6 de fev de 2011

A carta que jamais irei mandar.




Alfenas, 06 de fevereiro de 2010.

Caro menino-desejado-abandonado,

Poderia te falar coisas que aconteceram, poderia até mesmo continuando a planejar a sua volta e o meu futuro que pelo que parece é tão distante do seu. Poderia continuar escrevendo essa carta com bastante amargura e sofrimento, mas talvez não seja tão real. Nossas vidas se cruzaram, nossas vidas conseguiram se juntar por um tempo, por um tempo não tão distante, não tão difícil, não tão sofrido. Nós, que chegamos ao ponto de sermos comparsas de plano de fuga nesse tal falado amor, hoje, somos eu que continuo fugindo para não deixar o amor me abater.
Pude ler várias coisas sobre partidas, solidão e até mesmo desamor, foi dolorido, admito. Contudo, pude tirar aproveito disso tudo. Me senti bem melhor, meu corpo já não é o mesmo, e nem mesmo a minha cultura continua a mesma. Conheci histórias fantásticas, conheci novas pessoas, e pude perceber que às vezes, nem tudo que vai, vai embora para sempre. E nem tudo que fica, é algo bom.
Te amo e sinto saudades. São cinco palavras tão singelas, mas, tão sinceras e que posso dizer isso. Porque aos poucos pude deixar os meus medos de lado, e consigo enfrentar algo que jamais conseguiria que são os meus próprios sentimentos.
Quis muito te ter por perto, e lá no fundo, minha alma grita querendo você a todo instante. Você era muito mais que um caso, uma salvação, ou algo assim. Você, que chegou a ser o motivo de tudo, hoje, não o vejo mais. Hoje, não escuto mais sua gargalhada abafada, ou até mesmo, não percebo mais o seu jeito tão individualista que poderia analisar tudo, e que sempre, sempre pensava que as atenções de todos e todas deveriam ser voltadas a você.
Opa, um sorrisinho nascendo no canto dos meus lábios quando me lembro do seu jeito que no fundo, odiava e entendia. Opa, consegui pensar em outro menino, mas peraí, esse jeito não é desse novo menino, é o seu jeito. E descubro mais uma vez que realmente preciso parar de me enganar.
Desisti, é exatamente isso, desisti de lutar contra a minha própria vontade de te esquecer. Desisti. Simples, não é? Pela primeira vez consigo ser simples e direta.
Desisti de querer ver amor aonde não existe. Desisti de criar falsas esperanças em quem já não é a esperança em pessoa. Desisti de lutar para que todos pudessem entender que eu não sou louca o bastante para poder continuar a escrever sobre sua falta. E que se foda todo resto.
Consegui me enganar por alguns dias, ou até mesmo, por alguns meses, mas sei que era de você que eu, implorava que pudesse ver não que não era somente uma carente mimada que escreve, no fundo, queria era poder ser digna de uma pontinha do seu amor. Você chegou a gostar de mim? Claro, me pergunto sem esperar a resposta.
Me pergunto todas as noites como está sua vida, se está amando ou chorando, se está sofrendo ou me querendo por perto. Você sabe que se realmente pudesse jamais deixaria que ninguém te fizesse sofrer, porque não quero seu mal, jamais vou querer que isso aconteça com você. Me fiz de ausente para que você existisse, brilhasse, mostrasse para todos o que você sempre queria mostrar. Me fiz de ausente, mas no fundo, quis ser presente.
No fundo, tudo isso é saudade, tudo isso é um pouco caótico, e um pouco engraçado. Tudo isso vai virar poesia, ou quem sabe uma melodia diferente. Sinto falta de você, mas não posso dizer nada, preciso te deixar existir. Sinto falta de te enxergar com a pureza de uma criança. Sinto falta de te ver como se fosse apenas o único amor de toda minha vida. Sinto falta de ouvir a sua voz me dizendo que bebeu demais e que iria vim me ver, mas que infelizmente, nunca mais chegou. Sinto tanta falta que mal cabe nessas linhas que estou tentando demonstrar que tudo será história.
Você sabe que será importante para a minha história, e talvez, lá no fundo, você se lembrará de mim, não sei como, não sei o motivo. Mas sei que um dia vai se perguntar. O que aconteceu com aquela menina? Aquela menina que se apaixonou por mim?
Talvez, eu possa te dizer isso ainda, mas talvez, jamais você terá respostas. Não queria que você se perdesse de mim, não queria que tudo acabasse. Mas o endeusamento está acabando, o seu pedestal está caindo aos poucos, e eu tento levantar. Porque é a única lembrança que realmente vale a pena ficar recordando em dias assim, dias quentes que logo será apenas mais um verão.
Não quero mais entender a razão, não quero mais ser a razão. Só quero ser fiel ao que eu sinto, mesmo que isso seja tão cruel. Só quero continuar com fé para poder enfrentar tudo que vem pela frente. Não quero ser incapaz de perdoar ou amar novamente. Não quero sentir mágoa sua, na verdade, jamais conseguiria isso. Sua ausência fez com que percebesse grandes coisas que estavam escondidas, pelo simples fato que nunca tive coragem suficiente para poder enfrentá-las de frente.
Mas depois de todo o sofrimento, de todo ataque de nervoso, ou ataque... De não sei das quantas, pude aprender que se for, realmente vai ser. Nem que seja nos próximos trinta, quarentas anos. Se o meu destino está escrito que será ao teu lado, pode já até guardar um lugar que estou chegando, mas infelizmente, não se pode prever o destino, tem que deixar tudo acontecer de modo natural, como se tudo fosse acabar amanhã, ou hoje, quem sabe.
Eu estou bem, e você? Como está?

P.S: Eu sei, jamais terei a resposta.
P.S²: Se cuida.

Com saudades. A menina do blog.

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Um comentário:

  1. :e nossa, essa história é muito semelhante a minha, sofri muuito, e sofro até hj, e mais ainda pq eu posso ver ele todos os dias e pessoas, amigos dele virem me falar que a melhor saida é esquecer ele porque, ele ainda corre atras de uma menina que naum dá a mínima pra ele, sei lá, penso em desistir, mais não é tão fácil assim não, tbm naum queria deixar de lutar pela pessoa que eu mais amei em toda a minha vida, eu sei que eu sou caaz, lutaria até o ultimo minuto de minha vida por ele se fosse ter o mínino de seu amor...

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