7 de fev de 2011

A dança



Danço conforme a música que está tocando. Barulhos. Alguns Tunz-Tunz-Tunz ao fundo, acabam pedindo algo animado, pedem algo que já não sei nem mais por onde começar. Não se balanço o corpo de um lado para o outro, ou se levanto o meu braço direito. Não sei se encaro o menino que está bem na minha frente e sorrio de lado, ou se evito e sento

 O salto me faz parecer alta, mas continuo baixa, ainda sou baixa.  Me dá uma vontade irracional de ligar para você e dizer que olha, estou dançando conforme a vida.  A maquiagem consegue finalmente disfarçar as minhas olheiras, e o meu luto.

A minha falta de leveza faz com que jamais consiga novamente voar. A minha falta de delicadeza virou um charme ou uma marca registrada. E ainda a música continua ao fundo, e estou cansada, o salto parece que a qualquer momento irá quebrar e eu ficarei no chão, e jamais pensarei em me levantar.

Olho para o chão, o piso é branco mas há várias marcas de sangue. Há várias gotas de água, e há cigarros espalhados. Há pessoas dançando, outras se abraçando e eu continuo sentada. A vida continua com uma música ao fundo, mas já não consigo definir. Já não consigo nem ao menos suportar essa música ridícula.

Misturaram as músicas e eu preciso acompanhar esse novo ritmo, não quero ficar para trás. Tantas pessoas chegando e algumas outras pessoas estão saindo. Ainda continuo ficando. Fico porque tenho medo do futuro e ficar aqui no passado, me tranqüiliza. Mas continuo ficando por medo de esquecer, de abafar, de ignorar.

Tenho medo de partir e não voltar. A vida me obriga a dançar algo que não tem ritmo, me faz acompanhar tudo de perto, e o que queria mesmo é estar longe. Nada me parece real, nada me parece com algum sentido. Gosto tanto de coisas rápidas, discretas, e claras. Não sei lidar com confusão. Não sei lidar com pessoas mais complicadas do que eu.

Preciso dançar com alguém, mas ninguém quer dançar comigo. Preciso aprender coisas novas, mas só sei lidar com algo conhecido, não me arrisco com coisas novas, não me ponho ao risco.
Sinto o gelo seco invadindo todo o local. Mal consigo respirar, procuro ar, procuro uma janela,  encosto-me à janela lateral.

Pude ver o menino, o menino dos meus sonhos lá em baixo, olhando algo que não sei nem mais o que é, e já não tenho mais certeza se ele olhava, ou deixava de olhar algo. Já não era mais o menino dos meus sonhos, porque se tornou algo mais longe e mais impossível do que um sonho realizado.  Mas não era ele. Era alguém parecido.

 Todos dançando, e eu parada. Todos girando, erguendo as mãos, cantando, pulando, e eu não quero mais dançar, meus pés estão doendo, e desisto aos poucos dessa vida agitada.  Não consigo mais animar. Estou cansada.

Chego à minha casa, depois de tantas danças, marcas, e entregas. Chego à minha casa depois de tudo com um nó incrivelmente grande entalado em minha garganta. E a minha vontade é nessa hora que ele voltasse. A vida comanda a música e precisamos dançar conforme. Se não, acabou. Não há outros caminhos para serem descobertos, nem existem tentativas. Há apenas essa, há apenas uma alternativa pequena.  A alternativa é seguir em frente, mesmo querendo voltar atrás.

E mesmo com a dor, ainda continua os seus Tunz-Tunz-Tunz. E precisamos dançar, precisamos nos sentir vivas, mesmo que seja agora, mesmo que seja hoje, mesmo que toda essa magia acabe.  

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