16 de fev. de 2014
Expulsão
Te expulsei dos meus textos. Dos meus sonhos. Das minhas utopias. Do meu dilema. E do meu peito tão cheio de cicatrizes. Te expulsei do meu corpo, do meu perfume, das minhas músicas. Te expulsei das minhas lembranças, da minha saudade tão corrosiva, do meu ciúme tão indelicado e da minha franqueza tão aguçada. Te expulsei do meu mundo para que você pudesse ser do mundo, de outros sonhos, de outras mulheres e de outros novos perfumes. É mais fácil te ver livre, e menos dolorido. Talvez, mais tarde, eu possa chorar por ter nunca te acorrentado, mas seria injustiça minha acorrentar alguém tão livre, tão cheio de si, e tão vazio de mim. Te olhei tantas vezes enquanto você virava seu rosto procurando algo que não sei nem o que é. Te olhei tantas vezes implorando para uma solução ou para uma resposta. Te olhei tantas vezes implorando para que também pudesse me libertar disso tudo. Porém, me acorrentou e eu quis ficar assim, quietinha, e esperando alguma decisão de quem não tem decisão nenhuma.
É mais fácil ser deles. Apenas digo algumas palavras, faço joguinho de interesse e eles já estão se jogando. Apenas sorriso, desvio o olhar e me faço de sonsa. E você sabe, odeio gente sonsa. Mas é mais fácil ser assim. É mais fácil evitar, desviar, e ignorar. É mais fácil não querer mais lidar. É mais fácil percorrer outros corpos, outros perfumes, e outros toques. É mais fácil ser dele. É mais fácil e mais leve. É tão mais solto, tão mais intenso, tão mais divertido, e olhe só: Não me dói em nada. É mais fácil ser triste do que feliz. É mais fácil cultivar uma tristeza sabendo que não há mais dor alguma. Você me curou de todas as neuroses do mundo mas ao invés de me manter calma, só conseguiu me acelerar mais. Ao invés de me curar, isso só piorou. E eu preciso tanto encontrar a tal calma na alma. A tal calma na alma que todas as músicas dizem, e que os textos definem. Preciso tanto ser deles, mas primeiramente, eu preciso ser minha. Preciso ser minha para que depois, possa realmente querer ser sua, ou de quem quiser levar.
Ninguém esquece a dor do desprezo. Ninguém esquece a dor do vazio, e do silêncio. Então, não há como voltar para o jogo. Estou remendada. Surrada. E tão cansada. São longas histórias de curvas tortuosas. São tempestades e dias ensolarados.
Te olhei pela última vez querendo que pudesse me levar para longe, mas olhe só, apenas conseguiu me afastar.
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