22 de dez de 2013

Santa Claus




Querido Papai Noel,

Eu sei, prometi que iria perder uns quilinhos, mas não perdi. Prometi que iria parar de ser idiota, mas não parei. Prometi que iria cair fora dessa história tão sem pé e nem cabeça, e não cai. Prometi muitas coisas e não cumpri 1/3 delas. Sei que fui uma pessoa bêbada, e me meti em incríveis roubadas mas me diverti horrores, sabe? Então, eu não me sinto muito culpada por estar sempre em grandes roubadas, porque sim, eu fui muito feliz quando havia chances para ser feliz, então, eu não quero te pedir muitas coisas. Sei que deveria ter me comportado mais, e ter ficado quieta na maioria das vezes. Sei que deveria ter relevado muita coisa e que não deveria estar escrevendo para alguém que não existe no ápice dos vinte anos, né? Mas foda-se, é tão legal escrever para você. É tão legal poder dizer que cresci. Não sou mais aquela magrela do cabelo liso e castanho que estudava em uma escola de freira. Não sou mais aquela magrela que corria pela casa e nem pelo jardim. Não sou mais aquela menina, entende? E tudo que eu queria era continuar sendo aquela de sempre.
Dizem que eu já fui meiga mas eu não me recordo. Minha mãe diz que era meiga até eu mudar de colégio, mas na verdade é que ninguém sabia que eu sempre fui assim. Nunca gostei muito de receber abraços, e minha mãe também diz que talvez porque não fui muito de abraçar, e às vezes, ela diz que a falta do meu pai, pode ter levado essa consequência, mas eu não sei Papai Noel, não sei. Então, eu queria a paz mundial. Mentira, eu não quero. Eu quero mais amor, sabe? Eu quero ter um pouquinho mais de paciência porque eu sei que sou compreensiva com quem não deveria, então, quero ser compreensiva com todo mundo. Não espero que você me mande um namoradinho que saiba o que está fazendo - sim, exatamente, estou falando de sexo - Não espero porque sei que um dia ele vai chegar, só não sei quando, nem onde, mas um dia, ele vai chegar. Fui muitas vezes passageira e distante mesmo sentindo tudo ao tempo todo. Me senti triste muitas vezes, e isso diminui um pouco a minha culpa, não é? Eu me senti péssima por ter tratado tanta gente mal. Eu preciso que entendam que só trato mal porque tenho medo de chorar mais tarde. Estou tão acostumada em ser um ponto de passagem que é tão difícil permitir que alguém fique. Preciso ir embora antes que tudo cresça e amadureça, entende? Eu não queria ser assim, Papai Noel. Eu nunca quis. Se causei algum mal alguém, peço desculpas. Se eu feri alguém, peço mil perdões. Se eu fui embora da vida de alguém, saiba que fui medrosa e não pude ficar.
Sabe, Papai Noel, eu chorei algumas vezes. Vi a loucura batendo na minha porta praticamente todos os meses, e queria muito que você relevasse meus erros sabendo que todas às vezes que eu errava, também estava me ferindo. Finjo que sou complicada só para poder justificar algo que não há justificativa. Finjo que sou tão passageira, para que ninguém veja o quão profunda realmente sou. Sou leve para que possam me carregar em suas vidas, sabe? Mas eu não queria ser assim, Santa Claus, eu não queria mesmo. Mas sabe, Santa, no começo, era divertido e agora não é mais. Eu me cansei de ser legal, cool e moderninha. Cansei mesmo. Fiquei tão esgotada que acho que mereço centenas de horas para dormir. Mas olhe só, sobrevivi mais um ano. Palmas para o destino e para minha força de vontade tão sempre maquiada.
Oh, me desculpe, esqueci dos pedidos. Eu não sei o que eu quero de Natal. Quero mais é descanso, sabe? Um pouco de sossego e uma dose de fé em mim. Preciso acreditar mais em mim, preciso ter mais vontade de vencer. Não quero ser uma daquelas pessoas que se fecham com o tempo. Não quero continuar achando que sou esperta demais e por isso mereço ficar sozinha o tempo todo. Não quero mais gostar de ficar sozinha. Preciso só ter mais fé, um pouquinho de paciência - por mais que eu seja a compreensividade em pessoa - preciso mesmo de muita fé, amor, e sossego. Fé, amor, sossego e paz. A famosa paz interior. A famosa paz.
Santa, eu acredito tanto no amor mesmo tentando evitar. Sei que fujo e disfarço. Sei que vivo de disfarces e me nego a ter encontros com homens legais, dignos de serem amados, mas espero que você me compreenda e não me repreenda. Então, seja como for. Aqui está. Fiz meu papel e estou te escrevendo depois de algum tempo. Como sobrevivi esse ano, certamente estarei aqui o ano que vem.

Obrigada.

Layla




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