2 de jan de 2011

Tentei ser



Em meio de tanta loucura e aflição, lá fora, a chuva caí, aqui dentro, está só eu e esse mundo que consegui criar aos poucos. Lágrimas caíram. E eu fiquei olhando para essa página em branco, coisas que deveriam ser confessadas e coisas que deveriam deixar para trás e eu mal consigo colocar qualquer idéia que seja aqui. Eu tenho um amor, um amor enorme que não cabe mais dentro de mim. Não consigo suportar. Não consigo deixar e eu preciso de ajuda. Preciso ligar para um menino, agora, ele me pediu, era só apertar o botão verde e acabou, mas eu não consigo. Quando resolvi ligar, meu celular sumiu, depois consegui encontrar e agora, a bateria dele acabou. O mundo não conspira com a minha felicidade. O mundo é incrivelmente horrível comigo. Porque a história, que eu vi, é igual a minha, ela é inteiramente igual a minha. E no fim das contas, o fim chegou e eu estou simplesmente igual o fim, horrível. Olhos inchados, nariz vermelho e desejando parar com tudo aqui. Desejando achar algum freio para isso tudo e parar com essa estupidez de amar que nunca me amou e que jamais vai me amar. E o ideal, parar de amar a quem só sente pena de mim. Algo pior que não amar, é sentir pena da pessoa. E ele sente pena de mim. Ele só pode sentir isso. Tudo é incrivelmente triste e tudo é incrivelmente chato. Não acho graça em nada. Não consigo mais ler livros. Não tenho mais a concentração de escrever textos. Não consigo nem ao menos, colocar as idéias em ordem.
Me encolhi no escuro do meu quarto e aqui dá impressão que consigo viver em meio de tantas coisas ao meu redor. Me encolhi e chorei. Mas não agüentei por muito tempo, encolhida. Me deitei no chão, joguei o tapete ao lado e fiquei um bom tempo encarando o teto. Outra lágrima querendo pular, outro sentimento esmagado por um caminhão de lixo, outra perda de chance. Eu não agüento mais sentir todos os sentimentos do mundo dentro de mim, não agüento mais ter um nó na garganta que não saí, não agüento mais ter frases e coisas pra se falar, mas que no fim das contas só diz algo sem importância e sem graça. Não agüento mais!
Porque é difícil ser a pessoa que é deixada. Porque abandonar a pessoa não é difícil, você simplesmente vai, mas quando o papel se inverte, chamem quem for necessário, porque o mundo a comove. O mundo me comove, mas o mundo não se comove comigo, não se comove com os meus amores, com as minhas dores ou até mesmo com as minhas rápidas alegrias.
Não quero ser feliz. Não quero ser triste. Não quero dar a volta por cima. Não quero arrumar um namorado. Não quero responder. Não quero falar. Não quero ficar bonita ou tentar ser bonita. Não quero emagrecer. Não quero engordar. Não quero sair do chão gelado. Não quero fingir. Não quero ser atriz e enganar a dor. Quero só respirar e deixar que o mundo dê jeito. Não quero mais insistir. Não quero perder a fé. No fundo, eu não quero mais nada. No fundo, eu não acredito mais em nada. Não consigo respirar fundo, porque me dá falta de ar. Então esquece. Realmente não quero mais nada. Eu quis tanto ser algo para ele, e acabei virando um lixo. Quis tanto ir atrás de sonhos, de amores, que acabei descobrindo que não é sempre que amores dão certos e que, não é sempre que os sonhos se tornam reais. Tentei ser certa, mas sei que sou errada. Tentei evitar algo que no fundo, não podia ser evitado. Tentei ser a que mudaria sua vida, mas não consegui, nem ao menos, consegui te abalar. Tentei ser discreta, mas sei que sou chamativa. Tentei ser personagem, mas descobri que sou real.
E eu gosto é do escuro, do tempo de chuva, do ar pesado. Porque eu sou feita assim. Porque metade de mim é o que eu consigo dizer, e a outra metade, é o que eu consigo escrever. Sou feita disso. Sou feita de escuros, de choros, de sorrisos, alguns forçados, alguns não. Sou feita de azar, talvez. Sou feita de solidão, de loucura, de drama. Sou feita de histórias e cargas pesadas. Tenho coração ferido mais do que qualquer um. Pode ser drama, pode ser exagero. Mas sou feita disso também. Dentro de mim, cabe um mundo. Só que ele seria esse mundo, e como se ele foi não cabe mais nada dentro de mim. Absolutamente, mais nada. O vazio se moldou, e hoje, não há espaço para ninguém. Só queria conseguir ligar para alguém de novo. Apaguei suas mensagens, seu rastro está sumindo do meu mapa, mas aqui dentro tudo continua sempre igual. Só queria ter a chance de recomeçar algo que jamais foi tentado, e olhe só como virei esmagada, perdida, sonhadora e escritora.

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