4 de jun de 2011

Sete meses - Carta



Alfenas, 4 de junho de 2011.

                                                           Querido menino que me desprezou,

Já se passaram sete meses desde que você foi embora. São sete meses de silêncio declarado, de ausência persistente, e de sofrimento evitado. São sete  meses de busca e encontro, de carinho e ódio, de mágoa e amor incondicional. São sete meses de longos anos. Eu sei, tudo anda diferente. Não tenho liberdade para que possa escrever novamente sobre sua ausência e nem a dor que me causou durante esse tempo todo. Esta carta é só para lembrar o que você causou em mim. Não quero te culpar, muito menos te ver mal por isso. Mas quero que saiba que andei sentindo saudade. É verdade, senti saudade. Uma enorme saudade que não cabe mais em mim e preciso escrever sobre isso. Uma enorme saudade constrangedora e que me sufoca dia após dia. Agora passo o dias com calma, sem esperar nada, porque sei que não irá voltar, não irá me ligar e nem me fazer sorrir. É tão difícil te por no passado, é tão difícil saber que dia após dia vou caminhar e saberei que não te encontrarei por essas ruas, por esse país.
Quando você mandou eu seguir minha vida chorei durante uma semana inteira, perguntando o motivo de você ter ido embora sendo que eu te amava. E aí descobri que às vezes é preciso abrir mão de quem se ama. Eu adoraria ter me calado e seguido em frente sem chorar ou até mesmo reclamar. Eu adoraria não ter chorado ou reclamado de sua ausência, mas não foi isso que aconteceu. Reclamei dias (meses), você não deveria ter ido embora, você não deveria ter me deixado sem dizer nada. Na verdade, fui eu que te deixei. Resolvi dar um basta em tudo e aí surgiu o blog. E escrever para você me alivia, escrever sempre foi algo que me deixa melhor. Escrever me faz perceber que tudo não passou de uma bobagem.
Atualmente ando mais feliz do que triste. Não sei o que aconteceu, mas aquela fase de chorar e reclamar sobre sua falta simplesmente acabou. Eu sei que tenho fé em mim, e sei que qualquer dia desses aparecerá um cara que irá me fazer esquecer todo o mal que esse amor me fez. Também sei que você poderá voltar, mas sei que nenhuma ausência em vão. De qualquer forma eu sabia que precisaria seguir em frente, preciso seguir somente em frente. Claro que é difícil, chega até ser sufocante e me sinto perdida mas é a única solução.
Me lembro de vez em quando. Me lembro do que falei e do que você respondia. Você nunca mais me respondeu, simplesmente me desprezou. Mandou ir embora, mandou até mesmo me calar. Continuou lendo meus textos por uma típica obrigação. Você nunca mais respondeu e eu não fiquei triste. Fiquei feliz de saber que realmente seguiu sua vida sem minha presença. Nunca mais me ligou e nunca mais fez com que eu acreditasse em destino, mas tudo bem, aos poucos fui aceitando os fatos.
Às vezes a curiosidade chega: Você se lembra de mim? Se lembra de como nós fomos? Seu coração acelera quando ouve o meu nome? Sente minha falta?
Tenho algumas histórias novas, personagens novos. Queria não desistir de ninguém que possa surgir. Desisto rápido de qualquer amor que possa aparecer. É um erro, eu sei que é. Mas é a única forma que arrumei para me proteger da vida. Por mais que eu te queira por perto, sei que você também precisou seguir em frente
Eu te amei sim, mas não posso ficar me lembrando de tudo, preciso continuar tentando ser feliz, mesmo que seja em vão. Acostumei com essas coisas de ser em vão, em escrever em vão, de tentar ser em vão. Eu tenho sonhar, tento me alimentar dessas esperanças que surgem por aí. Essa carta não é para te fazer chorar e nem de se arrepender do que me fez. Essa carta é apenas para lembrar que eu existo e que sinto sua falta de vez em qual. Já são sete meses, e o tempo passou tão rápido conforme o esperado. Daqui a pouco é um, dois, três anos de sua ausência. Logo mais, se torna trinta, quarenta. Talvez você volte, talvez vá para mais longe. Mas quero que não me esqueça desses textos dramáticos. São trezentos e sessenta e cinco dias sem ele, e já se passaram sete meses.
Feliz sete meses de sua ausência, meu amor. Aproveite seu vazio, aproveite a minha ausência.

Um grande beijo e um chute, só para tentar mostrar que virei bem resolvida.
Layla Péres, ou simplesmente, a dolorida do blog. 

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2 comentários:

  1. Eu sei como você se sente, minha querida. Eu tambem me sinto assim. A dor da ausencia...não há o que cure. Hoje faz tres anos que o meu amor se foi...e eu me sinto morrer a cada dia.

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  2. Hoje, exatamente dia 05/06/11 completa um ano que eu perdi meu amor. Quando eu li "Quando você mandou eu seguir minha vida chorei durante uma semana inteira, perguntando o motivo de você ter ido embora sendo que eu te amava" as lágrimas surgiram como foi 365 dias atrás... lindo texto, lindo blog!!

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