26 de out de 2013

Amor não se pede - Tati Bernardi





Se implorar resolvesse, não me importaria. De joelho, no milho, em espinhos, agachada, com o cofrinho aparecendo. 
Uma loucura qualquer, se ajudasse, eu faria com o maior prazer. Do ridículo ao medo: Pularia pelada de bungee jump.
Chorar, se desse resultado, eu acabaria com a seca de qualquer Estado, de qualquer espírito.
Mas amor não se pede, imagine só.
Ei, seu tonto, será que você não pode me olhar com olhos de devoção porque eu estou aqui quase esmagada com sua presença? Não, não dá pra dizer isso.
Ei, seu velho, será que você pode me abraçar como se estivéssemos caindo de uma ponte porque eu estou aqui sem chão com sua presença? Não, você não pode dizer isso.
Ei, monstro do lixo, será que você pode me beijar como um beijo de final de filme porque eu estou aqui sem saliva, sem ar, sem vida com a sua presença? Definitivamente, não, melhor não.
Amor não se pede, é uma pena.
É uma pena correr com pulinhos enganados de felicidade e levar uma rasteira.
É uma pena ter o coração inchado de amar sozinha, olhos inchados de amar sozinha. Um semblante altista de quem constrói sozinho sonhos.
Mas você não pode, não, eu sei que dá vontade, mas não dá pra ligar pro desgraçado e dizer: Ei, tô sofrendo aqui, vamos parar com essa estupidez de não me amar e vir logo resolver meu problema?
Mas amor, minha querida, não se pede, dá raiva, eu sei.
Raiva dele ter tirado o gosto do mousse de chocolate que você amava tanto.
Raiva dele fazer você comer cinco mousses de chocolate seguidos pra ver se, em algum momento, o gosto volta.
Raiva dele ter tirado as cores bonitas do mundo, a felicidade imensa em ver crianças sorrindo, a graça na bobeira de um cachorro querendo brincar.
Ele roubou sua leveza mas, por alguma razão, você está vazia.
Mas não dá, nem de brincadeira, pra você ligar pro cara e dizer: ei, a vida é curta pra sofrer, volta, volta, volta.
Porque amor, meu amor, não se pede, é triste, eu sei bem. É triste ver o Sol e não vê-lo se irritar porque seus olhos são claros demais, são tristes as manhãs que prometem mais um dia sem ele, são tristes as noites que cumprem a promessa.
É triste respirar sem sentir aquele cheiro que invade e você não olha de lado, aquele cheiro que acalma a busca. Aquele cheiro que dá vontade de transar pro resto da vida.
É triste amar tanto e tanto amor não ter proveito. Tanto amor querendo fazer alguém feliz.
Tanto amor querendo escrever uma história, mas só escrevendo este texto amargurado. É triste saber que falta alguma coisa e saber que não dá pra comprar, substituir, esquecer, implorar.
É triste lembrar como eu ria com ele.
Mas amor, você sabe, amor não se pede. Amor se declara: sabe de uma coisa?

Ele sabe, ele sabe.

