13 de nov de 2010

A Mulher-menina & o Menino-Homem. Em um mundo que ninguém sabe.




Era uma menina. Era uma mulher. Mulher feita com menina. Menina feita de mulher. Era louca e sempre brigava com a realidade, que na maioria das vezes, falava mais alto. Escrevia cartas num mundo escuro. Cantava alto em uma cidade que havia somente surdos. Enxergava o que não havia. Principalmente. Enxergava o amor dele. Que era algo que não existia e que nunca existirá. Pobre menina. Acreditava nos contos de fada. Acreditava no amor. Na pureza da vida. Na pureza do amor. Acreditava que tudo que sentia era sincero e que havia alguma recompensa mais tarde. Poderia ser daqui uns anos, mas haveria. Cheia de sonhos seguia. Cheia de amigas, também. E o principal, cheia de amor. Era tão cheia que quando acontecia algo bom, não conseguia flutuar. Era pesada.
A menina havia sofrido. Chorado. E cantava cada vez mais alto. Mas sua voz era rouca, mas como todos eram surdos, ela poderia cantar. Olhara sempre o menino. O menino dos seus olhos e dos seus sonhos. Olhara e sabia que aquilo tudo era farsa. Era invenção. Não era mais amor. Era carinho. Era loucura. Era falta de atenção. Um dia, aconteceu algo estranho. Ela estava se transformando em uma mulher. E agora já não era mais feita de menina. Era mulher inteira. Mas os sonhos já não eram tão mais inteiros. As amigas sumiram. E agora era leve. Leve até demais. Qualquer um poderia fazê-la voar. O menino não era mais aquilo. O menino se tornava homem. E ele seguia sua vida sem ela. E aquela mulher, que havia se deixado de ser menina, começou a regredir. Como pode? Ela se perguntava toda noite. Torcia tanto para evoluir. Crescer. Seguir somente em frente. E algo acontecia no seu roteiro. Ela caminhava um passo a frente e voltava dez atrás. Não cantava mais. Será que também estava ficando muda?
Havia apenas uma consciência de que um novo dia existiria. O amanhã seria melhor. Chegava o outro dia, era pior. A Mulher se transformara em menina de novo. Enquanto isso, o homem continuava feliz. Completo. Radiante.
Apareciam outros meninos, outros homens. Mas eram incompletos. Ela queria aquele homem, por ele ser completo, confiante, e passava confiança a ela. Passava coragem. Está bem. Pensou ela. Não custa nada tentar. E tentou. Tentou. Tentou. Houve entregas e devoluções. Houve frustração e desespero. Que merda. A menina gritou. Cantava alto para ver o mundo conseguiria ouvir. Gritava frases chulas. Odiava cada vez mais a sua pureza. E se transformou. Ninguém a reconhecia. Nem o próprio menino-homem a reconhecia. Perguntava-se. O que houve com ela? Mas ele não sabia. Que a falta de amor dele por ela, foi o motivo. Pobre menina. Começou a chorar. Não cantava. Não escrevia. Era ácida. Não havia mais pureza. Nem sonhos. Ela já havia chorado por aquele menino. E agora, nada que ele poderia fazer machucava. Seria castigo? Seria inveja? Seria o que afinal? E assim, passou-se tempo.
A menina, não evoluiu mais. Ficou parada no tempo. Não tinha mais desejos. Não acreditava mais no amor e nem na beleza que ele trazia junto. Não acreditara que havia a felicidade. Não acreditara nem ao menos que havia uma vida para se viver. Ninguém mais entendia. Ela sorria forçado. Abraçava forçado. E amava forçadamente. Não, ela não sentia mais amor. Mas por que não fantasiar? Por que não iludir do jeito que eu fui iludida? Por que não fazer todo mundo sofrer como eu sofri um dia? E assim foi feito. Teve namorados. Fez todos sofrerem. Deu um belo pé na bunda de cada um. Em um dia comum, ela encontrou um menino e não encarou. Poderia se apaixonar. Já que estava frágil. Não havia mais ninguém. O homem-menino estava feliz ainda. E não procurara mais. E a Menina-Que-já-não-era-mulher sabia, e por isso, nem ligava mais. Sofria no fundo, mas o seu único sonho era evoluir. Mas ele não vinha. Não vinha o sonho e nem a evolução. Só o desprezo. O ódio e a loucura. Faria de tudo para conquistar o que era dela. Faria de tudo. Estava planejado.
Mas não sabia aonde começava, e nem o final. Mas ela apostou suas cartas. Junto com suas cartas, apostou também o seu próprio coração. Mas isso, ela não teve de volta. Porque era impossível apostar uma coisa que ela não havia faz tempo. Não havia coração algum com ela. Não havia nem ao menos pensamentos. Porque o seu pensamento e seu coração estavam com aquele Menino-Homem e ele nunca mais devolveu. E assim, foi feito. A moça era morena, ficou loira, fez todo chorar. Voltou a ser morena e esperamos. A menina-mulher. Se tornar mulher novamente e esquecer os males. E que volte um dia acreditar que tudo pode ser diferente. Só basta ela querer e acreditar. E o menino-homem? Bom, está feliz. Mas é previsível que um dia. Ele se lembre dela. Porque ele...bom... ele continuou no pensamento dela por toda sua vida.

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