5 de fev de 2011

História com uma estória.



Estória : s.f. Narrativa de ficção; exposição romanceada de fatos puramente imaginários (distinta da história, que se baseia em documentos ou testemunhos); conto, novela, fábula: estórias de quadrinhos./ Ant. história.


Quando se lembrar de mim, talvez eu já não esteja mais aqui. Quando se lembrar de mim, a linda história de amor, talvez já tenha virado terror. Quando se lembrar de mim o conto de fadas se tornará Conto de Farsas. Quando se lembrar de mim o amor virou lembrança.  Somente queria que o tempo parasse um pouco só para poder me organizar e programar outros planos, outros sonhos, outros amores.

A linda história de amor, já não é linda, e já não há mais amor. Tudo se dilacerou. As lembranças vão se apagando, um sorriso de tristeza forma-se em meu rosto porque às vezes, me lembro dele.  Lembro dele com saudade, ou talvez um pouco de alegria. O silêncio me feriu muito, antes. Mas não agora, agora não consigo sentir mais nada, nem saudade, nem amor.

Quis me parecer inteira, e assim, me entreguei a ele, e por tristeza minha, ele me devolveu em partículas. Em minúsculas partículas. Como se até mesmo desse a impressão que é impossível me juntar novamente. Sempre tive medo de ver o lado dele nessa história, nesse conto pequeno, fechado.  Porque se fossem analisar, seria mais uma vez culpa minha, ou culpa da minha imaginação tão fértil que fez grandes planos em cima dele, que é totalmente pequeno.

Aquele conto breve que não consegui terminar. Aquela história sem princesas, mas que todos esperam que um dia tenha um final aceitável. Aquela estória sem magia alguma, de destinos se cruzando e se separando num ritmo frenético.

Sinto-me pronta para esquecer, mas só consigo me apaixonar, ou até melhor dizendo, me encantar por outras pessoas durante algumas horas, logo depois esqueço.  Não quero mais ter que ver amor aonde não existe. Não quero inventar alguns amores só para poder ser feliz realmente.

Ouvi uma música que dizia que não importava se desse certo ou não, mas que mesmo assim, ainda poderia sonhar. E de novo concordo com as letras de músicas que aos poucos deixam o meu quarto com uma doce melodia, como se procurasse algo que já havia sido encontrado por outra pessoa. Como se procurasse rastros de algo invisível.

Aos poucos, me moldei nesse mundo que consegui me infiltrar sozinha. Aos poucos fui me acostumando com a solidão, aos poucos, me conformei com a falta ou até mesmo com o excesso. Porque sou exagerada, e soube exagerar cada passo. Fiz do drama, um dramalhão, para que talvez, pudessem perceber a intensidade de tudo isso que me corrói aos poucos.

Talvez, um dia foi história, hoje, não passa de uma estória que retrata claramente o destino e seus truques.  No início, propus para deixarem todos os fatos bem quietos. Neguei o real, me coloquei a risco, coloquei a risco o sentimento, e a paz.

Talvez, quando ele voltar, já tenha entendido que sou uma mulher suficientemente forte para poder sentir esse amor. Quando ele voltar, talvez, eu tenha encontrado outro. Talvez, tenha se esquecido, sumido, ou até mesmo, esteja morto. Ninguém se sabe o dia de amanhã, ninguém.

Me perdi nas pequenas linhas para poder salvá-lo. Me perdi no meio da música que ainda toca. Me perdi na estória, não sei se sou a principal. Não sei nem ao menos como é viver sem, depois que tudo isso acabar. No fim das contas, não me sinto mais pronta para poder abandonar essa parte minha que cada dia mais se torna inesquecível e dramática, mas no fundo há uma dorzinha verdadeira, sem graça, mas verdadeira.

E infelizmente ninguém sabe o final dessa estória, que já não sei mais se é de terror ou de amor. Já não sei nem mais quem são os personagens. Já não sei nem ao menos que ainda me levou e nunca me trouxe de volta. Só consigo saber que sinto falta do que ele era, do que eu fui, e do que nós chegamos a ser.

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