10 de fev de 2011

O não casal.

Nunca mais se olharam, nunca mais se tocaram, nunca mais se falaram, nunca mais se esqueceram. Os nuncas que a vida colocou na vida daqueles dois, daquele menino tão diferente, mas, tão igual a todos os meninos, e daquela menina tão igual, mas tão diferente que era até engraçado retratar o dia a dia daquele casal, mas no fundo, não era bem um casal assim. Era somente ela e ele que por ironia, ou não por tão ironia assim fez com que tudo mudasse, e tudo girasse ao contrário.

Ela, sonhadora, mas negava. No fundo, queria acreditar nas verdades que a vida estampava em seu rosto. Ele não a amava. E ela o amava, amava muito, amava que doía sem ao menos saber a intensidade e a velocidade que a cada batida aquele sentimento aumentava. Lá no fundo, ela queria acreditar em algo que era comprovado como impossível, imaginário, e totalmente fora do padrão.
 O coração dela está dilacerado, mas sempre consegue acreditar que amar seria uma solução lógica para curar todos os males.

Ele, realista até o último fio de cabelo. Não sonhava, não criava e não a olhava mais, muito menos falava. Ele no fundo, sentia falta do jeito dramático e sensível que ela possuía. Lá no fundo, ele acreditava que ela havia chegado a seu mundo por alguma razão lógica. Acreditara que talvez, nada fosse impossível. Mas, preferiu conhecer outros perfumes, outros rostos, e outros poemas. Ele preferiu esquecer. Ele escolheu seguir em frente.


A lei do silêncio foi decretada. A lei do silêncio, do gelo, da indiferença e da solidão foi proclamada em silêncios tortuosos e pouco dolorido, porque havia algo que poderia substituir. Grandes insônias acompanhavam a menina. Mulheres diferentes acompanhavam o menino. Como se fosse num ritmo desconhecido por aqueles dois, mas que já havia se tornado popular para tantas pessoas.


Aos poucos, a insônia dela se transformara em sono, no mais legítimo e pesado sono. Sono de tudo, sono de todos, sono de conquistar algo que foi ignorado por ele, vulgarmente conhecido como amor. Amor, por quê? Ela se perguntava. Ninguém mais sente isso. E ela continuava com essa auto-explicação. Por mais que o amava, ela queria acreditar que amor era conseqüência de bebidas, poemas, e escritores solitários.


Ninguém queria saber dessa história, porque apenas aqueles dois sabiam. Aqueles dois sabiam o quão importantes um se tornou para o outro. Somente aqueles dois acreditavam e desacreditavam num modo diferente e rápido. Somente aqueles dois desistiram no final das contas.


Hoje, eles não são mais tão crianças, adolescentes, inconseqüentes. Isso tudo parece tão música de sertanejo que diz que é apaixonado, de alma transparente, um louco alucinado meio inconseqüente, mas esquece. Hoje, não são mais nada disso. Ela se tornara mulher, confusa, descrente e bastante, bastante diferente. Ele não se tornara, ele já era tudo que um dia, só que em versão piorada.


O silêncio decretado acabou virando música. E eles dançaram, dançaram e dançaram, por toda a vida. Não estão mais juntos. Em noites frias e dias ensolarados, um se pergunta do outro. Um se lembra do outro. Mas quem tem coragem de voltar atrás e dizer que nada disso foi em vão? Quem terá a consciência? Talvez, nenhum dos dois.

Ela o espera, sem ódio ou sem ressentimento. Ele pensa nela, mas não quer assumir porque talvez, fora covarde demais para poder assumir qualquer relação bonita que poderia ou não existir. Mas todos, absolutamente todos, sabem que no fundo, eles são um só. Mesmo com insônias, sonos, meninas e festas.

Eles tiveram seu destino traçado e contra o destino não há ninguém. O destino manda e desmanda.  Nada impede que eles possam se tornar um legítimo casal no futuro, mas nada impede também, que eles poderão se tornar uma folha rasgada, uma lembrança dolorida e tão suja.


Quem pode negar que ela sempre foi dele? Quem pode negar que ele nunca pensou nela? Ninguém pode negar que ao lado dele, está ela. Só que ele não consegue ver isso, porque ela é um sonho, e só falta ele acreditar para se tornar realmente realidade.  E talvez sim, o encontro adiado irá acontecer.

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2 comentários:

  1. Cara tu assassinou o português em "estória" lá em cima
    Omg,ainda tó chocada.

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  2. Pessoa aí de cima, tenha mais consciência em que HISTÓRIA é uma coisa, ESTÓRIA é outra :)

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