15 de mai de 2011

Seguir em frente



Nunca fui muito de me importar com as opiniões dos outros. Sempre achei importante só a opinião da minha mãe e nada mais do que isso. E aí, eu te amava, certo. Te amava e minha mãe achava que eu fosse uma psicopata, uma louca, uma suicida em potencial e resolvi diminuir a intensidade dos meus textos.  Quando era o seu nome na rodinha entre eu e as minhas amigas o olhar delas sobre mim era pesado, era como se eu estivesse acabado de perder um membro, era como se eu acabasse de perder algo totalmente importante, aquele olhar meio sonso, meio desumano, aquele olhar de pena era para mim. Elas me apoiavam  porque era o que me fazia feliz na época, elas me apoiavam mas no fundo queriam me ver longe daquilo. E aí, resolvi dar um jeito. Segui minha vida de uma maneira torta. Não acreditei em nada do que me falaram, e só sentia pena de quem gostava de mim. Pobre coitado. Mas segui minha vida e você fez o mesmo. Estávamos indiferentes, na verdade, eu não. Eu não estava indiferente. Poderia sim, eu estava com um cara mas ainda seguia sua vida de longe e você mentia para mim, você só queria que eu me afastasse. Hoje, depois de tudo, posso te fazer duas perguntinhas só? Por que você fez isso comigo? Por que você quis que eu me afastasse sendo que eu não fiz mal algum a você? Todos os dias me vejo sozinha. Todos os dias corro para que eu possa evitar a dor. Não quero aglomerar dores em mim. Não quero me lembrar de você. Não quero sorrir. Não quero fingir que estou bem sendo que não estou. Não quero me fazer de bem resolvida. Não quero, não quero e não quero. Evito me apaixonar, evito entrar em contato, evito voltar a ser o que eu era. Eu quero me aproximar, de novo, sem cansar, sem pedir nada. Mas ao mesmo tempo, sei que você vai evitar. Sei que você não quer e por isso respeito sua vontade. Você não me quer por perto e não há nada mais do que eu possa fazer. Tudo que precisava ser feito, eu fiz.
Eu não sei como, nem o motivo disso tudo, mas aos poucos fui deixando de lado. Às vezes, mal lembro o seu nome. Não conto mais sua história, não falo mais para ninguém sua participação nisso tudo. Sei lutar pelo o que eu quero, mas também sei correr. É um vazio absurdo, uma saudade levinha mas atormentadora, um amor corroído, duas vidas separadas. Ninguém mais fica me apoiando nessa maluquice. Só perguntam insistentemente “Ainda, Layla?”. Mas aí se lembram que a Layla não vive direito, a Layla não ama direito, a Layla é descrente, a Layla é isso, a Layla é aquilo e logo se esquecem de perguntar o motivo de eu estar insistindo. Insisto em alguém que não insiste em mim. Isso é uma quase morte. Tudo isso pode até parecer decorativo mas dói, inflama, arde. Tudo isso me faz não crer em mais nada. Tudo isso me faz deixar para lá o meu destino. Eu me agarro nessa história como se fosse a primeira e a única. Eu me agarro nesse amor porque isso me faz lembrar o que eu já fui. Eu me agarrava em você, porque de alguma forma, você me dava uma paz indescritível, e aí eu tive que abandonar tudo para seguir em frente, conforme os mandamentos de uma menina que acaba de ser deixada.
Vou seguindo, meio as cegas e meio descrente. Me vejo sozinha, me sinto sozinha. Mas sou estressada, e me irrito quando vejo que você seguiu sua vida e eu continuo parada. Não vou totalmente mas também não fico. A qualquer momento, vou-me embora. A qualquer momento tudo pode mudar. A qualquer momento você pode voltar, mas a qualquer momento essa maluquice acaba. E aí, fim. Fim para o sonho, fim para o amor, fim para você. Eu quis voltar a ser o que não era mais. Quis ser sua naquele tempo mas resolvi ser sua por muito tempo. Eu sofro sim, sinto saudade sim, amo sim. Não me importo mais com esse olharzinho sonso de pena para cima de mim, ninguém tem culpa, e eu também não tenho culpa por gostar de viver assim. Eu sei que sou uma idiota por me destruir assim, mas no fundo, mesmo não acreditando em quase nada, sobra uma pontinha de fé. Sei que o sofrimento não é em vão, sei que a espera também não é.  Criei desculpas. Eu me envolver? Nunca.  Eu me apaixonar? Nunca.  Eu? Amando? Quem? Mentira. Não amo ninguém. Todas desculpas imagináveis pude falar para que ninguém soubesse o que sou de verdade. Eu evito seguir em frente, simples, prático, e verdadeiro. Evito. Quero logo o ano que vem, quero logo que a ano acabe. Quero que o tempo passe rápido, quero que tudo se exploda.
Sinto uma tristeza absurda de saber que tudo isso está passando. Sempre prometo que vou embora também, que vou seguir minha vida. E quero provar para todo mundo que eu mudei. Só que esqueço que não consigo me enganar. Esqueço que não sei mentir para mim mesma. A realidade é dura, é terrível, totalmente complexa. Hoje, só quero acreditar que tudo isso vai passar. Só quero acreditar que sim, você irá voltar. Tudo isso rima demais e faz com que eu me sinta patética. Por mais que isso possa ser patético, bonitinho, não deixa de ter uma dorzinha no fundo, uma dorzinha sem luxo, sem importância alguma. Eu sei, um dia consigo seguir em frente, mas enquanto esse dia não chega. Me deixe continuar a escrever. Não tire de mim a única coisa que me resta. Não me faça ver o que eu não quis. Me deixe aqui, quietinha, porque eu sei que ou você chega ou tudo isso vai passar.
Por mais louco que isso tudo pode parecer, por mais que eu queira seguir em frente, não consigo. Não consigo ir. Sempre volto para o mesmo lugar. Eu vou, faço o jogo de menina feliz do milênio, mas volto para o meu quarto, me sentindo sozinha e perdida. Volto para o mesmo lugar implorando para que tudo volte a ser como era. Volto, e fico. Fico quietinha, não quero te ferir com minhas palavras. Fico quietinha, bem quietinha. Mas eu sei, de uma maneira ou outra, estou seguindo em frente. De um jeito torto, de um jeito caótico. Mas eu sei, estou seguindo em frente.De um modo ou de outro, também estou insistindo no que eu sempre quis. Não me importo. Não hoje.

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Um comentário:

  1. Oi Layla. Pela vigésima vez, joguei no google algo do tipo: Como prosseguir sem ele; Como ter amor-próprio; Como continuar após o término do relacionamento... e dessa vez apareceu seu blog. Seu blog e seu desabafo. Seu desabafo, seu blog, você e eu. Eu não tiraria ou acrescentaria uma vírgula ao seu texto. Ele parece tão meu, que me doeu... estamos passando pela mesma situação e o me surpreendeu mais foi; Você, também, não quer fingir estar bem. Você não deve ter escondido nada por orgulho ou conselhos. Você simplesmente chegou onde cheguei: Tudo eu fiz, tudo eu tentei.. não sei mais o que resta. Ou melhor, nada mais resta. Ele, simplesmente, me evita. Ele não me quer.
    Vi que faz alguns meses que você postou o texto... quem sabe você não superou?! Tá muito dificil pra mim. Parece que essa "superação" nunca ocorre, mas ainda existe aquela esperança que esse dia chegue pra que meu dias voltem ao menos serem normais.
    Fica bem. Eu torço pra que você consiga e poste sobre isso.

    Acalme seu coração.
    Boa sorte. (a nós)

    Elaine;
    elaineclins@ig.com.br

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