20 de mai de 2011

O fim do mundo



Não tenho medo de ser sozinha, de ficar sozinha, só não gosto dessa idéia de abandono. Não suporto essa idéia que criaram que toda mulher precisa de um homem para ser feliz. Tudo bem, eu adorava te amar. Adorava mesmo, do jeito mais inconstante e intenso que existia, mas ainda assim, era amor. Mas eu sei que posso amar outras coisas. Posso amar situações, pessoas, abraços, cachorros, e a minha mãe. Sei que a minha vida não pode se resumir apenas em você, preciso encontrar outra maneira de viver que já não exista somente você, você e mais você nisso tudo. Ando por aí, vou olhando em cada rosto, desejando que a qualquer momento tudo possa mudar. Mas isso é uma farsa, eu sei que nada vai mudar. Tudo continuará sempre a mesma merda de sempre. Não sou a última menina sozinha, não sou a última menina que faz drama porque o menino a abandonou. Mas eu tive que aprender a viver sem você. Tive mesmo.
Por mim, ficaria onde estou. Ficaria quieta, paralisada, esperando que sua volta aconteça. E não posso sempre ficar aqui. Preciso fazer o que toda menina tem que fazer – odeio esses rótulos – preciso me arrumar, sorrir, e ser educada. É isso que a sociedade esfrega toda hora. Ah! Esqueci. Preciso estar sempre fazendo regime. Porque tenho tendência a engordar e ninguém quer uma menina gordinha. E aí, segui minha vida. Dez, doze quilos a menos. Cabelo hidratado, unhas bem feitas, e a mesma cara de louca com o coração pulsando uma dor descontrolada. Precisava seguir em frente mesmo querendo – implorando – para não ir. Implorei para ficar. Não, não posso ir. Se eu for, a gente se perde. Não, você também não pode me deixar. Você era o que a vida tinha de melhor. – Eu precisava de você -
Não necessariamente sempre. Não necessariamente agora. Mas era bom saber que por mais que eu fosse a errada, ainda assim, você continuaria a me escutar. Mesmo que nós dois falássemos ao mesmo tempo. Mesmo que você viajasse e voltasse depois de dois, três dias. Era isso, nós éramos isso.
Ninguém sabia de nós, nem mesmo nós sabíamos o que acontecia. Eu insistia porque precisava começar a crer em algo diferente. Não evitei, deixei. Mas sofri,  e no final das contas, estou aqui. Estou voltando, querendo ficar cada vez mais quieta. Se o mundo acabar amanhã? Fica a dica : Eu amei muito você. E se não acabar? Tudo bem, ainda assim, continuarei escrevendo e amando. Como se fosse o primeiro dia de nós. Como se tudo voltasse a ser o que foi. Como se pudéssemos voltar no tempo. E se eu pudesse voltar no tempo. De novo escolheria ser sua mesmo que você jamais tenha sido meu.
Sou só. Consigo ser só com uma multidão em minha volta. Consigo ser só com uma multidão gritando, pulando, dançando em minha volta. Meu espírito é livre e por isso se faz só cada vez mais. Por isso, cada vez mais, não tenho medo da solidão, do vazio. Não tenho mais medo disso tudo. Sou livre, e por isso, estou correndo o risco de ser sempre sozinha, mas não me importo. Sua ausência me contenta e isso me faz parecer louca. O blog acaba comigo cada vez mais, todos me mandam parar, absolutamente todos.
E se tudo acabar amanhã? E se o fim dói mundo realmente for amanhã? O que será dos meus sonhos com você? O que será da minha vida? E eu vejo que poderia ter feito mais coisas. Essa sensação de fim não é nada agradável. Ela simplesmente acabará como todas as outras. Se existir o fim do mundo, você morrerá sem saber que tudo isso para você. Tudo acabará e nós acabaremos juntos. Cada um em seu canto. Não falaremos nunca mais, isso chega até ser um pouco triste. O fim do mundo foi avisado – particularmente, não acredito – mas tenho ainda medo. É outro fim. Se o mundo acabar amanhã você se arrependerá de não ter dito tudo o que tinha para dizer? Se o mundo acabar, você se arrependerá dos seus erros? Não me esqueço do seu desprezo. Mas te perdoei, porque é assim que acontece. Amores verdadeiros perdoam.
Eu cansei de levar na cara. Cansei de ouvir me chamarem de otária só porque agi do jeito que tinha que ser. Cansei mesmo. O fim do mundo poderá ou não existir. E isso me dá uma pontinha de esperança. O fim de tudo, mas talvez seja só um novo começo. Não me importo. O que for, vai ser. Era o tormento, assumo. O nome da sua cidade, a escola que você estudava, a cor dos seus olhos, a cor do seu cabelo e a sua altura. E continuei muitas vezes interrompendo a aula para saber tudo isso. E aí, o tempo passou. Ou não passou por completo – ainda interrompo as aulas com os meus comentários sobre você – Tinha muita coisa para falar mas você é incapaz de ouvir. Simplesmente foi embora, como se tudo fosse uma brincadeira, como se tudo não passasse de apenas uma grande história sobre a solidão. 

Ps: Não sei se terei paciência para postar amanhã, hoje ainda vou viajar e talvez chegarei cansada, me perdoe. Qualquer coisa postarei algum texto de um autor preferido.
LáPéres.

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Um comentário:

  1. pelo visto temos uma historia mal e bem resolvida em comum, mto parecidas :(

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