24 de abr de 2014

Camiseta do Nirvana




Minhas teorias são impossíveis, meus dramas mexicanos, meus amores são passageiros, e eu ainda carrego minha vontade enorme de entender as pessoas, e suas teorias. Ainda preciso entender os amores dos outros, a vida dos outros, e suas atitudes. Ainda preciso querer aprender a lidar com outras pessoas, e com outros sentimentos. Ainda preciso criar coragem e não fugir quando alguém diz que está apaixonado por mim. Então, vamos lá, sou uma mulher resolvida, só isso. Fiz as pazes com a minha camiseta do Nirvana, e me senti a pessoa mais completa e rebelde do mundo.

Eu, estudante de agronomia, rodeada de fãs de sertanejo, estava lá de coturno de spike, e minha camiseta velha do Nirvana. Me senti a pessoa mais rebelde de todos os rebeldes que já passaram por lá. Mas ainda assim, me senti tão sozinha e ao mesmo tempo tão cheia de tudo. Cheia de luz, e cheia das pessoas. Totalmente zerada. De amor, de paciência e talvez, até mesmo de fé.

Tento entender tudo a base do Mapa Astral, mas aí, não dá certo. Refaço, faço, faço e refaço. Brinco de horários de nascimento, e descubro porque o bonitinho não quis nada comigo - O signo dele, e o ascendente diz que ele não gosta de criar laços - Ok, se o horóscopo diz, tá falando então. Ele só não gosta de mim porque não gosta de criar laços, e sentimentos. Ele é só uma pessoa leviana. Mas que porra é essa, horóscopo? Choro, escrevo, sinto, choro de novo, e escrevo mais uma vez para você me dizer que é apenas uma pessoa leviana? Ah, vai tomar no cu!

Eu estou ficando ótima em dar perdidos, seja em situação ou nas pessoas. Digo que vou e não vou. Ou se vou, depois apareço em outro canto. Estou ficando ótima em me boicotar e de fazer ceninhas de dramas, mesmo sabendo que já não sinto nada há muito tempo. Mas eu preciso pensar em alguém, né? Preciso encontrar um motivinho só para poder escrever, mesmo que seja a minha camiseta do Nirvana. Aliás, eu espero que Kurt Cobain me perdoe por estar frequentando tantas festas regada de sertanejos.

Estou ficando ótima em sumir comigo. Estou me apagando aos poucos, diminuindo minha personalidade. Desde que conversei seriamente com um garoto, mesmo que eu estivesse tão bêbada, ele me disse coisas tortuosas que talvez, eu nunca venha a esquecer. Reclamou do meu jeito tão intensa, e de tentar adivinhar tudo. Reclamou que sou assim, leviana. Mas eu sou leviana igual a você, meu amor! Eu sou a sua versão feminina, então, não reclame. Talvez, eu seja só uma atriz de merda. Talvez, eu queria comover o mundo mesmo sabendo que não há motivo algum para isso.

Minha camiseta do Nirvana está aqui. Exposta. Do jeito que eu gosto. Eu me encontro nela. Me encontro e me perco porque sei que pelo menos, usando-a, eu posso ser o que sou. Posso ser a louca ou talvez a dramática. Posso ser a adivinha, a intensa, a medrosa sem coração, ou até aquela louca filha da puta que se apaixona dez vezes ao ano. Posso ser o que for, que ainda assim, não estou tão perdida, mas também, se me perder, não quero ser encontrada.

Mas sabe meu amor, não nasci para ser menos, e nem para rejeitar minha camiseta do Nirvana. Não nasci para aceitar amor fraternal, e nem amor aos pedaços. Não nasci para não usar minhas blusas de rock, e nem para deixar de ouvir o que sempre me fez bem. Agora, por favor, me dê licença porque estou passando pela sua vida e prometo que não irei fugir.





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