18 de out de 2013

Não é mais uma história de amor




Não é uma história de amor, nunca foi. Não é uma história sobre um casal bonitinho de filme americano. Não é sobre uma história de um casal que irá se reencontrar no futuro. Não é mais uma história de amor, e sim, de terror. De vazio. De sombras. De silêncio. De saudade exorbitante e cínica. De saudade. Só saudade.
Olhei para o teto do meu quarto e me joguei na cama. Pedi uma luz divina qualquer. Se ele gosta de mim, Deus, me dê uma luz, não precisa ser uma claridade enorme, eu aceito apenas uma pontinha só. E pela ironia do destino, depois de muito tempo de revolta com a minha fé, eu estava pedindo algo para Deus. Não houve luz alguma até porque todas as luzes e as escuridões possíveis já tinham aparecido e desaparecido. Vai Deus, me dê um sinal. Mas não houve sinal alguma. Nenhuma SMS, nenhum aviso no facebook, nenhum aviso celestial, nada, nadinha. E dessa vez, me dei por vencida. Recolhi minhas peças e fui embora dessa história mesmo sabendo que nunca vou embora realmente.
Queria muito dizer o quanto fiquei triste o quanto me deu vontade de chorar, mas primeiro, eu gostaria de agradecer. Graças a você, eu voltei para a vida. Graças a você, conheci pessoas legais, homens interessantes, mulheres chatinhas e estranhas, mas ainda assim, era tudo que eu precisava naquele momento. Graças a você, tentei ser mais bonita, mais bem resolvida, mais mulher e menos menina indefesa do mundo. Graças a você, eu sorri de novo. Conheci outros perfumes, outras rotinas, outras vidas. Graças a você, eu aprendi a separar sexo do amor. A entender as pessoas. A ler mais coisas. A compreender mais a vida e a questionar mais as boas intenções das pessoas. Graças a você, eu quis ser melhor para você, para mim, para o mundo. Graças a você, eu voltei a escrever e isso é tão legal. Graças a você, eu tomei impulso e resolvi que está passando a hora de ir embora daqui. Obrigada, campeão. Lembro quando te vi pela primeira vez e senti todo o peso do mundo no meu estômago. Era uma mistura de medo e libertação. Era como se o mundo estivesse me libertando para ser outra pessoa e eu me sentia tão impura e tão imortal. Lembro que senti minha gastrite atacar e eu quis desaparecer nos teus braços, e quis aparecer no teu mundo. Tudo era muito maior do que eu imaginava, e do que eu esperava. Tudo era bem melhor do que eu pensava então, pronto. Vida, estamos de volta, querida!
Coitada. Coitada de mim e da vida, isso sim.
Você me chamou uma ou duas vezes de amor mas eu fingi que não ouvi. Nosso ego é muito maior que a nossa vontade de sermos de verdade, e eu não sei se você sabe disso. Nosso ego é maior que qualquer sentimento que eu pudesse sentir. O teu ego é muito maior que o meu complexo de inferioridade e das minhas crises existenciais. A pessoa que conhecia cada parte do meu corpo é a mesma que me ignorava nas festas. A pessoa que sabia cada pinta do meu corpo é aquela que passava com a outra menina e do meu lado (e como se não bastasse, ainda pisava no meu sapato novo). A pessoa que sabia que eu não era tão grossa é a mesma que hoje, me fez escrever esse texto. É libertador saber que agora, posso seguir mais uma vez a minha vida sem muito o que reclamar. Mas eu não gosto de pensar que não vou mais me sentir tão livre e tão diferente de tudo aquilo. Lembro das poucas vezes que conversamos seriamente.
Você me disse palavras duras e eu apenas foquei o meu olhar para o vácuo e quis morrer ou chorar ou te dar um soco. Você me disse palavras tortuosas e eu apenas concordei porque não havia mais nada para dizer e nem para chorar. Lembro que me despedi dando lhe um beijo na bochecha e você me olhou com uma cara de que eu havia ficado louca de vez. Eu fui sua. Eu sempre fui sua nesse tempo e não há quem duvide disso. E não há que não concorde. Minha postura curvada e meus olhos distantes era para não atrair homens para perto e se algum chegasse a dizer algo, simplesmente, ignorava e seguia o meu percurso.
É difícil reconstruir uma vida agora. É difícil e trabalhoso apagar teus vestígios no meu mundo. É difícil, trabalhoso e tenho preguiça de reconstruir uma vida agora. Me dá uma dor no peito e algo ruim no meu estômago e eu sei que é por sua culpa, por culpa de suas merdas, por culpa da minha decisão. Antes que seja tarde demais, eu estou indo embora. Antes que seja tarde demais, estou me despedindo de você, do seu mundo tão vazio, e tão superficial. Antes que seja tarde demais, quero me ver livre de toda essa confusão que criei. Antes que seja tarde demais, quero desistir dessa relação, que somente eu, vi futuro. Antes que seja tarde demais, quero ir embora antes que você vá.
Por mais que seja difícil, por mais que eu queira desistir de tudo e dormir até o século que vem, continuo na batalha de te deletar do meu mundo. Mesmo que você seja um grande babaca, nunca se esqueça que você fez parte de mim e da minha vida. Mesmo que amanhã, você esteja com ela, e eu esteja chorando, não se esqueça que eu gostei infinitamente mesmo odiando essa ideia. Mesmo que amanhã tudo evapore, lembre-se que eu te quis, quis muito mas que fui vencida pelo cansaço. Depois de muito tempo batendo em uma porta que nunca quis abrir, eu coloco minha vontade para dormir, e volto para a minha vida, para a minha história, para o meu tempo.
Não é mais uma história de amor, e talvez, seja uma história de como recomeçar e esquecer.
Esquecer para libertar.
Esquecer para seguir.
Esquecer só para existir.

