25 de mar de 2011

Aquela saudade guardada dentro de mim.




O destino une e separa, sem medo ou sem fé. E assim, vou seguindo a vida e o que quis para ela. Longe de você, e longe de tudo que um dia tive por perto, só me fez entender o que era realmente sentir falto daquilo que jamais voltará, daquilo que foi e que só ficará guardado em nossas lembranças. Eu queria que você prometesse que jamais sairia dos meus sonhos, do meu mundo, da minha vida. Eu queria promessas, mas ninguém leva a sério, nem mesmo eu. Nunca fui completa com ninguém, mas com ele, assumi todo o podre que vivia em mim, assumi meus medos e minhas farsas. Assumi qualquer solidão que insistia dentro de mim. Com ele, apostei minhas cartas e meu próprio coração. Todos os lugares que olhava estava escrito "Ele será seu" mas não, não foi meu. Pensei que ele seria o homem que iria apagar todos os meus medos e abafar os meus planos caóticos, mas não, ele só fez que eu criasse mais planos caóticos, mas ao contrário, fui eu que comecei a passar medo em todo mundo nessa história de amar. Eu fui podre, admito, e me sinto até envergonhada por isso.
Nunca pedi mais do que o necessário, mas eu o queria e isso era fato. Eu o queria como se o mundo fosse acabar a qualquer momento. E jamais fizemos promessas, talvez, por não acreditarmos mesmo. Mas o principal era, eu o desejava mais do que qualquer coisa na época. Depois de tanto tempo, eu entendo qual foi nossa função nessa história. Não quero me apaixonar por mais ninguém, mesmo sabendo que a vida não para nunca. Não quero mais ouvir um tom de voz tão idêntico ao dele. Não quero mais procurá-lo em outros corpos, em outras bebidas, em outros telefonemas. Era divertido mas ao mesmo tempo dramático. Todos me olhavam com pena, porque em mim morava o mundo dele. Sabia de sua matéria preferida na escola, até o nome da última namorada, e ainda sei, mas isso deixo para lá.
Uma briga dentro de mim entre esquecer e me entregar. O mundo cansava cada vez mais que eu começava a soletrar o nome daquele menino. Sei que nossas pequenas promessas serão lembradas por todos, apenas nessas pequenas linhas. Ele não se lembra, e eu também não. Não sei mais como é o seu jeito de sorrir, ou de olhar, mas não esqueço a sensação que senti quando ele dizia que queria iria me ligar só para me acordar. Não me esqueço de como eu fui tão completa como jamais tinha sido antes. Não me esqueço dessa história porque ela soube me cativar, soube me mostrar que existem pessoas e amores que marcam, marcam fundo que chegam a doer. Essa história é uma ferida que faço de tudo para não cicatrizar por medo de esquecer. Essa história era apenas de eu e ele, agora, é uma pequena história de nós, uma história de drama, comédia, amores unilaterais. Não me importo.
Aos poucos a claridade apagou e só mais tarde que notei isso, já não fazia parte dos planos dele e mesmo assim insistia, e ainda insisto. Enxerguei mais do que deveria, falei o que não era necessário, e todas as noites soletrei o nome dele para não esquecer.
Só quero olhar para frente mesmo sabendo que a vontade de voltar é maior. Se eu quero esquecer? Claro que sim. Layla, ninguém quer uma menina que escreve para um menino que se foi. É sempre isso que me falam, sempre. Mas eu não me importo se ninguém jamais irá me querer, eu me importo muito mais com que eu fui, do que serei. Me importo muito mais com ele, o menino que se foi e me mandou embora de sua vida, do que um bonitinho que quer chamar minha atenção. Eu me importo com essa história mesmo sabendo que ninguém mais se importa. Eu só sinto saudades dele, sei lá, apenas saudade. Mas puxa vida! Como era bom saber que ele existia e que a qualquer momento, ele iria me ligar e perguntar se eu estava dormindo. Puxa vida! Como era bom ser inteira e realizada, como era bom. E vou confessar uma coisa, toda vez que eu sinto o vento no meu rosto, sempre tenho a impressão que ainda carrego aquele menino comigo. Eu o protejo, eu o guio, e ele me leva, me leva para onde eu sempre quis, e sei que nunca vou voltar. Restou apenas saudade, saudade dele, saudade de como era tudo mais fácil, de como era mais fácil resistir e não chorar. Saudade do que fui, mas o principal, saudade de mim e dele.
Nunca fomos um casal, mas também nunca rejeitamos essa possibilidade. E eu adorava o modo que ele via o mundo, eu era fascinada pelo modo que ele falava, pelo jeito que ele me olhava, e pelo jeito que ele comentava de músicas, e de sua mania de trocar nomes de banda. Eu adorava o modo que ele falava meu nome, e o jeito que ele fazia questão de me notificar de quantas meninas ele saiu e quantas ele deixou de sair. Era isso que nos fazia eternos e diferente. Eu era dele, e ele era meu de um modo diferente e que chegava até impressionar, e é disso que eu sinto mais saudade, saudade ser tão dele, e ele de ser tão meu. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário


Layout: Bia Rodrigues | Tecnologia do Blogger | All Rights Reserved ©