19 de jan de 2012

Três anos





Foram três anos de euforia, alegria, dramalhão e até mesmo de amor. Foram três anos repletos de choros anulados, de previsões astrológicas e de espiadinha em sites de relacionamento. Finalmente o tempo passou, e eu preciso me comportar com uma mulher adulta que sou. Ele foi embora do meu mundo, e eu fui embora do dele. Não havia mais nada para se dizer e nem para fazer. Mas tudo aquilo era bem maior que a minha pobre existência. Era muita revelação, muito silêncio, muito amor imaginado para pouco eu. Seus olhos são lindos, com um ar sonolento, mas ainda assim, eu o achava lindo. Mesmo que o mundo me julgasse, me tacasse pedra ou me rotulasse. Evitei o futuro só para amar o que eu nunca poderia ter.  Talvez tudo ficou mais claro para mim, agora, que depois de três anos, posso escrever isso sem ao menos sentir uma cócegas dentro do meu peito. Na verdade, sinto um pequeno desconsolo porque afinal das contas, eu era amiga dele.

As namoradas que ele teve nesses três anos eram feias, mas ainda assim, ele até hoje tem a mania de namorar as meninas que possuem as mesmas cores de cabelo que eu. Quando estava morena, ele ficava com as morenas, quando estava loira, ele namorava as loiras. E eu nunca entendi muito bem qual era a dele, e ele certamente nunca deve ter entendido porque eu fiz esse drama todo em cima de um amor mal resolvido. Muita coisa atrapalhava, e eu arrumei desculpas e disfarces para ser dele, as escondidas. Fui dele sem que ele saiba. Fui dele mesmo quando havia ido embora. Escrevi para que ele entendesse que o amava, mas ainda assim, foi uma besteira. Escrever nunca vai fazer ninguém voltar, e eu tive que aprender isso.

Eu era feliz por ser amiga dele. Era feliz porque querendo ou não, perdidamente ou não, saberia que ele estava me esperando para me aconselhar. Mas quando dei por mim, ele havia ido embora para sempre, e eu fiquei sem meu amigo. Meu amigo tão apaixonante, dos olhos lindos e de um sorriso de lado. Meu amigo tão seletivo, e tão cheio de frases de efeitos. São três anos de pura loucura, de críticas e de situações deprimentes. Aprendi a beber, e me comportei de forma que nem sabia o que estava fazendo. A única coisa que realmente queria era me livrar de toda loucura que criei. Eu não o amei, e tenho certeza disso. Passava dias sem saber dele, e não sentia saudade. Quando resolvi colocar ponto final, senti saudade por toda minha família. Senti saudade de ouvi-lo. Senti saudade dos apelidos e até mesmo daquela grosseria toda.

Eu o deletei da minha rede social que na época era o Orkut, não queria mais saber dele, não queria mais pensar nisso. Arrumei um namorado que teve que me suportar amando uma loucura, tadinho, ele foi bonzinho. E deve ter gostado de mim de verdade mas nada disso importa. Não mais. Escrevo a favor da vida, da saudade e até mesmo da loucura que criei. Foi essa loucura que me fez ter blog e até mesmo aflorou o meu lado tão menina. Mas nesse processo de loucura, a única coisa que realmente queria fazer era abusar da vontade de todos. Não me importei quem me amou ou quem iria me amar. Passei por cima de tudo aquilo, e eu não queria mais ser de ninguém. Só conseguia sentir um vazio filho da mãe. Ele havia sumido do meu mundo e eu só conseguia ser uma vaca.

De tanto me importar, calei. Fiquei quietinha, só com os mesmos problemas e novos textos. Nem sei mais por onde ele anda, e nem quem é a sua namorada. Mesmo que ela seja linda, sempre vou achá-la feia. Não sei mais sobre faculdade e nem sobre suas bandas preferidas. Os três anos se acabam por aqui. E eu o expulsei de uma vez por todas de dentro de mim. Não quero mais saber. Não quero mais nem ao menos ser invadida pelos mesmos pensamentos de sempre, e nem vou querer fuçar em suas redes sociais só para ver se está bem. Você não se importou comigo, e nada mais justo te ignorar para sempre.

