18 de mai de 2011

Culpa

Culpa : s.f. Ato ou omissão repreensível ou criminosa; falta voluntária, delito, crime: pagar por uma culpa. Responsabilidade por semelhante ato: não ter culpa do que fazem os outros.


Ele não queria me fazer sofrer. Não mesmo. Ele era um amorzinho, bonitinho, típico príncipe. Mas não me amava e conseqüentemente não me queria por perto. Ele não me amava e o drama foi pior do que era imaginado.  E parece que o meu continho de amor estava se tornando passado.  Ele era desesperado, apaixonado, intrigante e complexo. Mas eu ainda conseguia ser mais complexa que ele. Eu ainda conseguia ser mais intrigante e apaixonado do que ele. Por mais que sozinha conseguisse buscar a solução para os meus probleminhas chatos, eu ainda preferia a ajuda dele para tudo. Ainda preferia ser dele mesmo que eu estivesse com qualquer outro. Não foi culpa dele, não mesmo.
Acredito que não estou bem. Não estou bem mesmo. Faço um esforço danado para sair de casa. Faço um esforço gigantesco para sair por aí contando piadinhas. Faço um esforço enorme para fingir que está tudo bem. Mas eu sei o quanto isso me incomoda, me dói. Não sei o que sinto, só sei que arde, só sei que é uma dor que já não mais cabe somente em mim.
A culpa não existe. Eu não deveria me culpar tanto e nem ao menos te culpar. Você não me amou e isso me fez ficar tão desconsolada. Me fez desistir de ser o que eu era para me tornar Deus sabe-se lá quem. Você não me amou e isso foi um dos grandes motivos que me fizeram escrever. Precisava aprender viver sem tua presença, sem tua voz abafada, resumindo, eu precisava aprender a viver sem você. Já não agüentava mais ser depende desse amor frouxo, totalmente unilateral. Já não agüento mais te procurar por aí, te ver em personagens de livros, e em pessoas totalmente desconhecidas.  Ele não queria me fazer mal, nem  queria me fazer chorar.  Não queria que eu sonhasse, sofresse, escrevesse estes textos. Não queria que eu me iludisse. Por isso, deve ter se afastado. Não queria recomeçar, talvez, eu o lembrava demais o seu passado. Não queria me amar, talvez eu fosse demais para ele. Mas eu sei que mal mesmo, ele nunca iria me fazer. Ele não pode ser tão cruel assim, ele não é tão cruel. Tudo bem que acabei pensando que tudo foi minha culpa, que eu que fiz tudo acabar, que tudo desmoronou graças aos meus sonhos. Mas hoje, depois de sofrer muito, de se sentir muito sozinha, de odiar e amar a vida ao mesmo tempo, sei que a culpa foi da vida. Exatamente, fizemos nossas escolhas e ela nos colocou nos nossos caminhos. Indiretamente tivemos culpa nisso tudo. Indiretamente ou não. Me perdoe por ser tão direta, mas sempre vou dar a minha cara a tapa naquilo que acredito. E por mais que você fale novamente aquelas coisas amargas, terríveis, desesperançadas, ainda assim, continuarei nessa luta de tentar reconquistar. Só quero que saiba que não te culpo, não sinto ódio, nem nada. Claro que eu queria muito te odiar só para deixar de te amar, mas não consigo.  
Não te culpo, você só fez o que agiu do jeito que sempre achou certo. Mas não entendendo. Escrevendo fica tão mais fácil de assumir, de deixar tudo mais claro, de ser tão bem resolvida. Mas meu cérebro não para de funcionar pensando sobre isso. Várias perguntas formam-se e eu não tenho para quem contar. Por mais que você fosse carente, arrogante, e prepotente, no fundo, sei o que você verdadeiramente é, e por isso sei que você não iria me fazer sofrer propositalmente. Tudo bem, eu sofri mas sei que no fundo, você não queria isso. No fundo, eu sabia que você se importava comigo. No fundo, sei que você deseja o meu bem. A culpa não é minha, não é sua, não é de ninguém. Depois de muito tentar entender, tentar pensar que um dia voltaremos a ser o que fomos. Tento pensar. Tento ter fé para que sua volta aconteça rápido. A culpa não foi nossa. A culpa não foi de ninguém. 



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