10 de mai de 2011

O que eu não sei ser.




Ninguém sabe o que eu passo. Sou maquiada, com o cabelo hidratado e tingido todos os meses. Uso salto, bolsas da moda, e sei me equilibrar em cada vez que tropeço. Mas meu luto é bem mais forte que qualquer maquiagem mas mesmo assim, ninguém ainda consegue perceber o que eu sinto. Sou a que mais ri, a que mais conta piadinhas, e a que mais ajuda. Sou a que mais reclama, a mais briguenta e a que menos leva desaforo para casa. Sou a mais animada, agitada, e faladeira. Mas ninguém consegue perceber o quanto eu penso na morte em cada segundo. Olho para o lado e procuro alternativas, chances, soluções. Estou doente e penso na morte, mas não fico triste, ao contrário, o sorriso vem. Sou a menina que bebe e fala besteira, sou a que ri de contos amorosos, mas o coração ainda é vazio, é podre. Sou a que ri de meninos estranhos, a que humilha com um leve venininho em palavras, mas ainda assim, penso na morte e no fim.
Não deixo que a dor me pegue mas também não fujo dela. Deixo ela vim aos poucos, sou masoquista, depressiva e um pouco medrosa. Não tenho medo da dor, não tenho medo do fim, da morte, do amor. Não tenho medo. Não permito que me usem mas também não evito. Também uso as pessoas, também fiz pessoas chorarem, também sei humilhar. Eu sinto saudades daquele menino sim, mas a dor é tolerável, às vezes. Eu sinto saudade de mim principalmente. Não consigo viver assim, não sei ser isso. Não sou uma farsa mas também não sou a verdade em pessoa. Não me importo se o mundo vai acabar ou se tudo continuará a mesma merda. Não me importo se chover ou se vai nevar. Não me importo se os ursos polares estão morrendo e os políticos estão ganhando muito bem. Não me importo mesmo, nada me afeta. Vivo em um lugar oco, vazio, uma eterna bola de gás que nada pode chegar até em mim. As dores são tolerável, claro que sim. Mal consigo escrever esse texto porque minha dor é chata no pulso, mas não me importo mesmo assim, continuarei seguindo minha vida. Que o cisto inflame, vire câncer ou diabo a quatro, mas ainda assim não me importo.
Minha cabeça não para. Posso estar falando de algo mas pensando em outra coisa. Não sei o que querem que eu seja. Não vou ser a boazinha do século. Sou humana e me permito ter qualquer tipo de defeito. Posso me achar demais mas também posso me sentir tão minúscula perto de todo mundo. Me dou o direito de sentir falta, de reclamar e de amar. Não sei ser o que querem. Sou o que quero ser. Penso o que eu escrevo, escrevo o que é de verdade e que se dane o resto.





Ps: Estou com um probleminha (ão) no pulso, então, meus textos vão ser mais curtos e acontecerá sim que não postarei algo meu mas prometo postar texto de algum escritor que eu goste muito e que seja do jeito que estou me sentindo. Espero que vocês entendam. Beijos, @_LaylaPeres

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