5 de out de 2011

Onze meses


Alfenas, 05 de novembro de 2011


                                                   Para você que já não lembro,


Se passaram onze meses. Como o tempo passa rápido. Sempre acreditei naquela história que o tempo fazia esquecer mas ao mesmo tempo sempre coloquei uma pedra em cima desse clichê. Não queria acreditar que tudo passaria rápido demais. Não queria acreditar que você nunca mais vai voltar. Por mais que eu continuasse naquela busca infinita de ir atrás, ao mesmo tempo, queria mais que tudo se ferrasse. Eu não suportava te amar e eu não suportava sofrer tanto por algo tão pequeno. Eu não suportava mais sofrer por alguém que amava tanto as outras meninas e que jamais foi capaz de dizer que me amava. Não suportava a idéia de escrever durante tanto tempo e que jamais iriam me retornar isso. Jamais vai haver uma respostinha pequena, ou sem graça. Você já não vai mais falar, não vai chegar, simplesmente é como se fosse morrendo aos poucos. Mas além de tudo isso, você continuara dentro de mim, vivo e quente. Eu sabia que qualquer momento tudo poderia  - pode – voltar. Mas eu sabia que eu estava pronta para ir embora daqui. 
Você amou inúmeras vezes e eu acompanhei tudo isso tão de perto. Dava impressão que eu me apaixonava por elas também, ou me apaixonada cada vez mais por você. Eu não queria mais me enfrentar. Não queria dar a volta por cima, e muito menos ser aquilo que você queria que eu fosse. Por que eu seria alguém sendo que eu nunca fui o nada? Eu não entendia. Fiquei tão invisível para você e para mim. Não me reconhecia. Não sabia mais quem eu era. Não sabia nem ao menos o que eu havia tornado. O fim do meu tormento só fez criar um tormento milhares de vezes mais pesado do que eu. O fim só deixará de ser fim quando alguém me faça sentir que tudo pode ser diferente. Eu não te amo mais. Na verdade, eu não sei mais o que eu sinto. Deixei de sentir aquela coisa pesada para sentir apenas coisinhas leves, saudade leve,  um amor leve, uma amizade mais leve ainda.
Não nos falamos mais. Cortamos tudo que havia para cortar. Sem dó ou piedade, resolvemos que seria melhor assim, e de fato, foi melhor assim. Você nunca me amou, nunquinha, e eu nunca mais vou ficar triste por isso. Nunca mais vou querer te encontrar as escondidas. Nunca mais vou querer ser sua. Vou desejar nunca mais te encontrar – Não suportaria te rever – Vou desejar para que você jamais volte, porque não quero mais sentir aquela coisa tão constrangedora e humilhante dentro de mim. Se fosse amor, talvez não doeria tanto, talvez eu não sofreria tanto. Talvez, eu quisesse realmente colocar um fim, mas talvez... eu queria ir atrás, quebrar a cara e mostrar ao mundo aquilo que ninguém estava acostumado. Entre o querer e o poder há um grande abismo. Se você pular, pode sim chegar ao outro lado, mas também pode cair na ribanceira.
Eu te queria entre o espaço breve que havia entre nós. Eu te queria quando havia chuva ou quando fazia aquele sol insuportável. Eu continuei te querendo e amando em segredo durante tantos e inúmeros anos. Passei a escrever para me conformar, ou quem sabe para descobrir quem realmente sou. Eu queria te encontrar mais uma vez ou nunca mais. Mas nunca mais fala sempre mais alto. O nunca mais é o ponto exato dessa minha carta. Nunca mais dói. Dói tanto que acaba não doendo tanto. O nunca mais das palavras vão se acostumando, vão se tornando clichê dentro dos meus textos. Eu não te amo mais. Não mesmo. Mas às vezes tudo que eu preciso é voltar ao tempo. Porque você me entendia. Você estava lá quando eu precisava ou quando não precisava. Às vezes, eu te amo mais do que a minha própria existência. Mas às vezes, tudo que eu preciso é ir embora para sempre de você, de mim, das memórias e dessas cartas. 
Falta só mais um mês. E eu não estou tão preparada. Sei que posso chorar ou me sentir tão aliviada por ter desistido de algo que eu tanto queria. Mas eu nunca fui covarde. Eu não poderia te entregar assim para o mundo sem ao menos tentar algo. E eu tentei. Não houve resposta alguma. Ou melhor dizendo, o silêncio me disse tudo. Não era preciso ninguém me dizer o que estava acontecendo, o meu sexto sentindo nunca falhava. Não era preciso ninguém me falar se você iria ou não voltar, eu não queria ouvir. Eu queria acreditar naquilo que inventei. Tudo isso me sufoca, mas ao mesmo tempo me deixa livre. Porque aqui é o único lugar que posso continuar sendo sua. 
Eu não vou mais te ver, e nem ao menos tentar falar. Mas quero que se cuide. Quero que seja feliz e não se sinta culpado por tudo que aconteceu. Te deixo livre e me deixo libertar de tudo aquilo que aconteceu. São onze meses e não sei se o tempo realmente passou como deveria. 



                                                                              Daquela que nunca mais será tão sua. 
                                                                                                                                     Layla Péres. 



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