5 de nov de 2010

A noite doloria e o dia escuro.




Fui dormir mais de meia noite, ou seja. 364 dias. Eu sabia que minha paz seria interrompida, pela insônia de saber que naquele momento eu pensava em você e você, deveria estar dormindo, sonhando com Deus sabe quem. Tentei dormir na posição de um feto, abraçada no meu outro travesseiro pra ver se eu pelo menos conseguia dormir, mas não consegui, virei na cama, liguei e desliguei a luz, brincava de contar quantas fadas havia no meu edredom, mas meu pensamento em você não ia embora. Resolvi, fechei os olhos, imaginei eu te dando um soco em seu rosto para que você pudesse aprender a cuidar das meninas que ganhou para sempre e não é que eu consegui? Dormi e demorei para levantar, não queria sair da cama, nem ao menos, queria acordar. Continuo pelas metades, sorrisos pelas metades, e olhares sem graças. Olhando para o quadro do meu pai que há na minha parede, ele sorrindo, pedi forças. Pedi forças para ao menos continuar a escrever sobre você e sobre o que eu sinto. Meu segundo dia sem você. E doeu. Fiquei pensando em como vai ser daqui para frente, agora resta apenas 364 dias para querer me ver livre de tudo, mas, se eu não conseguir te esquecer nesses 365 dias completos? E se tornar no fim das contas 895 dias de sofrimento e desprezo? E se no fim, eu não agüentar e desistir da vida? E o pior, se eu desistir de você e do meu futuro também? Quando eu percebi que você vai indo embora, você não queira imaginar o quanto eu desejei para que tudo acabasse logo. Para que eu me acabasse logo, para que o amor fosse acabar logo.
Me senti invisível. Quis me apaixonar por um quase-dentista que tem uma tatuagem na panturrilha esquerda, e talvez fosse o que eu preciso nesse momento, mas não quero me apaixonar de novo. Anda difícil, anda complicado não querer mais saber de nada.
Eu não tenho coragem, mas eu sei ser forte. Mas eu não sofri ainda, nem ao menos chorei de luto, ainda. Houve vontade, houve não, ainda há essa vontade, mas respirei fundo, porque isso não iria valer à pena, assumir que eu chorei não iria fazer nada mudar, nem você, nem eu, nem ninguém. Só iriam sentir dó de mim e eu não quero isso. Não quero que olhem para mim e dizem: Nossa tadinha está sofrendo. Eu quero que me olhem e falem: Te vi no fundo do poço e como é bom te ver feliz de novo.
Confesso. Tenho medo de não acreditar mais no amor, de ser infeliz e de querer só usar as pessoas. Tenho um incrível medo de ficar sozinha. Tenho medo da solidão. Tenho medo de virar alguém que só sabe brincar com os sentimentos dos outros. Eu tenho medo do que eu posso me tornar. Tenho muito medo da minha vida sem você. E o pior medo que eu tenho é do meu futuro. Dói à aceitação dos fatos, dói o passado, vai doer o futuro e me dói agora. Você chegou para me salvar e acabou me acorrentando. Chegou para me curar de todos os males que eu vivi em toda minha vida, e hoje, você se tornou o meu maior mal. Hoje eu quero não te amar muito, que amanhã meu amor seja menor e que no fim, ele acabe. Mas eu sinto que isso é muito mais do que minha própria vontade, é a falta de coragem que não me deixa fazer mais nada. O que eu sinto hoje, agora, é muito maior que esse texto cheio de mágoas. Mas aceitando os fatos, você jamais me amou e talvez, jamais vai me amar. Queria ter mudado a sua vida, mas nem ao menos te afetei. Eu queria ter sido tudo para você, já que você foi tudo para mim, nesse tempo todo. Mas agora, me dá licença, eu vou tentar sorrir de novo hoje, eu vou tentar ser feliz fora desse quarto em que eu escrevo esse texto, eu só vou tentar, porque eu sei que a máscara não vai conseguir ficar por muito e tempo e todos vão ver o quanto isso me prejudica e eu não faço nada. Só queria que eu você entendesse que aos poucos, eu vou te libertando. E finalmente você terá o seu maior sonho... Ficará longe de mim. Que triste a nossa história. Que triste o nosso fim, mas amanhã serão 363 dias. E será um novo tempo. Mas não garanto mais nada. E hoje à noite, não quero que fique doendo tanto como foi, ou então, preferia sentir todas as dores numa hora só e assim, mais para frente, ela não me afetaria dessa tal maneira. E agora? O que a gente faz? Eu te esqueço e me esqueço. E com esse tempo escuro só desejo coragem para mim, e que logo, possa aparecer um sol novo. Um sol forte.

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