29 de set de 2011

O casamento do meu melhor amigo - Verônica Heiss



Eu me sinto como a Julia Roberts em "O casamento do meu melhor amigo", mas sem o final feliz. Hollywood não vai me ajudar quando você decidir que ela é a mulher da sua vida. Eu vou ser aquela que vai te dizer que sua gravata é horrível e você vai concordar. Eu vou sorrir meu sorriso mais triste no mesmo segundo em que você sorrir seu sorriso mais feliz. Não é um pouco contraditório? Eu te quero tão bem e nossas alegrias não podem viver juntas... Eu sei que você só me interessa por ser impossível. Talvez eu perdesse meu encanto se tudo desse certo entre nós. O que me faz sentir é sua distância, o medo de perder nossa ligação tão inexplicável. No fundo, fui eu quem te disse como agir passo a passo pra conquistá-la. Eu só estava ensinando o que dizer pra mim. Mas o diretor não instruiu a próxima cena, não é? Você não percebeu quem estava do seu lado.
Nossa amizade é tão expressiva. Ao mesmo tempo recente e tão eterna. Eu sei que no nosso jeito de não dizer 'eu te amo' à toa, de rir depois de um 'tô com saudades', não vivemos mais distantes. Eu preciso chegar em casa logo pra te contar o que aconteceu no meu fim-de-semana e te dar bronca pelas tuas fugas da madrugada. Então você me diz que me falta experiência e eu me surpreendo de não sentir ofendida por isso. Você pode. Pode dizer o que quiser sem me deixar mal, porque afinal, quem mais me ouviria durante uma longa tarde de domingo, numa das minhas crises?
Dói ouvir sua irmã me dizer que queria que ficássemos juntos e ter que desviar o assunto. Dói negar qualquer possibilidade disso. E quando você me mostra o quanto mudou e diz das coisas que agora te fazem sorrir, eu penso em quando eu achava que seria eu quem mudaria tudo em você. Eu, que sempre te explico sobre as coisas que deve ou não fazer pra gostar de alguém. Eu, que sempre te disse que você era um romântico enrustido e usava a galinhagem pra disfarçar. E que mesmo você negando e dizendo que nunca ia se apaixonar, tentava te convencer. Eu sei, não precisa dizer que eu estava certa...
Hoje eu estou aqui, repetindo essa música pra escrever, sabendo que se você visse me faria ouvir a versão original do Bob Dylan, dizendo que esta versão é horrível. Mas eu gosto é das versões, e você mesmo me disse que essa é uma das coisas que me faz única. Mas o real sentido disso tudo: o som alto, as palavras, a música favorita da semana, algo que você nunca vai ler, é só pra tomar uma decisão.
 Hoje eu estou decidindo não sofrer mais por você. Você, que sempre odiou os caras que surgiam na minha vida porque não eram bons o suficiente pra mim (e eu sempre acabava descobrindo que você estava com a razão); Você, que me protege e me aconselha como um melhor amigo deve fazer sem esperar nada em troca. E que jamais me negou companhia, mesmo morando longe demais pra me ver. Seria injusto sofrer por você, porque isso só me afastaria. E nós não podemos mais viver sem nossa cumplicidade. Então hoje eu vou ser mais presente e menos ciumenta. Vou dizer a verdade quando você perguntar o que eu acho do que você pretende fazer pra surpreender sua namorada. E ainda que você tenha a fórmula perfeita do que eu procuro, vou me conformar de não ter sido a primeira a encontrar.
 A partir de agora, vou procurar outro você.

When the evening shadows
And the stars appear
And there is no one there
To dry your tears
I could hold you
For a million years
To make you feel my love

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