7 de mai de 2014

Culpada




Não sinto tristeza, não sinto nada. O dia está nublado e isso me faz querer afundar na minha cama o dia inteiro. Mas esqueço que preciso seguir minha vida, e preciso lutar pelo meu espaço, mas ainda assim, não quero, não posso, e mesmo que eu quisesse, realmente, quero ficar aqui, quietinha, esperando o tempo passar. Descobri que depois de quase quatro anos, eu ainda tenho medo de relacionamentos. Tenho medo daquela sms chegando, dizendo o quanto pensa em mim, e o quanto me queria naquela noite. Tenho medo de enfrentar o mundo, e até mesmo uma certa preguiça de sofrer. Tenho medo daquela ligação que te fiz bêbada e ficamos conversando até as seis da manhã dizendo minhas teorias, e sem nenhum medo de ser quem eu sou. Mas olhe lá, meu lado egoísta fez você se afastar, e eu não quero correr atrás, nem fazer escândalo. Só quero ficar aqui esperando a vida fazer o mesmo percurso de sempre, e esperando o dia que esse medo idiota passe.

Tenho um lado tão racional, tão escroto, e tão cruel. Sou tão filha da puta quando menos preciso ser. Sou tão insensível quando na verdade, eu precisava é chorar. Sou tão cruel, tão desalmada, tão escrotinha comigo, e com aqueles que ficam em volta de mim. E do mesmo jeito tenho aquela insana que vive dentro de mim, e que vive dizendo que sou madura o suficiente para não necessitar de amor negado. Essa mesmo escrotinha adora dizer o quanto quero ter filhos, e o quanto quero finalmente respirar e ter a tal paz interior que tanto preciso e que mereço. Mas não, é melhor ser racional do que chorar por todos os cantos. Gente louca só é bonita nos textos. Gente triste só encontra o tal final feliz nos filmes. Porque mesmo gostando de drama, não quero tanto drama, só queria que fosse fácil pra mim, como foi pra você.

Você também foi embora, e eu não pedi nem ao mesmo que ficasse. Porque eu sabia que no fim do ano você deve ir embora. Porque meu coração era de outro cara, meu corpo era de outro cara, meu jeito era de outro, e agora, não há porque relembrar disso. Eu era daquele cara que nunca me quis por perto, e mesmo assim, só queria não ter medo de você, e nem do seu jeito tão assustador de dizer o quanto realmente me queria por perto. Desculpa se eu tive medo, desculpa se evitei, neguei e segui em frente como você mesmo fez. Eu só queria que esse texto ficasse bonito e mostrasse o tamanho do meu arrependimento, mas ainda assim, não consigo demonstrar nem o arrependimento, e nem o buraco dentro do meu peito. Apenas acabou, é isso.

Ao contrário do outro, você estava lá, me querendo, e querendo me fazer feliz. Ao contrário do outro, você enfrentaria meus anjos e demônios. Ao contrário do outro, você iria me fazer ficar e tenho a certeza disso. Você estava lá quando encontrei o outro cara que me teve verdadeiramente. Você estava lá dizendo que mulher sempre escolhia o pior para ela, e é verdade. Você estava lá quando pedi que me desse milhares de chocolates, e milhares de dose de vodka. Você estava lá, me esperando, enquanto eu, estava esperando o outro. Porque escrever sobre é difícil, e eu mal consigo arrumar as palavras certas para dizer o quanto estou arrependida por ter trocado meu passado dolorido pelo futuro que estava bem na minha frente. Talvez seja drama, não sei.

Também isso vai passar, mas não sei por quanto tempo a culpa vai continuar dentro de mim. Só sei que dói, e só sei que tenho a impressão que de novo, troquei tudo por um falsa realidade banal e poética.


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Um comentário:

  1. A sua fã espera anciosamente pelo livro. Amo vc e o que vc escreve!! ❤

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