensinou que o mundo é cheio de boas intenções e que preciso me aproveitar delas. Você não criou um monstro, você só me mostrou o que eu não queria enxergar.  Com ou sem você, preciso ignorar esse amor, esse caos e até mesmo a dor inflamada. Com ou sem você, seguirei as cegas, sem me importar se na esquina há a minha felicidade ou se na próxima avenida te encontrarei. Estou partindo e quero que fique bem. Não sei aonde você está mas se lembre, eu estarei em algum lugar, esperando que você fique cada vez mesmo. Não espero que você volte. Espero que seja feliz com ou sem a minha presença.
Sei lá, só quero que tudo acabe.

Ps: Estou melhor, mas acho que preciso controlar a bebida. Ela me faz esquecer e isso é um perigo (Se bem que isso me salva )
Ps²: Acho que estou superando.
Ps³: Ah, não tenho mais nada a dizer.

                     De sua menina já esquecida,  
                                                               Layla Péres

Layout: Bia Rodrigues | Tecnologia do Blogger | All Rights Reserved ©