26 de nov de 2013

Eu não quero ser neutra não




Estou tentando viver um dia de cada vez. Nada de expectativa, nada de ilusão, nada de decepção no fim da tarde. Estou tentando ser uma pessoa melhor e querer ficar melhor. Estou tentando me concentrar no hoje, e não no ontem e muito menos no amanhã e isso é um puta de um porre. Quero o mundo. Quero ser engolida pelo mundo e por todos os sentimentos contraditórios do mundo. Que se foda a análise. Que se foda Freud. Que se foda o mundo, porque eu quero é foder a vida. Quero ser engolida pelo meu sentimento exorbitante e pela manhã seguinte, morrer de arrependimento. Nessas idas até você e nessas voltas até aqui, me sinto destruída. Mas amanhã sempre será um novo dia, um novo sonho, um novo temperamento, mas que se foda toda a porra de ser calma, e de viver dopada nos meus próprios medos. Que se foda o vazio existencial. Viver um dia cada vez? Ah, meu cu! Claro que dói ser assim. Dói ser humana demais, insensata demais, e sistemática demais. Feliz mesmo é aquele que não se importa e esta aí, gozando, festejando e fazendo da vida um verdadeiro open bar. No fundo, tenho inveja de gente assim, controladora, e que consegue viver como se não houvesse um carga em seus ombros.
Estou tentando ser esse tipo de pessoa que não se deixa levar por nada e por ninguém mas a maré dos sentimentos exagerados é mais forte do que eu imaginava. No fim do dia, estou aqui, fazendo planos, matando personagens e ressuscitando sentimentos que não sabia nem que existiam. Por mais que eu queria seguir em frente, eu volto todos os dias ao passado. E eu sei que é errado. De novo, Layla? Isso vai te machucar. Não, não pode ser assim. Você não é meu e eu não sou sua mas, posso muito bem fingir que estou equivocada. Você não é meu, nunca foi. E eu não sou sua. Na verdade, eu sou sua pra caralho. Sou sua desde do primeiro dia. Mas infelizmente, meu amor, eu não posso parar minha vida para ficar brincando de não saber o que quero da vida.
Torço para que o dia seja menos porque quero aprender a ser menos. Menos eu. Menos dramática. Menos sua. Menos exageradamente. Torço para que não faça frio e que eu possa correr por aí. Torço para que eu consiga dormir sem pensar e lembrar daquilo que você foi um dia e que já não é mais. Torço para aprender a não ser mais sua. Torço para que amanhã, eu desista da palhaçada de querer viver um dia de cada vez. Todos os dias eu descubro um jeito novo de me iludir, de atropelar tudo, de sentir tudo e de querer ser engolida pelo mundo e pelas suas más intenções. Todos os dias descubro um novo jeito de me machucar e de fugir de caras interessantes. Você não sabe disso, não é? Eu estou tocando na feridinha só para poder escrever e me sinto um monstro por isso, mesmo que eu não seja.
Confesso que fugi de homens interessantes nesse tempo todo. Dei inúmeras voltas e nunca cheguei ao finalmente. Fugi de loiros, morenos, altos e sensuais. Fugi de xaveco, ilusões e bebidas. Fugi e dei milhares de desculpas para homens que são realmente interessantes e eu continuo aqui, dando murro em ponta de faca. Continuo aqui querendo ser tudo ao mesmo tempo. Continuo aqui brincando de ser mulher bem resolvida que não sabe o que faz com esse sentimento. Torço para que essa pontada na cabeça seja um aneurisma. Torço para não morrer até te encontrar novamente. Mas amor, eu não sou neutra. Não quero morrer na temperatura neutra. Quero morrer congelada ou no fogo ardente. Quero ser tudo ou ser nada. Porque estou tentando ser alguém menos. Menos sua. Menos minha. Menos. Me...nos...


Ps: Imagem do tumblr de www.sirlanney.tumblr.com 

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