Tchau. 







9 de out de 2013

Caio F. Abreu: Vera Antoun




" (...) Eu ia te escrever qualquer dia, eu tinha - e tenho - um monte de coisas pra te dizer, aquelas coisas que a gente cala quando está perto porque acha as vibrações do corpo bastam, ou por medo, não sei. Mas as coisas todas, externo-interno, eram muito difíceis e escuras, eu não tinha condições de mostrar ou dar nada a ninguém que não fosse também escuro, compreende? Eu não queria, eu não quero dar trevas, dor, solidão - eu quero dar luz, calor, amparo
(...)
Eu te amei muito. Nunca disse, como você também não, mas acho que você sempre soube. Pena que as grandes e as cucas confusas não saibam amar. Pena também que a gente se envergonhe de dizer, a gente não devia ter vergonha de falar o que é bonito. Penso que a gente vai se encontrar de novo, e que tudo vai ser mais claro, que não vai haver medo ou coisas falsas. Há uma porção de coisas minhas que você não sabe, e que precisaria saber para compreender todas as vezes que fugi de você e voltei e tornei a fugir. São coisas difíceis de serem contadas, mais difíceis de serem compreendidas - se um dia a gente se encontrar de novo, em amor, eu direi delas, caso ao contrário não será preciso. Essas coisas não pedem resposta nem ressonância alguma em você: Eu só queria que você soubesse do muito amor e ternura que eu tinha - tenho - pra você. Acho que é bom a gente saber que existe desse jeito em alguém, como você existe em mim. (...)"



Caio F.

