15 de fev de 2014

Dos errados, eu sou a pior




A saudade aparece num sábado nublado em que resolvo ficar dentro de casa. A saudade aparece quando estou tomando banho e lembro de mil coisas de anos atrás e que hoje, não faz sentido algum. A saudade aparece quando a gente se tromba meio sem querer no meio de uma pista de dança. A saudade acontece quando eu estou com outro bonitinho, e que você está com outra bonitinha. A saudade ressurge quando a gente promete que essa seria a última vez. A saudade desaparece quando resolvo ir embora pela vigésima vez no mês. A solidão acontece quando resolvo que sou melhor do que isso, e que não mereço. A solidão acontece quando conheço tantos novos caras e tudo que eu mais queria era correr até você. Mas não tenho mais nada para dizer, e nem para escrever.
Não se preocupe quando eu resolver ficar calada, se preocupe quando parar de escrever sobre você. Não se preocupe se eu estou com outro, ou com aquele outro lá na frente, e até mesmo aquele outro lá atrás, se preocupe quando realmente ver que não há mais nada seu em mim. Não se preocupe com o meu silêncio, ou com o meu drama, se preocupe quando não me importar mais.
Coloco meu pijama mais confortável, faço um coque no meu cabelo e fico com cara de quem acabou de enterrar o grande amor da minha vida. Mas nada disso, é apenas uma feridinha dentro do meu peito que todas as noites, eu tento expulsá-la. É apenas uma dorzinha lá no fundo, uma fisgadinha de nada, uma gastritezinha boba. E com isso, eu fico deprimida em um pleno sábado nublado. Fico deprimida porque as luzes aparecem, Deus aparece, e a verdade plena estampa na minha cara: A culpa não são eles, e sim, eu. Sim, o problema sou eu. Não são eles.
Achei que o problema fosse o moreno alto que havia me conquistado de tal maneira que fiquei sem palavras. Achei que ele que era desligado demais, ou intenso demais. Mas não, o problema era eu. Eu que estava brincando de ser fiel ao meu passado tão articulado e tão mal feito. Eu que estava brincando de aumentar o ego, e de querer brincar de esconde-esconde no escuro. Eu que estava me rotulando, me quebrando, me montando novamente para ser o que não sabia ser. Achei que o problema fosse aquele estudante de medicina que só de me ver já me beijava, porém, não era. Tudo bem que ele era carioca, e tudo bem que ele puxava meu braço dizendo que morava perto do hospital e que queria me ver depois da festa, mas não, o problema não era ele, o problema mais uma vez, era eu. Eu que estava brincando de testar novos perfumes na minha pele, novos sabores, e novos homenzinhos. E até pensei que o problema fosse daquele menino novinho que dizia que eu tinha medo dele, ou até mesmo aquele meu veterano da faculdade. Pensei que o problema realmente eram eles, mas não, de novo, a culpa é minha.
Eu não sei colocar pontos finais. Sempre faço drama, sempre choro e sempre acho que as minhas dores são as piores do mundo, mas nada disso, minhas dores duram um dia. E meu tédio continua eterno dentro de mim. Preciso sugar até a última gota sua. Preciso ser sua mesmo que o mundo me empurre para o outro canto. Preciso me machucar mais um pouquinho. Preciso tanto que chego a nem querer mais. A intensidade me assusta. O vazio me corrói e eu só quero a última gota. Só quero brincar de ser sua antes que eu vá embora de vez. E está chegando a hora, e você sabe.
Dos errados, eu sou a pior. Das erradas, eu sou a melhorzinha. Das saudades, essa é a mais dolorida. Do drama, esse é o menos intenso. Do amor, esse é o pior e o melhor.


Condicional - Los Hermanos (na voz de Taís Alvarenga)

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