8 de fev de 2011

O (in)certo

Não agüento mais. É exatamente isso. Por que vou chorar se posso rir? Por que vou amar alguém que nunca me amou? Por que vou insistir em algo que só faz com que eu perca a fé dia após dias? Não entendo as ordens do meu coração. Quem só me faz mal, é aquele que sempre vou amar e sempre vou me lembrar, e para piorar a situação, não consigo odiá-lo, não consigo nem ao menos ver os erros dele, no máximo, acho os meus próprios defeitos.
 E para piorar a situação mais ainda, a cada dia que passa não consigo me apaixonar, me encantar com algo novo. Volto ao tempo, relembro de coisas de dois anos atrás, e pronto, estou morta de amor, estou sufocada, quase explodindo, quase flutuando.
Não agüento mais. Esses caras perdidos por aí só querem me iludir, e eu coloco meu coração em risco, me coloco em risco, como se fosse a salvação para tudo. Não quero ser mais do contra. Não quero mais nada arriscado.
Quero abraços, beijos, sorrisos sinceros. Eu queria mais você, sempre quis e nunca neguei isso a ninguém. Quero mais melodias desafinadas, poemas sem nexo. Sempre quis te ter de novo, sempre e mais uma vez nunca neguei. Não quero mais esses encantos que se não passam em duas, três semanas, viram uma verdadeira história de terror.
Os nãos que a vida me deu, pude ver coisas que estavam estampadas em meu rosto, mas que não tinha a coragem suficiente de poder encarar.  Estou querendo te escrever, mas, não sei se isso irá afetar a sua vida. Preciso parar com esse masoquismo.  Preciso parar de me entregar tão fácil sendo que sei que não haverá devoluções.
Às vezes penso que se você me amasse, poderia ter estar aqui, ou estaria me procurado por essa cidade tão sem graça, que nem as cores lá fora consegue fazer algum sentido coerente. Mas infelizmente, você não se importa. Essa é a verdade. Mais uma vez, a realidade me esfrega isso. Mais uma vez a realidade estraga os meus planos, e eu não posso dizer, muito menos, fazer nada.
Não queria afastar pessoas, mas lentamente faço isso e pouco tenho a consciência do que estou fazendo. Tenho uma insônia insuportável, mal consigo dormir, mal consigo sonhar, mal consigo viver. Não quero mais sorrir, não quero nem ao menos pensar no que as pessoas que passam por mim sentem.
Já não sei mais o que é apaixonar e não sofrer. Já não sei o que é olhar algo e não se sentir cansada. Já não sei mais o que sonhar, e muito menos planejar. Já não quero ser a menina bizarra que faz coisas estranhas e se apaixona por pessoas mais estranhas ainda. Quero ser uma menina normal, com sonhos normais, com um amor quietinho, um amor protetor para poder me deixar consciente que às vezes, por mais estranha que for a menina, ela conseguirá tudo que é almejado.
A arte de caminhar, cansar, respirar fundo, olhar outras pessoas, outras coisas e querer voltar. A arte de sorrir e acenar, mas a vontade maior é de abaixar a cabeça e passar reto. Se fosse possível, sim, não tocaria mais nessa história, porque quanto mais se cutuca uma ferida maior será o sangramento.
Tudo isso me dói, tudo isso me deixa sem vontade alguma. Tudo isso é confuso, descrente e feio. Não há brilhos, não há sorrisos, é fosco. Mas a dor já não é tão reluzente, é uma dor tão sem luxo que não é necessariamente obrigada a se lembrar de quantas vezes você pensou que tudo isso acaba mais com você.
Não sou incerta e também não admito que nada seja. Minha estética virginiana me prende a isso, meu perfeccionismo, e muitas vezes, só consigo ser realista, mas no fundo, não sei nem mais o que eu quero.
Todo tempo estive pronta para sair de cena, todo esse tempo fiquei pronta para jogar tudo para o alto e seguir minha vida, mas algo, algo muito forte me empurra contra a parede e diz que não adianta fugir dos meus sentimentos, nem dos meus problemas, que de uma forma ou outra eles chegaram até mim. Mas tenho medo de esquecer.
O futuro é incerto, o destino, mais ainda. E tenho medo de pessoas, coisas, incertas. Tenho medo de ignorar, e seguir em frente e você voltar. Tenho medo dos desencontros da vida, mas tenho coragem de enfrentá-los.

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Um comentário:

  1. Que você continue escrevendo, porque quero continuar lendo...

    Há tantas pessoas que escrevem coisas fantásticas e que ficam no anonimato!

    ResponderExcluir


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