3 de out de 2013

Quando fui embora



Eu fui embora naquela tarde de sábado ensolarado. Fui embora e eu te vi descendo aquele morro, sendo tão estranho, tão elétrico, tão meu. Parei naquela esquina e olhei você correndo, meio tropeçando, meio sendo feliz. É engraçado que depois de anos, eu só consigo me lembrar dessa cena: Eu parada na esquina, te vendo descer a rua para ir embora da cidade. Hoje, completa três anos que a gente não se vê, não se fala, não se sente. Hoje, peguei o dia para dizer que sim, eu te amei muito. Amei sem bloqueios mas com muita neurosa, porque pela primeira vez na minha vida, eu estava apaixonada por alguém que também sentia o mesmo por mim. Amei com muito medo e com muito desespero. Amei sem motivos. Amei, apenas.
Minha vida estava muito complicada quando você chegou. Minha vida estava um caos mas eu tinha você. Por mais difícil que estava, eu tinha você na minha vida, na minha história. Por mais que eu pensasse em morte, suicídio e todas aquelas loucuras, eu tinha você. E você me amava. Você me amava muito. E eu sabia disso.
Lembro de toda a sensação absurda que eu sentia ao te ver. Era uma vontade louca de querer enfiar no meu mundo mas ao mesmo tempo, era uma vontade absurda de sair correndo. Você odiava me ver com esmalte vermelho e eu apenas ria, ria muito. Eu não iria mudar meu esmalte por você, mas eu estava disposta a ser muito mais que uma menina numa tarde ensolarada de sábado. Eu estava disposta a ser muito mais que uma menina sozinha, numa tarde ensolarada, de um sábado, de um agosto-de-Deus. E você também estava disposto a participar da minha vida, da minha confusão e de todo aquele caos interno que eu vivia. Você sempre reclamou que eu nunca havia feito um texto sobre você, mas aqui está, ó. Depois de três anos, aqui está o seu textinho.
Sempre te disse que eu não era o suficiente para você, mas na verdade, eu fui o suficiente para mim e para você, naquele tempo. Fui sua bagunça interna, sua confusão e teus ciúmes. Fui seu sábado, seu domingo. Fui sua pracinha perto daquele ponto de ônibus. Fui seu tudo. Você também foi meu tudo, e acho que sempre será. Sempre acreditei que amor não acaba. Se é amor, logicamente, não acaba. Apenas muda de posição, forma e intensidade. Eu te amo. Sim, mas não quero te ter de volta na minha vida. Eu te amo com a forma de outra pessoa amar a outra sem intensão alguma de tê-la em sua vida. Te amo profundamente e dane-se o resto, porque o amor é meu. Tudo isso é meu.
Quando você soube que eu não queria mais viver, você apenas disse a uma amiga em comum:
- Nossa Clarice Lispector não quer mais viver, e isso é triste.
Eu chorei muito e intensamente. Mas chorei porque você havia me comparado, chorei porque você queria que eu vivesse muito e eu só queria morrer. Chorei muito. Assisti na mesma noite Sex and the City e chorei. Chorei porque tudo havia acontecido muito rápido e eu tinha que terminar. Fui embora do seu mundo. Não para sempre, do mesmo jeito que você nunca foi embora do meu mundo verdadeiramente. Acordei com essa vontade louca para te escrever porque eu sei que você me entende. Você me entende e me lê. Você me entende e sabe que eu vou ser sempre apaixonada pelas balas de gelatina. Eu me lembro dos teus olhos tão próximos, do teu sotaque tão mineiro, das suas marcas. Hoje, é aniversário de quando fui embora. Então, toma esse texto como presente para a sua vida. E saiba que, não fui mulher demais, e nem você foi homem demais, fomos tudo que tínhamos que ser.



Nota: A imagem é de um trecho de Paulo Leminski.




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