4 de out de 2013

Recolha



Eu queria terminar a história gostando de você. Eu queria continuar a seguir minha vida, gostando aos pouquinhos do seu jeito. Porque quando acabar, não vai sobrar nada. Porque quando eu sair por aquela porta, não vai mais haver sentimento algum e isso é tão triste, tão chato, tão repugnante. Aquele cara que me deixava com um buraco do tamanho do universo é o mesmo que agora, me deixa tão repulsiva, tão apreensiva e todas aqueles adjetivos que possa traduzir o tamanho de desprezo. Porque se desse, eu seria sua e pronto, ninguém mais teria que se meter. Só que não dá, na verdade, nunca deu. Me lembro que toda aquela imensidão era maior que a minha própria existência. Me lembro que via teus olhos tão de perto, e eu sentia que seria devorada por aqueles olhos tão vazios que não me contavam nada. Lembro que sentia teu perfume tão perto, e tão intensamente, que acabava me tornando parte de sua fragrância. Lembro de todos os erros e todos os quase acertos. Lembro do vazio, da solidão imensa e profunda que sentia mesmo quando tinha você ao meu lado. Lembro que chorei. Chorei muito. Chorei inúmeras vezes porque não fazia mais sentido. Eu não queria mais e mesmo assim, eu insistia até a última gota. Te obriguei a me dar valor, porém, foi em vão. Foi tempo perdido, foi um tempo triste. Foi, apenas.
Engoli muitos sapos, tenho vontade de cuspir a sinceridade de volta. Engoli mentiras e desejo imensamente vomitar sinceridades em cima de você. Não quero voltar mas também não quero ir. Cheguei ao ponto seco da história e não há mais graça alguma, porque é isso aí, campeão, it's over. A partida acabou, recolha suas cartas e leve seu prêmio. Recolha as cartas e seus lixos. Recolha sua vida que está dentro da minha. Recolha teus sonhos ausentes, tua voz firme e tuas garotinhas. Recolha teu silêncio que está preso em mim. Recolha seu passado, seu presente e seu futuro. Recolha aquele tempo perdido e me devolva o que eu perdi com você. Recolha tudo, e me jogue fora. Recolha e não queira me arrastar contigo. Recolha, isso, me tire de uma vez do seu mundo. Isso, isso mesmo! Recolha, isso. Me dilacere mais um pouquinho, mais um cortezinho naquela lembrança ali. Isso! Diga que não me conhece. Diga que nunca me viu e que sou louca. Diga que não sabe quem eu sou e que o meu perfume nunca foi parar no seu travesseiro.
Faço uma pausa rápida para tentar acompanhar a música que toca. "E para não chorar/ Eu só vou gostar de quem gosta de mim". Eu também, Caetano. Eu não quero mais chorar, e nem mais amar. Não quero ir embora mas também tenho a plena certeza que não quero ir embora. Talvez, quero ir embora, bem aos poucos. Mas talvez, lá no fundo, eu quero ficar.  "A vida é assim/ Eu falo por mim/ Pois eu vivo sem ninguém". De uma vez por todas, eu te peço que me deixe gostando de você, do seu mundo, das suas gírias. Te peço para que não seja tão apelativo. Deixe que os nossos laços sejam cortados naturalmente. Deixe que o fim chegue sozinho, sem aos menos a nossa ajuda, mas peço que por favor, recolha seu mundo do meu porque não há mais motivo para ficar aqui.
Fui e infelizmente, ainda sou capaz de muitas coisas que não acho certo ou que se acho certo, prefiro não entrar muito em detalhes. Tenho medo de encostar nessa feridinha e sangrar. Tenho medo de esbarrar novamente e sangrar até não poder mais. Vejo essas novas pessoas fazendo parte de nossas vidas, e que não há mais conexão física e nem mental. Não há conexão alguma. É como se o meu corpo estivesse fechado novamente e nada se encaixa. Eu não me encaixo mais e não quero me encaixar. Sabe, quero que recolha pela última vez os meus cacos, os meus sonhos, e o meu toque. Quero pela última vez te dizer que por mais que sangrei ao te ver desperdiçar e esmagar meus sonhos, eu gostei intensamente de você. Gostei de todas as formas que alguém pode gostar de outra pessoa. Mas como diria a música "E para começar/Eu só vou gostar de quem gosta de mim..."



