26 de mai de 2011

A sua busca




Eu cresci. Não de altura, nem de largura. Mas cresci, comecei a ver a vida de um modo diferente. Já não sou mais o narrador, sou a pequena personagem entre tantas as outras que mal sabe o que quer. Ele também cresceu, imagino. Virou um homem decidido, bem resolvido, e pegador – aceito os fatos, ele sempre fora assim – Eu o amava de uma forma impossível e constrangedora, mas era bonitinha de se ver. Dolorida demais, inútil demais, mas ainda assim, era bonitinha. Afinal, sou dolorida, sou sofrida e um pouquinho impossível. Sou tão eu de vez em quando, mas às vezes, deixo de ser eu para me tornar alguém que não sou. Viro uma pessoa totalmente diferente. Admito, sou fria, não me importo muito com essas coisas de sentimentos, nem pelo que – algumas – pessoas sentem por mim. Sou isso, e todo mundo está sujeito a me amar ou me odiar pelo que sou.  Sou assim, entrei meios e termos. Sou a neblina e o sol, o ódio e o amor. Sou um misto imenso de tudo e de todos. Me sinto na responsabilidade de falar por quem não tem voz. Sou do grito, da carência, dos beijos, dos abraços. Sou o que você consegue ver. Mas quando me olhar, não saberá os mistérios que escondo atrás de mim. Exposta, dolorida e um pouquinho sensata. Afinal, se a minha sensatez fosse enorme, hoje não estaria sofrendo por algo que não lembra mais de mim.
Deixei o que não me importava mais, esqueci o inesquecível, enfrentei o que me dava medo. E ainda assim, continuei nesse amor insensato, inútil, inacreditável. Não queria mais dizer o nome dele, nem ao menos pensar. Tenho que ser adulta, tenho que me comportar. É isso que cobram de mim, é isso que dizem. Mas aí, continuo nessa eterna busca de como encontrá-lo. Ele – o menino que resolvi entregar todos os meus sonhos em suas mãos – Não importei se iria usar ou não as pessoas, a única coisa que queria é chegar ao fim dessa história logo. Pensei que quanto mais o tempo passasse, mais seria fácil conversar, entrar em detalhes sobre o assunto. Mas eu não gosto de falar nada, não gosto de explicar, nem de resolver isso. Deixo como se tudo fosse se resolver um dia, como se meus sonhos fossem eternos, como se meu amor fosse verdadeiro. Eu olhava procurando esse menino, mas sabia que não iria te avistar nunca, mas ainda assim, procurava. Quando mais o tempo passava, maior era busca. O tempo passava – voava – E ainda era ele, ainda é.
Me obrigam a tornar algo que não sei. A Layla precisa amar. A Layla não ama ninguém. A Layla é sem coração. A Layla precisa sair. A Layla é dramática. A Layla é isso, a Layla é aquilo outro. Preciso viver para chegar até nele, mas não quero isso. Não quero viver. Preciso ser feliz, viver novas situações para saber se vou realmente encontrá-lo sem querer por aí.  Saí por aí, não me dei o valor, não me importava se iriam ou não me usar, não me importei se chegaria bêbada em casa, não importei com as lágrimas que derramei quando chegava, porque ainda assim, me sentia sozinha. Sinto culpada. Fui horrível com os outros mas descobri que fui três vezes pior comigo. Isso me faz parecer chata, me faz até parecer um monstro. Mas não sou assim. Sou fria, calculista, e sei quando devo ou não ir. E aí descobri. Não era amor, não mesmo. Você nunca me amou, e eu continuei nessa idealização sobre sua busca eterna.
Sinto que a busca pode acabar a qualquer momento. Como se eu pudesse sair de casa e me deparasse com ele, sem querer – com aquele mesmo ar de prepotência – Eu ainda olho procurando rastros, acumulo frases – sei exatamente o que falar quando encontrar sem querer – Ele não era esse que me usou, ele não era esse que elogiou mais o meu corpo do que realmente sou, ele não é esse outro que me deixa com peso na consciência.  Nunca soube o motivo de tudo isso, a única coisa que realmente sabia era que me doía inteira. Eu precisava sair dessa, eu precisava parar de me machucar assim. Precisava parar de acabar com o restinho de fé que habitava em mim. Mas eu sabia, que mais cedo ou mais tarde, você chegaria. E eu sabia, nada foi em vão. Saberei também, que a sua busca só me deu uma força que achava que não existia. Sua partida me ensinou a viver, me ensinou o real sentido da dor. Aprendi a ser várias meninas em apenas uma. Aprendi tantas coisas. E a sua busca me faz parecer chata, mas sei que um dia te encontrarei novamente. Não agora, não hoje, mas daqui um tempo. Um tempo em que eu poderei olhar para trás e continuarei sabendo que nada do que eu fiz foi em vão.




Nota: Ando mal, ando sem esperança, ando com quase todos os problemas do mundo. Então, meus textos estão perdendo a graça, sei disso. Espero que entenda. Andei um pouco ausente por motivos pessoais e escolares (provas e mais provas), quero que saiba que gosto do que faço e por isso, sempre que der, venho correndo postar. Um beijo, se cuidem. Layla Péres. 

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