24 de jul de 2014

O jeito de louca é charme ou não



Perco a hora, não escuto o despertador tocar. Esqueço nomes, pronomes, e substantivo. Esqueço rostos, curvas, e estradas. Esqueço de temperar minha salada, e se temperei, também esqueço disso. Vivo de desculpas, me visto de disfarces. É fácil bancar a sofrida apaixonada quando você não tem que lidar com o mundo. É fácil bancar a sofrida, apaixonada, largada e bêbada quando não tem milhões de coisas para estudar para a faculdade. É muito fácil ser adapta ao good vibes quando você não tem o mundo gritando em seu ouvido querendo uma explicação para tudo, e para todos.

Nunca gostei muito do jeito que sou. Aos 3 anos, resolvi que queria ter o cabelo enrolado, e eu na maior inocência do mundo, e com os cabelos lisos, queria porque queria ter o cabelo da Biba do Castelo Ra-Tim-Bum, e logo em seguida, queria ter os sapatos iguais ao dela. Aos 5, resolvi que queria viver de cabelo de rabo de cavalo mas eu, com aquele cabelo liso escorrido, não dava nem para fazer um coque frouxinho. Aos 6, resolvi que seria bailarina, e depois ser da cor azul. Aos 10, resolvi que queria ser cientista e descobrir a cura da AIDS. Aos 16, resolvi que seria escritora. Aos 17, resolvi que seria sofrida. Aos 20, resolvi que apenas queria viver minha vida conforme a música manda. Deixo a vida me levar, e não me importo com o destino.

É quase uma ofensa quando entro em um relacionamento compostos de joguinhos. É quase uma ofensa quando dizem que estão apaixonados por mim. Porque eu, que sou tão intensa, quero que sejam claros, e limpos. Não sou composta de urgências, mas sou composta de desvios de curva, e de autossuficiência. Não sou composta de sentimentalismo a flor da pele, mas sou feita de declarações na madrugada, e principalmente se eu estiver bêbada. Não sou composta de saudade, mas vivo de nostalgia, vivo relembrando, mas não voltaria para nenhuma etapa da minha vida.

Se eu encontrasse a Layla de antes, eu apenas diria para ter calma. Diria também que o mundo é um tanto quanto cruel. Diria até mesmo que com o tempo você iria do lixo ao luxo, e do luxo ao lixo diversas vezes. Mas não há pânico nenhum, e não há medo algum de assumir isso.  Posso ter tentado ser tudo, ser a menina apaixonada e ter virado a louca obsessiva por festas, vazio e álcool. Posso ter me tornado a menina sofrida que encolhia ao dormir, e depois ter me tornado a que dá graças a Deus por dormir sozinha em uma cama de casal. Tudo é fase, tudo é passageiro, e com o tempo você percebe que as dores também.

Aos poucos, a ferida cicatriza. Aos poucos, tudo muda, e eu agradeço todos os dias para isso. Agradeço por saber seguir em frente mesmo não querendo. Agradeço por ter conseguido a não me questionar, e nem duvidar tanto das pessoas. Não tenho medo e não me desespero mais. Perco a hora, perco o relógio, perco o batom na festa, perco meu batom beijando outros caras, mas só não perco a 
a mania de começar um texto tão bem resolvido e de terminar falando sobre você. 

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