Não foi triste, foi cômico. Foram correrias dentro de casa, e segredos espalhados para minha prima (já que sou filha única). E ela só conseguia dizer que um dia ele iria voltar. E de fato, voltou para onde nunca deveria ter saído. Voltou para aquela vidinha, para aquele inferninho. E eu não estou mais nem aí para ele. Nem para os três anos que vão se apagar daqui um tempo. Não estou mais nem aí para os problemas dele, e nem para os meus. Só quis embora daquilo que me fez mal, e não acho errado. Achei certo, e pela primeira vez me comportei conforme queria. Me comportei como precisava. Não bebi para esquecer, nem ao menos quis ser mais cool para que ele voltasse.

Precisei levar muito na cara para aprender. Tomei muita surra do mundo sem que ninguém percebesse e eu também não falei. Não gosto de assumir os meus pontos fracos. Tomei muito esporro, muito chute na boca do estômago em silêncio. E eu só aprendi. Aprendi que três anos passam rápido demais, por mais sofrido que seja, por mais dolorido e louco, um dia ele amansa. Os três anos passaram. De dezesseis, vou para dezenove em setembro. De inúmeras cores de cabelo, fiquei no loiro. E de vários regimes, consegui o corpo que tanto queria. E ele? Ele não sei. Os mesmos três anos que me fizeram aprender, fizeram com que ele fosse embora para sempre.

E nada de fuçadinha em redes sociais. Nada de comentários em suas fotos no facebook. Nadinha de nada.  Três anos se tornaram quatro, cinco, e assim por diante. E eu só tenho que ficar feliz. Essa loucura toda que um dia conquistei, me deixou melhor, mais humana e mais forte. De açúcar passei a ser de aço. E pensarei mil vezes antes que alguém venha e abale tudo  aquilo que construí. De menininha hoje sou uma quase adulta, não tão bem resolvida, mas também não tão crente de tudo. De tudo isso a única coisa que sinto saudades não é do cara que um dia eu amei e que morava nos quintos dos infernos mas sim do meu amigo, do meu melhor amigo que não tenho mais.

Pensei que nunca iria passar. Pensei que iria amá-lo para sempre. E eu só consigo ficar feliz por ter esquecido, por ter finalmente superado esse amor tão louco, tão devastador. Fico feliz por estar feliz. Fico feliz por saber que ele também deve estar feliz. Mas como já se passaram três anos, não posso mais escrever sobre isso. Chega! O ano terminou e eu finalmente fiquei livre disso.  Refiz minha maquiagem e meu orgulho e saí por aquela mesma porta que entrei. Saí para ser feliz e ter a vida que tanto desejei. Refiz tudo aquilo que destruí por orgulho, e me dá a minha bolsa e me dê licença, por favor, porque lá fora tem uma vida inteira a minha espera e não posso sofrer para sempre por algo que nem eu mais sei se existiu.

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4 comentários:

  1. Eu gostei do texto, e eu quero ter a mesma sorte que você, de ter esquecido ele, tá sendo difícil mais, mais cedo ou mais tarde eu supero assim como você! me sinto super a vontade aqui e vou sempre lhe fazer uma visitinha

    http://fazdecontatxt.blogspot.com

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  2. 3 anos te fez ser uma bela escritora ;D

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  3. Parabéns , espero conseguir fazer a mesma coisa , no momento voce está sendo a minha inspiração ! Obrigada por textos maravilhosos , esse é perfeito! Continue assim! ;DD

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  4. Lindo, você escreve muito bem. Também tenho um blog http://www.loveis-hazardous.blogspot.com.br/

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