25 de jan de 2014

Tumultos de uma vida monótona




Passei dias querendo escrever ou pelo menos, tentando formar algumas frases bobas mas que desse algum sentido. Acho que aos poucos estou me esgotando. Esgotando emocionalmente, profissionalmente e até mesmo no sentido literário. Não consigo mais acompanhar os livros que tanto gosto, e não tenho mais paciência para alguns filmes que antigamente eu adorava. Acho que a vida nada mais é do que isso: Perder a paciência com coisas que tanto te agradou um dia, e que hoje, não há espaço mais para elas. Me despedi do filme Closer, porque não tenho mais paciência para sofrer junto com Alice, mas também, me despedi porque me vejo em seu papel, me vejo sendo ela em vários momentos da minha vida. Sendo Alice mais uma vez, me pergunto: Where? Show me! Where is this love?
Ao longo da minha vida me apeguei a inúmeras pessoas, e aprendi a ser um pouquinho mais seletiva. E aprendi também a fazer algo muito sábio. Aprendi a controlar minha sensibilidade tão exagerada, e a minha fragilidade tão a vista de quem pudesse ver. Era como se eu carregasse uma plaquinha dentro do meu peito afirmando o que a maioria das pessoas já sabiam: Cuidado, você está lidando com alguém frágil. Mas ninguém se importou, e nem eu me importei. Suguei até a última gota até que finalmente resolvi dar meu grito de liberdade, ou pelo menos, disfarçadamente, dei meus gritos de liberdade implorando para voltar atrás.
Tudo que eu queria era mais, e mais, e claro, mais um pouquinho só. Quis tanto e tantas vezes que aos poucos, fui me tornando só um pó no meio das lembranças alheias. Lutei tanto, quis calar o mundo, e quis me calar. E tudo que eu precisava era de alguém que pudesse me calar a força, ou me fizesse parar de uma vez por todas.
Até nunca mais. Foi bom te ver. Ok. Não há como mentir, e nem suplicar. Tenho vontade de cobrar passagem de quem entra e quem fica na vida. Me sinto um aeroporto que chega e que sai. Vejo beijos, despedidas, e alguns olhares escondidinhos e aflitos. Daqui eu vejo tanta gente. Tanta. E são despedidas. E as chegadas, às vezes, me assustam tanto. É preciso recomeçar. Porque está na hora, e porque é o certo, não é? Não é isso que dizem? É preciso desapegar daquilo que não te serve. E isso sai como se fosse um poema mal organizado de Fernando Pessoa, e até mesmo algo sem nexo que foi escrito por aí. Mas não é. Não foi. Nunca será.
Porque sabe, a vida é isso. A gente enfrenta, luta para chegar até o fim e simplesmente desiste. Virar as costas, sem despedida alguma e dar um tchauzinho sem graça. Ou virar as costas, dizer suavemente aquelas palavras estranhas: Até qualquer dia, ou até nunca mais.




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