23 de mai de 2011

Aqueles dois novamente



Ela pensa nele. Não todo momento, não todos os dias, e nem todas as noites antes de dormir. Ele também deve pensar nela, não com tanta freqüência, mas com aquela vontade de saber se ela está realmente bem. O destino fez com que esses dois se separassem. Cada um seguiu o seu rumo.  Cada um foi ser feliz do jeito que sempre soube. Ela voltou a escrever. Ele voltou para as festas, para o tumulto, para as mulheres. E todos adoravam aquela idéia maluca da menina, e todos adoram o jeito pegador do menino – claro, o menino é realmente um devastador de coração e jamais soube cuidar do que ele sempre teve nas mãos, ele nunca deu valor a ela -  A menina tinha dezessete anos e se perguntara todas as noites o que tinha feito de tão errado para merecer o desprezo dele. Por que ele não me queria por perto?

Aqueles dois não sabiam o que eles tinham que um sempre voltava para o lado do outro. O que há de tão especial nessa história toda? O que há de tão incrível assim para que ela o mereça? E a doce menina que ele a conhecera já não era mais tão doce. Era áspera, meio devassa, meio louca, meio desumana. Agora ele não sabia o que tinha acontecido para que ela se tornasse assim. Ninguém também sabia, mas também, ninguém se importava. Meio louca, meio gente, meio assim, cheia de meios. O menino estava também mais velho, e se perguntara todas as noites o que tinha feito de tão complexo para que ela se afastasse de uma maneira tão bruta. Por que ela se tornou assim?

Todo mundo sabe, todo mundo finge que não lê e finge que não a conhece. Mas sabe que o olhar caloroso daquela menina se tornou num simples olhar de compaixão. Um olhar de pena, de sono do mundo. Um olhar de querer matar quem se atrever a mandar procurar outra coisa a não ser escrever. Um olhar vazio, distante. Ela se tornou distante. Ela sempre foi distante para ele, e vice-versa.  Tudo era lindo, bonitinho, fofinho, apertável. Mas já que havia tanta beleza por que não poderia ter uns pontinhos de tristeza nessa história?

Em um ritmo de dança, tango, salsa, merengue, valsa. Num ritmo rápido de qualquer melodia fez com que ele voltasse para perto dela. Não relativamente perto, mas perto, de um modo que ela ainda poderia sentir sua presença. De um modo em que o mundo poderia parar a qualquer momento e que tudo continuaria bem, porque ele estava perto e sabia o que estava acontecendo. E assim, dançaram essa melodia por muito tempo. O ritmo foi acabando, o dia foi aparecendo, e espera aí, a música acabou? Sim, a música acabou. E os dois pararam de dançar.

Os dois se tornaram Ela e Ele. Apenas isso. Uma vida separada. Um tempo de idas e vindas que  – in -felizmente tudo está se acabando. O amor está morrendo, a doçura se colocou num lugar bem alto em que ninguém pode alcançar.  Ele se lembra dela quando alguém mostra algo novo. Ela se lembra dele quando ele dizia que estava lendo tais livros. Hoje, depois de um, dois anos, tudo continua igual. Ele saí a procura de livros, e ela saí a procura de músicas. De vez em quando os papéis se invertem. Ele vai para o lugar dela, vira o sofredor. Ela vai para o lugar dele, vira uma verdadeira devassa.

Novamente se foram para longe. E assim, a vida seguiu novamente. Ela voltou a escrever – não que seja um defeito, mas isso a impede de seguir a sua vida – E ele voltou para o tumulto – não que ele estivesse parado com essa vida agitada quando a conheceu – Mas de repente, um se pergunta do outro em silêncio, em noites totalmente silenciosas. Mas ainda preferem se manter distante, para que um possa viver a sua vida. E sabem que na hora que for, os dois vão voltar e continuarão a ser o que sempre foram.

Ele se lembra da voz de sono dela, e sente saudades, mas prefere ficar calado, ela preferiu isso também. Ela lembra de sua prepotência – que sempre foi sua marca registrada – e mesmo assim, não suporta mais pensar nele, no que ele teve, no que ele foi ou no que será. O menino se lembra de como as dúvidas dela eram tão banais – e que fazia dela a única – ela não mais o procura, simplesmente sumiu. Simplesmente resolveu esquecer. Simplesmente deu abertura para que ele pudesse passar e pudesse ser feliz longe de todo aquele caos que a menina havia criado.

A vida tende a afastar mais aqueles dois. A vida tende a juntá-los de vem em quando. Para sair dançando por aí a música da vida. Para sair por aí se encontrando do nada, se desprezando do nada, e amando do nada. Por mais que o tempo passe. Ele sabe, ela também sabe. Um será importante para o outro. Ela aprendeu muito com ele, ele também deve ter aprendido muito com ela. A vida ensinou muito para aqueles dois. Aqueles dois que mesmo ausente ainda fazem planos, ainda conseguem sorrir, mas pensa sempre como seria melhor se estivesse ele – ela – ao seu lado. Ela sabe que quando for a hora certa, ele irá voltar. Ele sabe que quando o destino parar de tanta gracinha, ela simplesmente ficará ao seu lado por longos e longos anos.

Como uma história sem fim. Igual ao uma música num ritmo frenético. Por enquanto, irão continuar caminhando por aí. Ela implorará – se preciso – para que tudo volte a ser como foi e pensa que o menino não se importa. Mas talvez sim, talvez ele se importa bastante com tudo isso, mas prefere ficar quietinho para não sofrer. Sei lá, a vida tem dessas coisas. Tudo pode ter acabado e ainda assim, ele se lembrará dela, e ela voltará a se lembrar do que ele a ensinou.

Ela sabe que quando precisar ele estará lá. Ele também sabe disso. Mas preferem ficar quietos, como se aquela história nem fosse com eles. Aqueles dois poderão sim voltar mas também pode acontecer de se afastarem para sempre. Não sei, a escolha está nas mãos deles. Tudo poderá acabar, mas tudo poderá virar história, lenda viva, uma charmosa história de encontros e desencontros que teve – ou não – um final feliz.



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