 Só vou gostar de quem gosta de mim - Caetano Veloso

3 de out de 2013

Quando fui embora



Eu fui embora naquela tarde de sábado ensolarado. Fui embora e eu te vi descendo aquele morro, sendo tão estranho, tão elétrico, tão meu. Parei naquela esquina e olhei você correndo, meio tropeçando, meio sendo feliz. É engraçado que depois de anos, eu só consigo me lembrar dessa cena: Eu parada na esquina, te vendo descer a rua para ir embora da cidade. Hoje, completa três anos que a gente não se vê, não se fala, não se sente. Hoje, peguei o dia para dizer que sim, eu te amei muito. Amei sem bloqueios mas com muita neurosa, porque pela primeira vez na minha vida, eu estava apaixonada por alguém que também sentia o mesmo por mim. Amei com muito medo e com muito desespero. Amei sem motivos. Amei, apenas.
Minha vida estava muito complicada quando você chegou. Minha vida estava um caos mas eu tinha você. Por mais difícil que estava, eu tinha você na minha vida, na minha história. Por mais que eu pensasse em morte, suicídio e todas aquelas loucuras, eu tinha você. E você me amava. Você me amava muito. E eu sabia disso.
Lembro de toda a sensação absurda que eu sentia ao te ver. Era uma vontade louca de querer enfiar no meu mundo mas ao mesmo tempo, era uma vontade absurda de sair correndo. Você odiava me ver com esmalte vermelho e eu apenas ria, ria muito. Eu não iria mudar meu esmalte por você, mas eu estava disposta a ser muito mais que uma menina numa tarde ensolarada de sábado. Eu estava disposta a ser muito mais que uma menina sozinha, numa tarde ensolarada, de um sábado, de um agosto-de-Deus. E você também estava disposto a participar da minha vida, da minha confusão e de todo aquele caos interno que eu vivia. Você sempre reclamou que eu nunca havia feito um texto sobre você, mas aqui está, ó. Depois de três anos, aqui está o seu textinho.
Sempre te disse que eu não era o suficiente para você, mas na verdade, eu fui o suficiente para mim e para você, naquele tempo. Fui sua bagunça interna, sua confusão e teus ciúmes. Fui seu sábado, seu domingo. Fui sua pracinha perto daquele ponto de ônibus. Fui seu tudo. Você também foi meu tudo, e acho que sempre será. Sempre acreditei que amor não acaba. Se é amor, logicamente, não acaba. Apenas muda de posição, forma e intensidade. Eu te amo. Sim, mas não quero te ter de volta na minha vida. Eu te amo com a forma de outra pessoa amar a outra sem intensão alguma de tê-la em sua vida. Te amo profundamente e dane-se o resto, porque o amor é meu. Tudo isso é meu.
Quando você soube que eu não queria mais viver, você apenas disse a uma amiga em comum:
- Nossa Clarice Lispector não quer mais viver, e isso é triste.
Eu chorei muito e intensamente. Mas chorei porque você havia me comparado, chorei porque você queria que eu vivesse muito e eu só queria morrer. Chorei muito. Assisti na mesma noite Sex and the City e chorei. Chorei porque tudo havia acontecido muito rápido e eu tinha que terminar. Fui embora do seu mundo. Não para sempre, do mesmo jeito que você nunca foi embora do meu mundo verdadeiramente. Acordei com essa vontade louca para te escrever porque eu sei que você me entende. Você me entende e me lê. Você me entende e sabe que eu vou ser sempre apaixonada pelas balas de gelatina. Eu me lembro dos teus olhos tão próximos, do teu sotaque tão mineiro, das suas marcas. Hoje, é aniversário de quando fui embora. Então, toma esse texto como presente para a sua vida. E saiba que, não fui mulher demais, e nem você foi homem demais, fomos tudo que tínhamos que ser.



Nota: A imagem é de um trecho de Paulo Leminski.




1 de out de 2013

Caio F. Abreu: Jacqueline Cantore





" (...) Fiquei pensando nessas coisas e lembrei duns versos de Bob Dylan, que me vieram em português — não sei em inglês, nem de que canção seriam: “Se eu quisesse, poderia enlouquecer/sei tantas histórias te rríveis”. Algo assim (...) Mas não vou ceder. Foi a ultima paixão. Paixão é o que dá sentido à vida. E foi a última. Tenho certeza absoluta disso. Agora me tornarei uma pessoa daquelas que se cuidam para não se envolver. Já tenho um passado, tenho tanta história. Meu coração está ardido de meias-solas. Sei um pouco das coisas? Acho que sim. Tive tanta taqui cardia hoje. Estou por aí, agora. Penso nele, sim, penso nele. Mas não vou ceder. Certo, certo: ninguém tem obrigação de satisfazer ao teu desejo, pela simples razão de que você supõe que teu desejo seja absoluto. Foda-se seu desejo, ora. Me dói não ter podido mostrar minha face. Me dói ter passado tanto tempo atento a ele — quando ele nunca ficou atento a mim. E eu passei tanta coisa dura. Rita Lee canta “são coisas da vida”. 
(...) Mas é isso. “Porém, com perfeita paciência/ sigo a te buscar/hei de encontrar.” Quis morrer de novo, engoli outra rejeição — mas estou vivo e, sinto muito, vou continuar. Te quero imensamente. Meu coração bate forte. " 
  

Caio F. 



(Carta de Caio Fernando Abreu a Jacqueline Cantore)


Coisas da vida - Rita diva Lee



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