30 de mai de 2013

Do outro lado da linha




- Gostei de você. Gostei da luz que me trouxe.
- Eu não entendo
- Escuta, eu não tenho muito tempo.
- Quem tá falando?
- Shiu... me deixe terminar! Saí inúmeras vezes querendo ser alguém mais bonita, alguém mais bem resolvida, alguém melhor só que todas essas vezes, eu te vi no mundo, por isso, eu tentava ser alguém melhor para o mundo e para você.
- O quê? Quem tá falando? Eu não...
- Não me interrompa, por favor.
- Ok.
- Posso?
- Sim
- Eu sempre voltei para o ponto de partida. Fiz greve para o mundo e para todos os outros. Escolhi a fidelidade porque ela é muito mais que uma obrigação, eu li uma vez que a *fidelidade é uma verdade*, e assim, me fiz fiel.
- Fiel a quem?
- Fui fiel a você durante esse tempo. Ensaiei milhares de frases de efeito em frente ao espelho para que quando eu tivesse a oportunidade de te falar tudo o que eu sempre quis. Eu fui sua, e serei sua nos próximos segundos dessa ligação. Continuarei sendo sua quando eu estiver com outro. Continuarei sendo apenas sua quando estiver com um terceiro elemento. Continuarei sendo sua até o fim desse dia, ou talvez no fim da noite.
- Meio poético isso, Clarice.
- Olha só! Me reconheceu?! Finalmente.
- Para quê tanto drama?
- Carlos, escute, eu não tenho muito tempo. A noite tá fria e daqui a pouco é dia de ser outra mulher. Depois que eu desligar esse telefone, eu não serei sua. Eu não serei minha. Eu não serei mais de ninguém. Carlos, meu Carlos, escute.
- O que, Clarice?
- O tempo corre. O tempo voa e a gente não se deu conta de tudo que poderíamos ter sido. A gente não se deu conta de quão forte estaríamos hoje. A gente não se deu conta que um precisava do outro.
- Eu não precisava de você, Clarice.
- Mas eu precisava de você, Carlos. Eu precisava do seu silêncio.  Eu precisava ouvir sua respiração quente. Eu precisava escrever milhares de bilhetes para me lembrar do que você me fez sentir.
- Clarice, está tarde, vai dormir.
- Você sabe, eu sou poética. Eu sou mais menina e frágil do que você imagina. Mas amanhã, amanhã eu sou de outro, e talvez depois de amanhã, serei de mais outro e assim, vamos nos perder.
- Que seje!
- É seja, Carlos. Não existe seje.
- Ok, Clarice. Tchau, boa noite.
- Carlos, eu tenho mil motivos para desligar esse telefone. Eu tenho mais de dois mil motivos para ir correndo até a sua casa e dizer que ainda dá tempo de ser algo, mas tenho mais de três mil motivos para dizer que tá tarde demais. Que infelizmente, você é imaturo. Que triste! Você é tão tolo mas aos poucos me ganhou. E desculpa, nesse jogo...
- Que jogo, Clarice?
- O nosso jogo... infelizmente, você não ganhou. Felizmente, eu ganhei. Não sei qual vai ser o prêmio. Boa noite, Carlos. Seja feliz com a sua escolha. Durma com Deus e por favor, não acorde arrependido. Amanhã não estarei mais aqui...Tchau, Carlos.

tum...tum...tum...tum...

*fidelidade é uma verdade*
- Trecho de Tati Bernardi.

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3 comentários:

  1. Doce layla! Me impressionando cada dia com suas palavras!

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  2. Lindissimo! parabens

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  3. Coisa maaaaaaaaais liiiiiiiiiiiiiiiiiiinda!

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