27 de out de 2011

Amor amandita - Tati Bernardi



Já que não estou nem aí se ele percebe ou não minhas celulites e estrias, desfilo pelada e tranquila, enquanto como uma caixa de amanditas.
Ele arregala os olhos: o que essa louca ta fazendo pelada no meio da sala sendo que a gente ainda nem se beijou?
Ele pede pra usar o banheiro, talvez pra conferir o bafo ou a cor da cueca. E eu me vejo na típica situação que qualquer mulher louca adoraria: sozinha com sua carteira e celular.
To nem aí de saber sua vida. A quantidade de recadinhos femininos no seu celular ou de canhotos suspeitos no seu cheque têm a mesma importância pra mim que a quantidade de carrapatos no cachorro do vizinho. Ignoro qualquer pista e continuo devorando minhas amanditas, esse sim um assunto importante.
Se ele vai ligar amanhã? Não sei, não quero saber e não tenho raiva de quem sabe. Não tenho raiva de ninguém. Não tenho raiva das moças que já passaram pelo seu corpo, não quero degolar as moças que talvez ainda passem e tampouco me chatearia pensar que muitas ainda passarão.
Não me importa se você vai ficar meia hora ou uma hora inteira. Não me importa se o homem que vai sair do banheiro gosta mais ou menos de mim ou por inteiro. Nada me importa, a não ser o desejo de te empurrar naquela cama e experimentar de novo aquele movimento meio ponto e vírgula que você faz. Não sei explicar.
Não lembro o nome de ninguém da sua família, não quero conhecer seus amigos, não preciso que você me abrace depois e não faço questão de ser a mulher da sua vida. O que me importa mesmo, e isso sim mais do que as minhas amanditas, é que você tem o dito cujo meio torto, de uma tortura que encaixa em algum lugar que eu nem conhecia. Talvez eu fosse virgem de cantinho antes de te conhecer. Você me preenche e me cavoca como ninguém.
Não tenho medo de parecer vulgar caso você me queira de quatro. Não tenho medo de ficar barriguda caso em vá por cima. Não tenho medo de ficar com cara de idiota ou de gritar muito alto. Não tenho medo de nada, afinal, a gente só tem medo do que a gente ama.
Se me der sono eu durmo, se me der vontade de falar um palavrão alto, falo. Se me der vontade de te expulsar da minha casa: rua!
E o mais fantástico de tudo é que já que estou tão à vontade, já que meu cérebro louco não está vivendo nem no passado e nem no futuro e apenas no presente do seu corpo quentinho e cheiroso e já que nada em mim dói porque nada em mim sonha... eu nunca senti tanto prazer em toda a minha vida.
Será que não amar ninguém e amanditas são o segredo da felicidade? 

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